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Nwyfre: fonte de vida e consciência

Palestra apresentada no Encontro com o Druidismo do Rio Grande do Sul – EcDRC, 2a. edição – Primavera/2014 (13/12/2014).

Merlin entoa o “Encantamento da Criação” (“Charm of Making”, do filme “Excalibur”, dir. John Boorman, 1981)

Bellouesus /|\

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Kadeir Kerrituen (O Assento de Cerridwen)

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Taliesin (“Livro de Taliesin”, 16)

Soberano do poder do ar, também tu,
A satisfação de minhas transgressões.
Na meia-noite e nas manhãs
Ali brilhavam minhas luzes.
Delicada a vida de Minawg ap Lleu,
A quem vi há apenas um momento.
O fim, na rampa de Lleu.
Ardente era seu esforço nos combates,
Avagdu, meu filho, também.
Feliz o Senhor que o fez
Na competição das canções.
Sua sabedoria era melhor que a minha,
O mais habilidoso homem de que jamais se soube.
Gwydion, o filho de Don, de aspecto severo,
Com flores uma mulher formou,
E trouxe os porcos do sul,
Embora não tivesse chiqueiros para eles;
O viajante corajoso com varinhas achatadas
Formou uma cavalhada,
De primaveris
Plantas e selas ilustres.
Quando forem julgados os assentos,
Superando-os estará o meu,
Meu assento, meu caldeirão e minhas leis
E minha eloqüência em desfile encontram-se para o assento.
Sou chamada habilidosa na corte de Don.
Eu e Euronwy e Euron.
Vi um feroz conflito em Nant Frangeon
Num domingo, no momento da aurora,
Entre a ave da fúria e Gwydion.
Na quarta-feira, certamente eles foram a Mona
Para obter rodopios e feiticeiros.
Arianrhod, de louvável aspecto, aurora de serenidade,
A maior desgraça obviamente no lado dos britanos,
Com pressa envia sobre sua corte a correnteza de um arco-íris,
Uma torrente que assusta a violência da terra.
O veneno de seu estado anterior, em volta do mundo, deixará.
Não falam falsamente, os livros de Beda.
O assento do Preservador está aqui.
E, até o julgamento, continuará na Europa.
Possa a Trindade conceder-nos
Misericórdia no dia do julgamento,
Uma justa esmola para bons homens.

Tradução: Bellouesus /|\

O Homem Universal???

homunBum yn lliaws rith
Kyn bum kisgyfrith.

Estive numa multiplicidade de formas
Antes de assumir um aspecto constante.

De: Kat Godeu (“A Batalha das Árvores”), Llyfr Taliesin, VIII (“Livro
de Taliesin”, 8)

Gvolychaf vyn tat.
Vyn duw vyn neirthat.
A dodes trwy vy iat
Eneit ym pwyllat.
Am goruc yn gwylat.
Vy seith llafanat.
O tan a dayar.
A dwfyr ac awyr.
A nywl a blodeu
A gwynt godeheu.
Eil synhwyr pwyllat
Ym pwyllwys vyn tat.
Vn yw a rynnyaf.
A deu a tynaf.
A thri a wedaf.
A phetwar a vlassaaf.
A phymp a welaf.
A chwech a glywaf.
A seith a arogleuaf.

Adorarei meu pai,
meu Deus, meu fortalecedor,
que introduziu por minha cabeça
uma alma para guiar-me,
que para mim fez no discernimento
minhas sete faculdades.
Do fogo e da terra,
da água e do ar,
de brumas e flores
e do vento meridional.
Outros sentidos da consciência
para mim teu pai criou.
Um é o instinto,
com o segundo eu toco,
com o terceiro chamo,
com o quarto saboreio,
com o quinto vejo,
com o sexto ouço,
com o sétimo cheiro.

De: Kanu y Byt Mawr (“A Canção do Macrocosmo”), Llyfr Taliesin, LV (“Livro de Taliesin”, 55)

Is fisigh cidh diandernadh adham .i. do viii rannaib: in céd rann do talmain: indara rann do muir: in tres rand do ghrein: in cethramha rann do nellaib: in cuigid rann do gaith: in séisedh rann do clochaibh: in sechtmadh rann don spirad naomh: intochmadh rann do soillsi in domuin.

Vale a pena saber que Adão foi feito de oito partes, isto é: a primeira parte, a terra; a segunda parte, o mar; a terceira parte, o sol; a quarta parte, as nuvens; a quinta parte, o vento; a sexta parte, as pedras; a sétima parte, o Espírito Santo; a oitava parte, a luz do mundo.

Rand na talman, as í sin in colann in duine : rann na mara, is í sin fuil in duine: rann na greine a ghne 7 a dreach: rann donéllaib [ilegível]; rann na gaoithe anal an duine: rann na cloch a chnamha: rann in spirada naoiin in anmain [leia-se: a anam]: an rann dorighnedh do soillsi in domuin as í sin a chráigheacht [leia-se: chráibhdheacht].

A parte da terra, essa é o corpo do homem; a parte do mar, essa é o sangue do homem; a parte do sol, seu rosto e sua compostura; a parte das nuvens, [ilegível]; a parte do vento, a respiração do homem; a parte das pedras, seus ossos; a parte do Espírito Santo, sua alma; a parte que foi feita da luz do mundo, essa é a sua devoção.

Madhi in talmaidhecht bhus fortail isin duine bud leasc. Madhi in muir budh enaidh. Madhí an grian bud alainn beódha. Madhiat na neoil bud etrom druth. Madhi in gaoth bud laidir fri gach. Madhiat na clocha bud cruaidh do traothafdh 7 bu gadaighe 7 bu sanntach. Madhí in spirad naomh bud béodha deghgnéach 7 bud lan do rath in scribtuir dhiadha. Madhi in tsoillsi bú duine sográdhachsotoghtha.

Se o elemento terrestre prevalecer no homem, ele será indolente. Se for o marinho, ele será inconstante. Se for o solar, será belo, vigoroso. Se forem as nuvens, será superficial, tolo. Se for o vento, será robusto contra todos. Se forem as pedras, será difícil de dominar, um ladrão e cobiçoso. Se for o Espírito Santo, será intenso, de boa aparência e cheio da graça da divina escritura. Se for a luz, será um homem merecedor de amor e sensato.

De: Códice Clarend, vol. XV, fol. 7., p. 1, col. a, manuscrito do Museu Britânico (catalogado como Additional, 4783)

Na Introdução do Senchus Mór (um texto jurídico composto na época de Lóegaire, o último rei pagão da Irlanda) está escrito:

Ina diaig sin Connla Cainbrethach, sui Connacht; do roiscridhe do feraib Erenn i ngais, os e co rath in Spiruta naoim; is é do-gne conflicht na Druidhe, asberddissidhe badur et do dena nem ocus talam ocus muir, 7rl (depois dela veio Connla Cainbrethach, grande sábio de Connacht; ele ultrapassava todos os homens de Ériu em sabedoria, pois era um “file” com a graça do Espírito Santo; ele costumava discutir com os Druidas, que diziam terem feito o céu e a terra e o mar etc.).

O Satapatha Brahmana, texto indiano que descreve detalhes dos ritos védicos, dá as instruções para o Purushamedha (Parte V, 13:6:1 a 13:6:11). Purushamedha significa literalmente “sacrifício humano”. Purusha é o ser humano primordial, um gigante cósmico sacrificado pelos próprios deuses para dar início à criação do universo.

Se os celtas possuíam uma versão do Purusha védico (comparável ao Adam Kadmon, Homem da Terra, da Cabala, ao Ánthropos da Gnose e ao gigante Ymir ou Aurgelmir da mitologia nórdica), isso seria uma explicação possível para o sacrifício humano entre os celtas e para a afirmação dos druidas irlandeses que o Senchus Mór registra: o sacrifício humano reconstitui o ato de criação do universo pelo sacrifício do homem arquetípico, com os sacerdotes desempenhando o papel dos deuses e reencenando periodicamente (ou sazonalmente) a criação do mundo pela morte de uma vítima que representa o gigante do começo dos tempos.

Na concepção indiana do Vedanta, janmādy asya yatah, a verdade absoluta de que tudo emana, tem sua personificação em Purusha, que é pura consciência e contrasta com Prakrti, o mundo material.

Contudo, o Purushamedha védico era originalmente um ato simbólico.

Bellouesus /|\

Kat Godeu (“A Batalha das Árvores”)

Taliesin (“Livro de Taliesin”, 8)kat

Estas são as estrofes que foram cantadas na “Batalha das Árvores”, ou, como outros a chamam, a “Batalha de Achren”, que foi por causa de uma corça branca e de um cachorro; e eles vieram do Inferno e Amaethon ap Don os trouxe. E, portanto, Amaethon ap Don e Arawn, Rei de Annwn, lutaram. E havia um homem nessa batalha: a menos que seu nome fosse conhecido, ele não poderia ser vencido. E e havia uma mulher chamada Achren no outro lado e, a menos que seu nome fosse descoberto, seu exército não poderia ser vencido. E Gwydion adivinhou o nome do homem e cantou as duas estrofes seguintes:

De cascos firmes é meu corcel impelido pelas esporas;
Os altos galhos do amieiro estão em teu escudo;
Bran és chamado, dos ramos brilhantes.

E assim:

De cascos firmes é meu corcel no dia da batalha:
os altos ramos do amieiro estão em tua mão:
Bran, pelo ramo que carregas,
Amaethon, o bom, prevaleceu.

Numa multiplicidade de formas estive
Antes de assumir aspecto consistente.
Uma espada fui, estreita, matizada:
Acreditarei quando for manifesto.
Uma lágrima fui no ar,
Fui a mais sombria das estrelas.
Uma palavra fui entre letras,
Fui um livro na origem.
Dos faróis fui a luz
Um ano e meio.
Fui uma ponte que se prolonga
Sobre três vintenas de fozes.
Fui um percurso, uma águia fui.
Um barco fui nos mares.
Fui um complacente no banquete.
Uma gota fui num aguaceiro.
Fui uma espada no aperto da mão,
Um escudo fui em batalha.
Fui uma corda numa harpa,
Disfarçado por nove anos
Na água, na espuma.
Fui uma esponja no fogo,
Fui madeira na moita.
Não sou aquele que não cantará
Um combate, embora pequeno.
O conflito na batalha das árvores dos ramos.
Contra o Guledig de Prydein
Passaram ali cavalos principais,
Esquadras cheias de riquezas.
Ali passou um animal com grandes mandíbulas,
Nele havia uma centena de cabeças.
E uma batalha foi lutada
Sob a raiz de sua língua
E há uma outra batalha
No orifício de seu olho.
Um negro sapo desajeitado
Com uma centena de garras.
Uma cobra salpicada com crista.
Por causa do pecado, uma centena de almas
Atormentada será em sua carne.
Estive em Caer Fefenir,
De lá se apressaram pastos e árvores.
Menestréis cantavam,
Bandos de guerreiros perambulavam
Na exaltação dos britanos
Que Gwydyon realizara.
Havia um apelo ao Criador,
A Cristo por interesses,
Até o momento em que o Eterno
Libertasse aqueles a quem fizera.
O Senhor respondeu-lhes
Pela linguagem e elementos:
Tomai a forma das árvores principais,
Arranjai-vos em ordem de batalha
E refreai o público
Inexperiente na batalha mão a mão.
Quando as árvores foram encantadas,
Na expectativa de não serem árvores,
As árvores sussurraram suas vozes
De cordas de harmonia,
As disputas cessaram.
Interrompamos dias tristes,
Uma mulher refreou a grande desordem.
Ela chegou totalmente encantadora.
O cabeça da fileira, o cabeça era uma mulher.
A vantagem de uma vaca insone
Não nos faria ceder o caminho.
O sangue dos homens até nossas coxas,
Os maiores dos esforços mentais importunos
Realizados no mundo.
E acabou-se
Por refletir sobre o dilúvio
E sobre o Cristo crucificado
E sobre o dia do julgamento iminente
Os Amieiros, cabeça da fileira,
Formaram a vanguarda.
Os Salgueiros e Sorveiras
Chegaram tarde para o exército.
Ameixeiras, que são raras,
Indesejadas pelos homens,
As esmeradas Nespereiras,
Verdadeiros objetos de disputas.
Os espinhentos arbustos de Rosas
Contra uma multidão de gigantes.
A Framboesa refreou,
O que é melhor falhou
Para a segurança da vida.
A Alfena e a Madressilva
E a Hera na sua frente.
Como o Tojo, para o combate
A Cerejeira foi provocada.
A Bétula, apesar de sua mente elevada,
Atrasou-se antes que ele fosse enfileirado.
Não por causa de sua covardia,
Mas por causa de sua grandeza.
O Liburno tinha em mente
Que tua natureza selvagem era estranha.
Pinheiros no pórtico,
A sede da controvérsia,
Por mim grandemente exaltados
Na presença dos reis,
Os Olmos, com seu cortejo,
Não se afastavam um pé.
Ele lutaria com o centro
E com os flancos e a retaguarda.
Aveleiras, julgou-se
Que amplo era vosso empenho mental.
A Alfena, feliz a sua parte,
O touro da batalha, o senhor do mundo,
Morawg e Morydd
Tornaram-se prósperos em Pinheiros.
Azevinho, ele estava matizado de verde,
Ele era o herói.
O Espinheiro, cercado de ferrões,
Com a dor em sua mão.
O Álamo foi coberto,
Ele foi coberto na batalha.
A Samambaia, que foi saqueada,
A Giesta, na vanguarda do exército, nas trincheiras foi ela ferida.
O Tojo não se saiu bem,
Porém o deixou estendido.
A Urze foi vitoriosa, afastando em todos os lados.
O povo comum ficou encantado
Durante o tempo originando-se dos homens.
O Carvalho, movendo-se rapidamente,
Diante dele estremecem céu e terra.
Um valente porteiro contra um inimigo
Seu nome é considerado.
As Campânulas Azuis combinaram-se
E provocaram uma consternação.
Ao rejeitar, foram rejeitadas
Outras, que foram perfuradas.
As Pereiras, as melhores invasoras
Em tempo de conflito na planície.
Uma lenha muito colérica,
O Castanheiro é acanhado,
O opositor da felicidade.
O jato tornou-se negro,
A montanha tornou-se curvada,
As florestas tornaram-se um forno
Existente outrora nos grandes mares
Desde que foi ouvido o grito:
Os cimos da Bétula cobriram-nos com folhas
E transformaram-nos e mudaram nosso estado enfraquecido.
Os ramos do carvalho apanharam-nos numa armadilha
Do Gwarchan de Maelderw.
Rindo no lado do rochedo,
O senhor não é de uma natureza ardente.
Não de mãe, nem de pai,
Quando eu fui feito
Criou-me o meu Criador
De poderes nove vezes formados,
Do fruto dos frutos,
Do fruto do deus primordial,
De prímulas e florações da colina,
Das flores de árvores e arbustos.
Da terra, de uma trajetória terrena,
Quando eu fui formado
Da giesta e da urtiga,
Da água da nona onda.
Fui encantado por Math
Antes de me tornar imortal,
Fui encantado por Gwydion,
O grande purificador dos britanos,
De Eurwys, de Euron,
De Euron, de Modron,
De cinco vezes cinqüenta homens de ciência,
Mestres, filhos de Math.
Quando a remoção ocorreu,
Eu fui encantado pelo Guledig.
Quando ele estava meio queimado,
Fui encantado pelo sábio
Dos sábios, no mundo primitivo.
Quando tive um ser,
Quando a multidão do mundo estava em dignidade,
O bardo ficou acostumado aos benefícios.
À canção de louvor estou inclinado, que a língua recita.
Eu toquei no poente,
Dormi em púrpura.
Verdadeiramente estava no encantamento
Com Dylan, o filho da onda.
Na circunferência, no meio,
Entre os joelhos de reis,
Dispersando lanças não afiadas
Do firmamento quando vieram
À grande profundeza, dilúvios.
Na batalha haverá
Quatro vintenas de centenas
Que dividirão de acordo com sua vontade.
Eles não são mais velhos nem mais jovens
Do que eu mesmo em suas divisões.
Um milagre, Canhwr nasceu, cada um de novecentos.
Ele estava comigo também,
Com minha espada manchada de sangue.
Foi-me atribuída honra
Pelo Senhor e a proteção estava onde ele estava.
Se eu for aonde o javali foi morto,
Ele comporá, ele se decomporá,
Ele formará linguagens.
O radiante de mão forte, seu nome,
Com um raio ele governa seus números.
Eles se espalhariam numa chama
Quando eu tivesse de ascender.
Fui uma cobra malhada na colina,
Fui uma víbora no Llyn.
Fui um bico encurvado cortante,
Fui uma lança furiosa.
Com minha casula e tigela,
Profetizarei não erroneamente
Quatro vintenas de fumigações
Sobre cada um o que trarão.
Cinco batalhões de braços
Serão apanhados por minha faca.
Seis corcéis de matiz amarelado,
Uma centena de vezes melhor é
Meu corcel amarelo claro,
Rápido como a gaivota marinha,
A qual não passará
Entre o mar e a margem.
Não sou eu proeminente no campo do sangue?
Sobre ele está uma centena de capitães.
Carmim a pedra do meu cinto,
De ouro é a borda do meu escudo.
Não houve ninguém nascido na brecha
Que tenha estado a visitar-me,
Exceto Goronwy
Dos vales de Edrywy.
Compridos e brancos os meus dedos,
Faz muito tempo que fui um pastor.
Viajei na terra
Antes que eu fosse versado no conhecimento.
Viajei, fiz um circuito,
Dormi numa centena de ilhas,
Numa centena de fortalezas habitei.
Vós, inteligentes Druidas,
Declarai a Arthur
O que há mais antigo
Do que eu para eles cantarem.
E um veio
Da reflexão sobre o dilúvio
E do Cristo crucificado
E do dia do julgamento futuro.
Uma gema dourada numa jóia dourada.
Sou esplêndido
E ficarei livre
Da opressão dos ferreiros.

Tradução: Bellouesus /|\

O Mabinogi

Que é o Mabinogi?

O título Mabinogion foi usado pela primeira vez por Lady Charlotte Guest em sua tradução de doze contos medievais galeses publicada entre 1838 e 1849.

A forma Mabinogion surge no fim do conto Pwyll, Príncipe de Dyfed (Ac yuelly y teruyna y geing hon yma o’r Mabynnogyon, “Aqui termina este ramo do Mabinogion”, frase que também encerra os demais Ramos), mas, comumente, admite-se que o sentido do termo mabinogi, na origem significando apenas “infância”, tenha depois sido ampliado para abranger um conto sobre a infância de um herói em geral. Mabinogion seria o plural de mabinogi.

Antes das traduções de Lady Guest, somente os quatro primeiros dentre os doze contos eram conhecidos como Pedeir Ceinc y Mabinogi, “Os Quatro Ramos do Mabinogi”. Desde então, a palavra Mabinogion tem sido usada como um termo conveniente para designar todos os contos, com exceção de Hanes Taliesin, “A História de Taliesin”.

Os textos anônimos foram preservados no “Livro Branco de Rhyderch” (Llyfr Gwyn Rhydderch), escrito entre 1300 e 1325, e no “Livro Vermelho de Hergest” (Llyfr Coch Hergest), escrito entre 1375 e 1425, embora fragmentos desses contos já tenham sido encontrados em manuscritos do séc. XIII e acredite-se que tenham existido muito antes sob a forma oral. A questão da data de composição do Mabinogi é importante, pois pode demonstrar que é anterior à “História dos Reis da Grã-Bretanha” (Historia Regum Britanniae) de Geoffrey de Monmouth, sendo a evidência de que o folclore e a cultura galeses seriam muito mais antigos e resistentes.

O Mabinogi, desconhecido fora de Gales até a época de Lady Charlotte Guest, é uma parte da longa, consistente e gloriosa tradição da poesia galesa que merece ser melhor conhecida. Mesclada em seu contexto está a magia dos druidas, esses misteriosos “sacerdotes” célticos que mantinham as antigas tradições e fizeram com que o Mabinogion sobrevivesse à conquista saxônica e ao triunfo do cristianismo alcançado pela igreja romana e, depois, pela anglicana.

As lendas do Mabinogi

O Mabinogi propriamente dito consiste de quatro lendas, também chamadas “Os Quatro Ramos do Mabinogi”. Essas lendas são:

1. Pwyll, Príncipe de Dyfed (Pwyll, Pendeuic Dyuet, Primeiro Ramo): durante uma caçada, Pwyll encontra Arawn (“Língua Prateada”), Senhor de Annwn (o Outro Mundo da tradição céltica) e, como compensação por um insulto não intencional, oferece-se para trocar de lugar com Arawn e lutar contra seu inimigo Hafgan (“Verão Branco”). Pwyll passa um ano sob a forma de Arawn e ganha sua amizade graças a suas boas maneiras e pelo sucesso em sobrepujar Hafgan, assim obtendo o título de Penannwn (“Senhor de Annwn”). Ele se casa com Rhiannon, mas somente depois de derrotar Gwawl, o antigo pretendente. O casal vive feliz até o nascimento de Pryderi.

2. Branwen, Filha de Llyr (Branwen uerch Lyr, Segundo Ramo): Branwen casou-se com Matholwch, rei da Irlanda, e deu à luz Gwern, mas os irlandeses, que tinham sofrido um grave insulto feito por Efnyssien, meio-irmão de Branwen, quando a comitiva de Matholwch estava na Grã-Bretanha, vingaram-se obrigando Branwen a servir na cozinha do castelo, onde era agredida pelo cozinheiro. Ela criou um pássaro e enviou uma mensagem a Bran, seu irmão, rei da Grã-Bretanha, que veio com um frota para resgatá-la. Efnyssien lançou Gwern numa fogueira e seguiu-se uma batalha entre britanos e irlandeses; ela morreu de tristeza e foi supultada num “túmulo de quatro lados” nas margens do rio Alaw, em Anglesey. Seu mito, que tem uma forte semelhança com o de Cordélia, filha de Lear, é um tipo de Soberania, como fica óbvio quando sua história é investigada com profundidade. Quanto à Irlanda, ficaram vivas na ilha somente cinco mulheres grávidas, cujos filhos foram os fundadores dos Cinco Reinos.

3. Manawyddan, Filho de Llyr (Manawydan uab Llyr, Terceiro Ramo): Manawyddan ap Llyr é mencionado no conto Culhwch e Olwen como um seguidor de Arthur, mas, originalmente, é um deus marinho que corresponde ao irlandês Mánannan mac Lir. No Mabinogion, é irmão de Bendigeid Fran (“Bran, o Abençoado”), ficando sem terras depois da morte deste e tornando-se marido de Rhiannon. Ajudou a quebrar os encantamentos lançados por Llwyd sobre Dyfed como vingança pelo tratamento violento dado a Gwawl por Pwyll, primeiro marido de Rhiannon. Manawyddan é um homem engenhoso e um mestre artesão, capaz de ganhar seu sustento enquanto a terra está enfeitiçada. Como instrutor e homem de poder, ele fica no lugar do pai de Pryderi e herda as qualidades de Pwyll.

4. Math, Filho de Mathonwy (Math uab Mathonwy, Quarto Ramo): o filho de Mathonwy é tio de Gwydion, Gilfaethwy e Arianrhod e irmão de Penardun. Ele era onisciente, possuindo, entre outras habilidades, o estranho dom de ouvir tudo que era dito em seus domínios tão logo as palavras fossem transportadas pelos ventos. Era muito sábio, um grande rei. Neste conto, ele somente pode viver enquanto seus pés estiverem no colo de uma virgem, Goewin, a não ser em tempo de guerra. Como Gwydion provoca uma guerra entre Math e Pryderi, Math deixa-a temporariamente, sendo Goewin violada por Gilfaethwy, que nutria por ela uma paixão secreta. Para aliviar a vergonha da jovem, Math casa-se com ela e pune seus sobrinhos, Gilfaethwy e Gwydion, transformando-os em vários animais. É com a ajuda de Gwydion que Math cria Blodeuwedd com flores como noiva para Llew Llaw Gyffes, seu sobrinho-neto.

Sete outros contos foram associados aos Quatro Ramos:

O Sonho de Macsen Wledig: um imperador romano, Magnus Maximus (383-388 d. C.), conhecido na tradição galesa como Macsen Wledig. Geoffrey de Monmouth, que o chama Maximianus, diz que ele fez de Conan Meriadoc o governante da Bretanha Menor, na atual França. Neste conto, o imperador sonha com uma mulher desconhecida por quem fica apaixonado. Por fim, mensageiros finalmente informam que esta realmente existe em Cymru (Gales), de forma que Macsen deixa Roma para casar-se com ela. Seu nome é Elen. O Maximus histórico, subjacente à lenda, realmente serviu na Grã-Bretanha, mas levou muitas tropas da ilha em sua luta contra Gratianus, imperador do Ocidente, assim deixando a Grã-Bretanha sem proteção. Traços dos fatos permanecem nas lendas: os galeses retiveram seu nome, que aparece em várias genealogias de famílias nobres como uma conexão imperial. Os soldados romanos que partiam tomaram esposas estrangeiras, mas, conta a lenda, cortaram suas línguas para que não pudessem corromper o idioma britânico de seus filhos. Vemos assim como é antiga e poderosa a devoção dos Cymry (galeses) a sua linguagem.

Lludd e Llefelys: Lludd é filho de Beli e irmão de Llefelys. Foi o rei da Grã-Bretanha que reconstruiu a cidade de Londres, cujo nome vem do rei: Caer Lludd, Caer London. Três pragas caíram sobre a ilha: uma raça chamada Coranianos (genedyl y Coraneit, “a raça dos Coranianos”), que podia saber tudo que era dito; um grito que era ouvido a cada Véspera de Maio e que fazia murcharem as lavouras, matava os animais e crianças e deixava as mulheres estéreis e o desaparecimento dos mantimentos do rei. Lludd procurou conselhos junto a seu irmão, Llefelys, que lhe disse que os Coranianos seriam vencidos depois de beberem uma infusão de insetos esmagados em água; que o grito era provocado por dragões que seriam vencidos depois de se embebedarem com hidromel forte, sendo necessário enterrá-los exatamente no centro da Grã-Bretanha, e que o ladrão das provisões era um homem de poder capaz de lançar um feitiço de sono sobre a corte e, então, roubar toda a comida. Lludd venceu as três pragas e a paz da ilha foi restabelecida.

Culhwch e Olwen: Culhwch é o filho de Celyddon Wledig e sobrinho de Arthur. Sua mãe, Goleuddydd (“Dia Brilhante”), deu-o à luz depois de ficar apavorada com a visão de uma vara de porcos, de modo que ele foi chamado Culhwch, ou “Chiqueiro”. Seu pai casou-se outra vez depois da morte de Goleuddydd. A madrasta de Culhwch lançou um feitiço sobre ele para que não pudesse casar-se senão com Olwen (“a dos rastros brancos”), filha de Yspaddaden Pencawr (“espinheiro, chefe dos gigantes”), o gigante. Na corte de Yspaddaden, Culhwch recebeu trinta e nove anoethu ou tarefas impossíveis, que deveriam ser cumpridas antes de casar-se com Olwen, todas as quais foram cumpridas com a ajuda dos cavaleiros de Arthur. A principal tarefa era caçar o Twrch Trwyth, um javali gigante, para o que seria necessário o auxílio de vários cavalos específicos, cães de caça e homens, incluindo Mabon, o jovem miraculoso, cujo encontro é narrado nesse conto. Outras missões incluem a viagem de Arthur ao Outro Mundo para obter alguns dos Objetos Sagrados, ou Treze Tesouros da Grã-Bretanha – um feito que é também relatado num poema galês do séc. IX, o Preiddeu Annwn, “Espólios de Annwn”, atribuído ao bardo Taliesin. O poder de Yspaddaden é vencido e Culhwch casa-se com Olwen.

O Sonho de Rhonabwy: Rhonabwy adormece a sonha que Arthur e Owain estão jogando gwyddbwyll (um jogo de tabuleiro céltico) ante um campo de batalha. Durante o jogo, os cavaleiros de Arthur lutam com os corvos de Owain, mas os jogadores apenas continuam com seu passatempo, até que Arthur, impaciente por começar a perder, esmaga as peças. O jogo talvez simbolizasse uma batalha pela soberania.

Os contos “Culhwch e Olwen” e “O Sonho de Rhonabwy” despertaram o interesse dos estudiosos por preservarem tradições mais antigas do que o material arturiano. A narração de “O Sonho de Macsen Wledig” é uma história romântica sobre o imperador romano Magnus Maximus.

Três dos contos são versões galesas de romances arturianos que também aparecem no trabalho de Chrétien (ou Chréstien) de Troyes. Os críticos do séc. XIX acreditavam que os contos baseavam-se nos próprios poemas de Chrétien, mas as opiniões mais recentes inclinam-se a afirmar que as duas coleções são independentes, mas têm um ancestral comum:

A Dama da Fonte: Owain, inspirado pelo conto de Cynon (na tradição galesa, o filho de Clydno – um dos guerreiros de Arthur – e amante de Morfudd, irmã gêmea de Owain), sai em busca do Castelo da Fonte, que era guardado pelo Cavaleiro Negro. Ele atravessou o mais belo vale e viu um brilhante castelo numa colina. Depois de entrar nesse lugar sobrenatural, Owain derrota o Cavaleiro Negro e casa com sua viúva. Após um começo difícil, ele vence seu ressentimento e guarda o reino até que sua sede por aventuras o faz partir, deixando para trás a esposa. Dama da Fonte é também o título da condessa misteriosa no Yvain, de Chrétien de Troyes.

Peredur, Filho de Efrawg: na mitologia galesa, Peredur era o sétimo filho de Efrawg e o único do sexo masculino a sobreviver. Seu pai e irmãos morreram antes que ele atingisse a maioridade. Isso não impediu Peredur de tornar-se um dos cavaleiros de Arthur e suas muitas aventuras formaram a base para o Sir Percival posterior. Talvez por causa de sua posição como sétimo filho, Peredur era particularmente adepto de matar bruxas, que, em Gales, compareciam ao campo de batalha trajando armaduras completas. No fim de seu conto no Mabinogion, Peredur enfrenta a “líder das bruxas” e, com sua espada, rompe elmo e armadura em duas partes, enquanto as demais feiticeiras fogem.

Gereint, Filho de Erbin: Gereint é o rei de Dumnonia (reino que, no, período pós-romano, abrangia Devon, a Cornualha e outras áreas do sudoeste da Inglaterra) cujas aventuras são contadas nesta narrativa. No romance francês, o herói deste conto é Erec, mas, como este não é comumente conhecido em Gales, substituíram-no por Gereint. Este pode ser uma figura histórica, um primo de Arthur. Embora seja listado como contemporâneo desse rei, pode ter pertencido a uma geração anterior, pois o conto “O Sonho de Rhonabwy” diz que Cadwy, seu filho, era um contemporâneo de Arthur. O nome do pai de Gereint é citado como Erbin, mas, na Vida de São Cyby, Erbin é chamado seu filho. Em Culhwch e Olwen, encontramos os nomes de dois de seus irmãos, Ermid e Dywel. Gereint, suspeitando que sua esposa é infiel, força-a a acompanhá-lo numa exaustiva jornada de aventuras para testar seu amor e obediência a cada passo do caminho. Como outras fortes heroínas célticas, ela suporta calmamente sua provação, permanecendo leal e amorosa durante todo o tempo. Gereint finalmente sentiu “duas tristezas”, do remorso por ter desconfiado de sua esposa e por tratá-la tão mal.

Lady Guest também incluiu em sua tradução um oitavo conto (removido das traduções inglesas posteriores, que, no entanto, continuam a usar o termo Mabinogi), não encontrado nem no “Livro Branco de Rhyderch”, nem no “Livro Vermelho de Hergest”, mas em um manuscrito do séc. XVII:

Taliesin: seu nome significa “Testa Brilhante”. Foi um bardo galês e, de acordo com o mito, a primeira pessoa a adquirir a habilidade da profecia. Em uma versão da história, ele é o servo da feiticeira Cerridwen, uma deusa da fertilidade, mãe de Afagddu, o homem mais feio do mundo, e chamava-se Gwion Bach. Cerridwen preparava uma beberagem mágica que, depois de um ano fervendo, produziria três gotas que dariam a quem as bebesse toda a sabedoria do mundo. Essa pessoa conheceria todos os segredos do passado, do presente e do futuro. Ela queria dá-las a Afagddu como compensação por sua feiúra. Enquanto Gwion Bach cuidava do fogo sob o caldeirão, uma parte do líquido quente caiu em seu dedo e ele a sorveu ao sentir a dor. Eram as três gotas da sabedoria. Todo o líquido restante era veneno. A furiosa Cerridwen empregou todos os seus poderes mágicos para perseguir o menino. Durante a caçada, ele se transformou numa lebre, num peixe e num grão de trigo, que Cerridwen, metamorfoseada em galinha, engoliu, descobrindo-se então grávida. Mais tarde, Gwion, renascido de Cerridwen, foi jogado ao mar e apanhado numa armadilha para peixes, quando passou a chamar-se Taliesin por causa de sua testa brilhante.

Os “Quatro Ramos” são, essencialmente, histórias medievais e seus personagens comportam-se, falam e vivem de modo muito semelhante a sua audiência do séc. XIV. Suas maneiras são (em geral) corteses e refinadas, invocam freqüentemente o deus cristão e suas roupas incluem brocados, sedas, toucados e outros itens medievais. Contudo, ainda que sejam produto de uma sociedade cristã da Idade Média, os Quatro Ramos baseiam-se também numa visão de mundo profundamente pagã, proveniente de tradições e crenças das culturas neolíticas e da Idade do Bronze, bem como da Idade do Ferro céltica e da era romano-britânica.

O Mabinogi é verdadeiramente uma peça encantadora da literatura galesa, que abre caminho a fantásticas narrativas dramáticas capazes de encher a mente do leitor com a vibrante e imaginativa natureza do povo céltico. As duras realidades históricas são transformadas por uma sensibilidade sonhadora, que submete a mente com um imaginário antigo e primitivo, verdadeiro para a percepção mítica dos celtas.

Bellouesus /|\

Os Espólios de Annwfn

Livro de Taliesin, 30

Louvarei o soberano, supremo rei do país,
Que ampliou seus domínios até os confins do mundo.
Completo estava o cativeiro de Gweir em Caer Sidi
Graças à malícia de Pwyll e Pryderi.
Ninguém antes dele chegara até lá.
A pesada corrente azul prendia o jovem fiel
E ante os espólios de Annwn dolorosamente ele canta
E até o julgamento continuará um bardo de intercessão.
Três vezes o bastante para encher Prydwen, até lá fomos.
Exceto sete, ninguém voltou de Caer Sidi.

Não sou eu um candidato à fama se uma canção for ouvida?
Em Caer Pedryfan, quatro os seus giros.
Na primeira palavra do caldeirão, quando pronunciada,
Pelo alento de nove donzelas foi ele gentilmente aquecido.
Não é o caldeirão do senhor de Annwn? Qual sua intenção?
Uma saliência sobre sua borda de pérolas.
Não cozinhará a comida de um covarde que não tenha sido jurado,
Cintilando, uma espada brilhante para ele foi erguida
E na mão de Lleminawg foi ela deixada.
E diante da entrada do portal de Uffern a lâmpada queimava.
E quando chegamos com Arthur, um trabalho esplêndido,
Exceto sete, ninguém retornou de Caer Fedwyd.

Não sou um candidato à fama com a canção ouvida
Em Caer Pedryfan, na ilha da forte porta?
O crepúsculo e a escuridão de breu foram misturados juntos.
Brilhante vinho sua bebida ante o seu séquito.
Três vezes o bastante para encher Prydwen viemos pelo mar.
Exceto sete, ninguém voltou de Caer Rigor.

Não merecerei muito do soberano da literatura.
Além de Caer Wydyr não viram a bravura de Arthur.
Três vintenas de centúrias pararam no muralha,
Difícil era a conversa com seu sentinela.
Três vezes o bastante para encher Prydwen lá fomos com Arthur.
Exceto sete, ninguém voltou de Caer Golud.

Não merecerei muito daqueles com longos escudos.
Eles não sabem qual o dia, qual o causador,
Em que hora no dia sereno Cwy nasceu.
Quem fez com que ele não fosse aos vales de Defwy.
Não conhecem o boi malhado, larga a faixa de sua cabeça.
Sete vintenas de saliências em sua coleira.
E, quando viemos com Arthur de aflita memória,
Exceto sete ninguém retornou de Caer Fandwy.

Não merecerei muito daqueles com propensões relaxadas.
Eles não sabem em que dia o chefe foi originado,
Em que hora no dia sereno o proprietário nasceu,
Qual animal eles mantêm, prateada sua cabeça.
Quando fomos com Arthur do aflito combate,
Exceto sete, ninguém voltou de Caer Ochren.

Monges congregam-se como cães num canil,
Pelo contato com seus superiores adquirem conhecimento.
É um o curso do vento, é uma a água do mar?
É uma a centelha do fogo, do tumulto irrestringível?
Monges congregam-se como lobos,
Pelo contato com seus superiores adquirem conhecimento.
Eles não sabem quando a noite profunda e a aurora se dividem,
Nem qual é o curso do vento, ou quem o agita,
Em que lugar ele morre, sobre qual terra ruge.
A tumba do santo está sumindo do túmulo-altar.
Orarei ao Senhor, o grande supremo,
Que eu não seja desventurado. Cristo seja minha parte.

Tradução: Bellovesos /|\

Kerd Veib am Llyr (Canção ante os Filhos de Llyr)

Kerd Veib am Llyr (Llyfr Taliesin XIV)

Golychafi gulwyd arglwyd pop echen.
Arbenhic toruoed yghyoed am orden.
Keint yn yspydawt uch gwirawt aglawen.
Keint rac meibon llyr in ebyr henuelen.
Gueleis treis trydar ac auar ac aghen.
Yt lethrynt lafnawr ar pennawr disgowen
Keint rac wd clotleu. Yn doleu hafren.
Rac brochuael powys a garwys vy awen.
Yn ewyd am antraet gwaet ar dien.
Neut amuc yggkadeir opeir kerritwen.
Handit ryd vyn tafawt yn adawt gwawt ogyrwen.
Gwawt ogyrwen oferen twy digones
Arnunt a llefrith a gwlith a mes.
Ystryeim yn llwyr kyn clwyr cyffes.
Dyfot yn diheu agheu nessnes.
Ac am tired enlli dybi dylles.
Drychawr llogawr ar glawr aches.
A galwn arygwr an digones.
An nothwy rac gwyth llwyth aghes.
Pan alwer yeys von tiryon vaes.
Gwyn en byt wy gwleidon saesson artres.
Dodwyf deganhwy y amrysson.
A maelgwn uwyhaf y achwysson.
Ellygeis vy arglwyd yggwyd deon.
Elphin pendefic ryhodigyon.
Yssit imi teir kadeir dyweir kysson.
Ac yt vrawt parahawt gan gerdoryon.
Bum ygkat godeu gan lleu agwydyon.
Vy arithwys gwyd eluyd ac elestron.
Bum y gan vran yn Iwerdon.
Gweleis pan ladwyt mordwyt tyllon.
Kigleu gyfarfot am gerdolyon.
A gwydyl deifyl diferogyon.
O penren wleth hyt luch reon.
Kymry yn wnvryt gwrhyt wryon.
Gwret dy gymry ygkymelri.
Teir kenedyl gwythlawn o iawn teithi.
Gwydyl abrython aromani.
A wnahon dyhed adyuysci.
Ac am teruyn prydein kein y threfi.
Keint rac teyrned uch med lestri.
Ygkeinyon deon im aedyrodi.
An dwy pen sywet ket ryferthi.
Ys kyweir vyg kadeir ygkaer sidi.
Nys plawd neb heint a heneint a uo yndi.
Ys gwyr manawyt aphryderi.
Teir oryan y am tan a gan recdi.
Ac am y banneu ffrydyeu gweilgi.
Ar ffynnhawn ffrwythlawn yssydd o duchti.
Ys whegach nor gwin gwyn y llyn yndi
Agwedy ath iolaf oruchaf kyn gweryt
Gorot kymot athi.

Canção ante os Filhos de Llyr (Livro de Taliesin, 14)

Adorarei o Senhor de toda gente, que espalha o amor,
O soberano de multidões que evidentemente circunda o universo.
Uma contenda no festim por causa de uma bebedeira sem alegria,
Um combate contra os filhos de Llyr em Ebyr Henfelyn.
Vi a tirania do distúrbio e a raiva e a tribulação,
Cintilavam as espadas nos elmos resplendentes,
Contra Brochwel de Powys, que amava minha inspiração.
Cedo, uma batalha na aprazível rota contra Urien,
Caiu ali a nossos pés o sangue na carnificina.
Não será meu trono protegido pelo caldeirão de Carridwen?
Possa minha língua estar livre no santuário do louvor de Gogyrwen.
O louvor de Gogyrwen é uma oferenda que os satisfez
Com leite e orvalho e bolotas de carvalho.
Reflitamos profundamente, antes que seja ouvida a confissão,
Que a morte se está mais e mais aproximando.
Ao redor das terras de Enlli, o Dyfi precipitou-se,
Os barcos erguendo na superfície da campina.
Chamemos por aquele que nos fez
Para que nos proteja da fúria de uma nação estrangeira.
Quando a ilha de Mona for chamada um agradável campo,
Venturosos sejam os de alma gentil, dos saxões tormento.
Vim a Deganwy para contender
Contra Maelgwn, o maior em delitos,
Libertei meu senhor na presença do Distribuidor.
Para mim há três assentos concordantes, harmoniosos,
E até o julgamento com os cantores permanecerão.
Estive na Batalha das Árvores com Lleu e Gwydion,
Eles mudaram a forma das árvores e arbustos fundamentais.
Estive com Bran na Irlanda.
Vi quando Morddwydtyllion foi morto.
Ouço uma reunião à volta dos menestréis
Com gaélicos, demônios e alambiqueiros.
De Penryn Wleth a Loch Reon
São os galeses de uma só alma, audazes heróis.
Três raças, cruéis por natural tendência,
Gaélicos, britanos e romanos,
Criam discórdia e confusão.
E perto dos limites de Prydein, belas suas cidades,
Há uma luta contra os chefes por cima das garrafas de hidromel,
Nos festejos do Distribuidor, que dons me concedeu.
Dádivas notáveis os principais astrólogos receberam.
Perfeito está meu trono em Caer Sidi,
Ninguém que lá esteja será afligido por doença ou velhice.
Manawyddan e Pryderi o sabem.
À volta do fogo, três sussurros diante dele cantará
E ao redor de suas margens estão as torrentes do oceano.
E a fonte fecunda está acima dele,
A bebida é mais doce que o vinho branco.
E quando Te houver adorado, Altíssimo, ante a verde terra
Seja eu encontrado em aliança contigo.

Tradução: Bellouesus /|\