Nemeton Beleni

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Decimus Magnus Ausonius (c. 310 – c. 395) foi um poeta e professor de retórica nascido em Burdígala (hoje Bordeaux) na Aquitânia (sudoeste da França). Ausonius foi tutor de Flauius Gratianus Augustus (imperador romano de 375 a 383) na juventude deste, de quem recebeu um consulado. Em sua poesia, Ausonius mostra o cuidado com sua família, amigos, professores e com o seu círculo de conhecidos da aristocracia galo-romana, além do virtuosismo no uso dos metros tradicionais da poesia latina. Suas obras mais conhecidas são Mosella, descrição de uma viagem pelo rio Moselle, e Ephemeris, relato de um dia da sua vida. Ele escreveu também a Commemoratio Professorum Burdigalensium (“Poemas em Comemoração aos Professores de Bordeaux”). Dois trechos desse poema nos interessam. São eles:

Commemoratio Professorum Burdigalensium (“Poemas em Comemoração aos Professores de Bordeaux”)

(4.7-14)

Tu Baiocassi stirpe Druidarum satus,
si fama non fallit fidem,
Beleni sacratum ducis e templo denus,
et inde uobis nomina:
tibi Paterae: sic ministros nuncupant
Apollinares mystici.
fratri patrique nomen a Phoebo datum
natoque de Delphis tuo.

(4.7-14)

Tu, oriundo da estirpe dos druidas de Bayeux,
(se não é mentira o relato)
do templo de Belenos traças a tua linhagem prestigiada
e daí vêm os nomes da tua família:
Patera és chamado: assim os devotos chamam
os servos de Apolo.
O teu pai e o teu irmão de Febo receberam o nome
e o teu próprio filho, de Delfos.

(10.22-31)

nec reticebo senem
nomine Phoebicium
qui Beleni aedituus
nil opis inde tulit;
set tamen, ut placitum,
stirpe satus Druidum
gentis Aremoricae,
Burdigalae cathedram
nati obtinuit:
permaneat series.

E tampouco passarei em silêncio o ancião
de nome Phoebicius que,
embora guardião do templo de Belenos,
disso lucro não obteve.
Porém ele, como dizem os rumores,
saído da raça dos druidas da Armórica,
obteve uma cadeira na universidade de Burdígala
com a ajuda do seu filho.
Que por muito tempo dure a sua linhagem!

Nesses versos, Ausonius nos fala de três homens: Phoebicius, Patera e Dephidius, respectivamente avô, filho e neto.

Phoebus (em grego, Φοῖβος, Phoibos, “brilhante”): é um dos epítetos mais conhecidos de Apolo (em grego, Ἀπόλλων, Apollōn), filho de Zeus e Leto, deus oracular, da medicina e da cura.
Patera: era um prato longo e raso usado para beber ou um cálice usado sobretudo no contexto de um ritual para verter uma libação às deidades.
Delphi (em grego, Δελφοί, Delphói): na mitologia grega, Delfos era o centro da Terra; foi a sede do mais famoso oráculo helênico, o do Apolo Pítico, desde o período pré-clássico (séc. XIV a. C.), até ser finalmente abandonado (entre os séc. Vi e VII d. C.) após um longe período de declínio.

Como disse Ausonius, os nomes dos três personagens ligam-se ao culto de Apolo, unido ao de Belenos, o deus gaulês identificado a Apolo. Os atributos de Apolo como deus da luz, do conhecimento, da música e da poesia, da arte mântica, da cura e da medicina, além da identificação de Apolo com diversas divindades da Gália e da Britânia (Grannos, Borvo, Maponos, Moritasgos, Vindonnos) abrem um ampla gama de possibilidades para a interpretação do papel do deus Belenos.

Belo-/bello- são termos frequentes na teo-/antroponímia céltica (p. ex.: Belinos, Belinicos, Belisama, Bellus, Bellona, Bello-gnati, Bello-rix, Bello-uacus, Bello-uaedius, Bello-uesus). Ainda dois hidrônimos, Bienne e Biel (Suiça) remontam a *Belenâ. A forma Belisama mostra que se relaciona ao superlativo de um tema belo- ou beli-, do qual bello- seria a forma hipocorística. O fato de que Belenos seria, segundo a interpretação romana, o Apolo gaulês, divindade ‘solar’, levou a que essa designação fosse compreendida como ‘o luminoso, o brilhante’, o que é apoiado pela identificação de Apolo a Vindonnos (< uindo-, “branco, sagrado, brilhante”). A comparação com outras línguas indo-europeias autoriza supor uma raiz belo- (“forte, poderoso”):

  • sânscrito bálîyân, ‘mais forte’, bálisthah ‘o mais forte’;
  • grego beltíôn, béltistos ‘melhor, mais’ (por *belíôn, bélistos);
  • latim dê-bilis ‘baixo’;
  • eslavo antigo boljiji ‘maior’.

Linguisticamente, portanto, Belenos seria “O Muito Forte” ou “O Senhor do Poder”, profeta (mantis) e curador (iátros) como o seu correspondente grego.

Privados de suas funções judiciárias e influência política pelo invasor romano (Augustus proibiu aos cidadãos romanos seguir os druidas e Claudius, indo além, suprimiu-lhes a própria existência), parece ter restado aos philosóphoi da Gália dedicar-se ao ensino nas novas instituições romanas, bem como aos oráculos e à terapêutica, atividades em que já contavam com uma perícia nascida de séculos de prática. E Ausonius indica que esse foi realmente o caminho seguido pelos druidas da Armórica: o culto do Apolo hiperbóreo como Belenos Vindonnos, o seu nome nas terras célticas.

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O Nemeton Beleni (Templo de Belenos) coloca-se sob a proteção e inspiração do Senhor do Poder, Belenos Iluminador e Médico, em sua busca pela Ἀιώνια Σοφία (Aiṓnia Sophía), a Sabedoria Eterna, seguindo os passos dos druidas em sua pesquisa das técnicas terapêuticas e oraculares com vistas ao autodesenvolvimento e ao serviço aos deuses e à comunidade.

Seus estudos e práticas abrangerão:

  • estudo de variadas ferramentas divinatórias;
  • herbologia terapêutica e mágica;
  • liturgia;
  • línguas (gaulês antigo e moderno, latim);
  • história;
  • mitologia;
  • a tradição esotérica do Ocidente e do Oriente.

Nenhum conhecimento será considerado alheio ao Nemeton Beleni. O objetivo máximo dos discípulos de Belenos é SABER e, por meio do saber, construir um mundo melhor para si e para os seus semelhantes.

Bellouesus /|\

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