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Do Fallsigud Tána Bó Cuailnge (A Descoberta do “Táin Bó Cúailnge”)

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Concomgarthá trá filid Herend do Senchán Torpeist dús in ba mebor leo Táin Bó Cualngi inna ógi, ocus asbertatarnad fetar di ach bloga nammá. Asbert iarum Senchán ria daltu dús cia díb no ragad ara bennacht i tíre Letha do foglaim na Tana berta in suí sair dar éis in chulmeinn.

Assim, os poetas de Ériu foram convocados por Senchán Torpeist para descobrir-se se recordavam-se do Táin Bó Cúailnge em sua totalidade e disseram que dele não sabiam senão fragmentos. Senchán, então, disse a seus discípulos que escolhessem quem dentre eles partiria, tendo sua benção como recompensa, à terra de Letha [Letavia, isto é, a Bretanha Menor] para aprender o Táin que o sábio levara para o leste em troca pelos Cuilmenn [as Etymologiae de Isidorus Hispalensis]

Dolluid Emine hua Ninene & Murgen mac Sencháin do thec sair, iss ed dollotar do fertai Fergusa meic Róig ocus sech a liic Énloch la Connachta. Suidid Murgein a oenur oc liic Fergusa, oc luid cách úad do chungid taige oiged dóib colléic. Gabais Murgen tlaíd don lííc amal bid Fergus fessin adgladad, a n-asbert riss iarum.

Emine, neto de Ninene, e Murgen, filho de Senchán, partiram nessa jornada para o leste, durante a qual atingiram o túmulo de Fergus mac Róich e encontraram sua pedra sepulcral em Énloch entre os homens de Connacht. Murgen sentou-se sozinho junto à pedra de Fergus e, enquanto isso, cada um deles partiu em busca de uma casa para hospedar-se. Murgen, dessse modo, começou a cantar como se estivesse dirigindo-se ao próprio Fergus, quando então lhe disse:

Manib do liic luaich-thech malgel ma Róig rofessin fechtaib co n-éicsib imman immanachta laithiu bruidin bé Cuailngi in cech follus a Fergus.

“A não ser que tua pedra seja uma casa preciosa, ó famoso, nobre filho de Róech, terei encontrado aventuras com poetas, rebanhos sendo saqueados, dias de desafio, uma mulher de Cuailnge; tudo declara, ó Fergus.”

La sodain forrubai in ceó mór imbi connach fúair a muntir co cend tri laa ocus tri n-aidche, ocus dolluid a dochum iarum: intí Fergus, fo chongraimimm chain .i. brat uanide; léine chulpaitech co nderggintliud; claideb órduirn; maelassai chredumai; folt dond fair. Adfét Fergus dó iarum in Táin uili amal doringned othossuch co dead (asberat alaili im is do Senchan adchoas iar troscud fri noebu síl Fergusa, ocus nibo machthad cid samlaid no beth).  Tiagait uli co Senchan iarum ocus adfiadat a n-imthechta dó ocus ba buidechside díib iarum dano.

Com isso, uma grande névoa envolveu-o, de forma que seus companheiros não puderam vê-lo até se passarem três dias e três noites e então ele aproximou-se deles, o próprio Fergus, formosa sua aparência: uma camisa com capuz, ornada com bordados vermelhos; uma espada com punho de ouro; calçados com peças de bronze; uma farta cabeleira castanha. Fergus narrou-lhes o Táin inteiro, tal como acontecera, do começo ao fim. Outros dizem que o Táin foi contado a Senchán depois de jejuar contra santos da linhagem de Fergus e não seria nada surpreendente se assim tivesse acontecido. Todos vão até Senchán então e contam-lhe sobre suas andanças e ele ficou assim satisfeito ao escutá-los.

Is héseo turem remscéla Tána Bó Cualngi .i. a dó déc .i.

Estes são os contos introdutórios (remscelá) ao Táin Bó Cúailnge que são narrados, todos os doze:

De Gabáil in tsíd.
De Aslingi in Meic Óic.
De chophur na da Muccida.
De Tháin Bó Regamain.
De Echtra Nerai.
De Chompirt Chonchobuir.
De Thochmurc Ferbae
De Chompirt Con Culaind.
De Thain Bó Flidais.
De Thochmurc Emiri.

A Conquista do Monte Encantado
O Sonho do Mac Óc
A Querela dos Guardadores de Porcos
O Ataque às Vacas de Regamon
A Aventura de Nera
O Nascimento de Conchobur
A Corte a Ferb
O Nascimento de Cú Chulaind
O Ataque às Vacas de Flidais
A Corte a Emer

Atberat dano is di remscelaib de thecht Con Culainddo thaig Culaind cherdda, de gabail gascid do Choin Chulaind, ocus dia dul i carpat. dia luid Cú Chulaind do Emain Macha cosna maccu, acht is i curp na Tána adfiadtar na tri sceóil dedenchasa.

Alguns dizem que os contos introdutórios incluem a ida de Cú Chulaind à casa de Culan, o ferreiro, a tomada de armas por Cú Chulaind e sua viagem num carro de guerra e quando Cú Chulaind foi aos garotos em  Emain Macha, porém é no corpo do Táin que essas histórias são contadas.

Fonte: Lebor Laignech (“Livro de Leinster”, c. 1160, texto datado do séc. IX)

Tradução: Bellouesus /|\

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O Sonho de Óengus

oengus

Aislingi Oengusai innso
O Sonho de Óengus aqui

I

Bui oengus hindaidqi naile inachotlud confacca ni hinningin chuici arcrannsiuil do. Issi issailldem rombui indhere. Luid oengus do gabail allaimiu diatabairt chuicci ina imda. Connfacco ni foscenn uád opunn ni confidir cia aralaid huad. Bui ann coharauaruch. nipoo slan laiss amenmu. Dogeni galar ndo indelb atconnuirc cinaaccalluib. Ni conluid biud inaueolui. Bui ann doagad dono aitherruch. Confacco timmpan ina laim issbinnium bui. Sinnid ceul do contuil friss. Biid ann coharobaruch Nicho roproinn dono arauharuch.

Certa noite, Óengus (1) estava adormecido quando viu algo semelhante a uma jovem que se aproximava da cabeceira de sua cama e era ela a mais bela mulher de Ériu (2). Ele tentou pegar sua mão e puxá-la para sua cama, porém, ao recebê-la, ela subitamente desapareceu sem que ele soubesse quem a levara. Ele permaneceu na cama até a manhã. Contudo, sua mente estava agitada: a forma que vira, mas com que não havia falado, estava deixando-o aflito. Alimento algum entrou em sua boca nesse dia. Ele aguardou até o anoitecer e viu então um saltério na mão dela e ela tocou para ele até adormecer. Assim ele permaneceu por toda a noite e, na manhã seguinte, nada comeu.

II

Bliadain lain do 7 si ocaaithidig fonseol sin. con docorustar hisercc. Ni connebuirt frianech. Foceird iarum 7 nifitir nech cid rot mbui. Doeccmalldur lege herinn. Ni confetatarsin cid rombui hissennath. Etha cofergne liaig conchobuir. Dotetside chuicce. Atngneadsin inaghad hinduine ingalur nombid fair ocus adgnied dindied notheche dintich allin nombid conngalar ann. Atgl adustair forleith ate nibeoga do imtecto olfergne sercc tecmuis rotcaruis. Adruimiduir mogalur form oroengus. adrochart imdrochcraide. ocus nirolamuir nech aepert frianech. Is fir deid oroengus domfainicc ingin alluinn incrothusa issailldem. indherea connecuscc derrscaithe. Timpan inallaim conidsennud dam cachnaidqi. Ni ba olfergne rotogad duitt cairdius frie. 7 fuiter uait cusinmbouinn codmadair cotuchuid dotaccalluim. Tiagar chuicce. Tic iarum anboann. Bui ogfrepad infiursi olfergne donfainicc galar nainches.

Passou-se um ano inteiro e ela continuou a visitar Óengus, de modo que este apaixonou-se por ela, mas não o disse a ninguém. Caiu então doente, mas ninguém sabia o que o afligia. Os médicos de Ériu reuniram-se, mas não puderam descobrir o que estava errado. Convocaram então Fergne, o médico de Conchobur (3), e Fergne veio. Este podia dizer pelo rosto de um homem qual era a doença, assim como podia dizer pela fumaça de uma casa quantos enfermos havia ali dentro. Fergne examinou Óengus separadamente e disse-lhe: “Nada encontro, mas é o amor que está ausente.” “Adivinhaste minha moléstia”, disse Óengus. “Foi no coração que adoeceste”, disse Fergne, “e não ousaste contá-lo a ninguém.” “É verdade”, disse Óengus. “Uma jovem veio a mim. Suas formas eram as mais belas que jamais vi e excelente o seu aspecto. Em sua mão havia um saltério e ela tocava para mim a cada noite.” “Não importa”, disse Fergne, “o amor por ela tomou conta de ti. Enviar-te-emos a Bóand (4), tua mãe, para que ela venha e fale contigo.”

III

Adfiadot ascéla donbouinn. Bid oc frecor ceill diamathuir olfergne donanicc galar nainches 7 timcillter huait herea huli duss indetar huait ingin incrothaso atconnarc domac. Bid hocsuidiu cocenn mbliadna. Nicon frith ni cossmuil di. IS iarsin congairther fergnie doib aitherruch. Nicon frith cobair issin niso olbounn. Aspertt fergne fuiter cusindagdo tuidecht doaccallaim amaicc. Tiagar gusindagdo. Ticcside aitherruch. Cid dianom congrad. doairle domicc arinbounn. IS ferr duit achobair. Is liach adolu himugu. Ataasircc. rochar sercc tecmuis 7 niroachuir achobuir. Ciatorbo moaccalluim orindagdu nimo moeulus anda thaisi. Mo ecin orfergne isstu riside nerinn 7 tiagar uaib cobodb risidi muman ocusisdeilm aeolus laherinn huili.

Chamaram Bóand e ela veio. “Fui chamado para ver este homem, pois uma enfermidade misteriosa o havia tomado”, disse Fergne e contou a Bóand o que acontecera. “Que sua mãe cuide dele”, disse Fergne, “e que busque por toda Ériu até encontrar a forma que seu filho viu.” Realizou-se a busca durante um ano, porém não se encontrou ninguém semelhante à jovem. Assim, Fergne foi novamente chamado. “Não se encontrou remédio nenhum para ele”, disse Bóand. “Chamai então o Dagda (5) e que ele venha e fale a seu filho”, disse Fergne. O Dagda foi convocado e veio, perguntando: “Por que fui chamado?” “Para aconselhares teu filho”, disse Bóand. “É justo que o ajudes, pois sua morte seria uma lástima. A ausência do amor dominou-o e não se encontrou para ele remédio algum.” “Por que mo dizeis?”, perguntou o Dagda. “Não é maior que o vosso o meu conhecimento.” “Certamente é”, disse Fergne, “pois és o rei dos Síde (6) de Ériu. Manda emissários a Bodb (7), pois ele é rei do Síd de Mumu (8) e seu conhecimento espalha-se por toda Ériu.”

IV

Etha cosuidiu. Feruidside failti friu. Fochenn doib olbodb amuinnter indagdo. Ised doroachtmar. Scélai lib arbodb. Est linniu Oengus mac indagdai hisiurcc dibliadna. Cidtas orbodb. Atconnuircc ingin inaco tlud. Niconfetamur indhereo ciahairm ata indingin rochar 7 atconnuirc. Timarnath duit ondagdo concomthastar huait fondherin ingen incrothusai 7 indecuisc. Conniastar albodb et ethar dal mbliadna friumb cofeissiur fisscél. Dolluid cinn mbliadna cotech mboidb cosid fer femoin. Toimchiullu hereo hule cofuair indingen acloch bel draccon occruitt cliach Tiagair uadib dochum indagdo. Fertair failte friu. Scéla lib orindagdo. Scela maithe fofrith indingin incruthso asrubartait. Timarnad duit obodb. Toet ass oengus linni adochum dus indaithnge indingin condoacathar.

Mensageiros foram então enviados a Bodb e foram bem recebidos. Bodb disse: “Bem-vindos, enviados do Dagda.” “Para isso viemos”, eles responderam. “Tendes notícias?” Bodb perguntou. “Temos: Óengus, o filho do Dagda, está há dois anos apaixonado” eles responderam. “Como se deu isso?”, Bodb perguntou. “Ele viu uma jovem em seu sono”, eles disseram, “mas não sabemos onde pode ela ser encontrada em Ériu. O Dagda pede que procures em toda Ériu por uma moça de sua forma e aparência.” “Essa busca será feita”, disse Bodb, “e será realizada por um ano, para que eu possa ter a certeza de encontrá-la.” No final do ano, os homens de Bodb retornaram a ele em sua casa em Síd ar Femuin (9) e disseram: “Percorremos toda Ériu e encontramos a jovem em Loch Bél Dracon (10), em Cruitt Cliach (11).” Mensageiros foram enviados ao Dagda então; ele recebeu-os e disse: “Tendes notícias?” “Boas noitícias: uma jovem da forma que descreveste foi encontrada”, disseram. “Bodb pediu que Óengus voltasse conosco para ver se ele a reconhece como a jovem que ele viu.”

V

Docomlat ass iarum oengus 7 amuinter dochum hicrichi. Teit bodb laiss conarlustar indagdo ocus inbounn ocbrug micc indoicc. Atfiadad ascéla doib 7 atcuadadar do ib amal bui etir cruth 7 ecuscc amal atconncatar 7 atcuadatar ahainm 7 ainm a hathar 7 asenathar. Nisegdo dunn orindagdo nacumcem dosocht. Anni bud maith duit adagdo orbodb eircc dochum nailella 7 medbo arissleo bith inacoiccid hiningen. Tet indagdo combui hitirib connacht. Tri .xx. carpat allion fertha failte friu laissindrig. ocus inriguin. Battar .uii.muin lana hiccfledugad iarsin imchormuib doib. Cidumubracht olinri. Ata ingen latso hitferunn orindagdo ocus ruscar momacsoi. ocus dorigned galar do. Dodechuso cuguib dus intartaid donmac. Cuich olailill. Ingiun ethuil anbuail. Ni linne acumacc arailill ocus medb diacoemsamuis dobertha do hi.

Depois disso, Óengus e seus homens retornaram a sua própria terra e Bodb foi com eles visitar o Dagda e Bóand em Bruig ind Maicc Oic (12). Eles contaram as novas: como a forma e a aparência da jovem eram precisamene como Óengus vira e disseram seu nome e os nomes de seu pai e de seu avô. “É uma pena que não a possamos buscar”, disse o Dagda. “O que deveis fazer é ir a Ailill e Medb (13), pois é no território deles que a jovem está”, disse Bodb. Então o Dagda foi a Connacht e três vintenas de carruagens com ele. Receberam as boas-vindas do rei e da rainha e passaram uma semana festejando e bebendo. “Qual a razão de vossa viagem?”, perguntou o rei. “Há uma jovem em vossso território”, disse o Dagda, “pela qual meu filho apaixonou-se e agora ele caiu doente. Vim para ver se a darás a ele.” “Quem é ela?”, Ailill perguntou. “A filha de Ethal Anbúal”, o Dagda respondeu. “Não temos o poder de dá-la a ti”, disseram Ailill e Medb.

VI

Ani formaith congarar ri hintsidiu chucuib or dagdo. Teid rectairiu Ailella chuice. Timarnad duit oailill 7 medb dola diao naccallaim. Niragsa orse nitibur mo ingiun domac indagdo. Fosagur co hailill innisin. nihetar fair atuidacht. rofittir inni da congarar. Ni ba ar ailill do ragasom 7 dobertar cenna alaeg laiss. Iarsin coteirich teglach ailella 7 muinter indagdo dochum inshidui. Indrit insid nuili. Dusmberat .tri .xx. cenn as ocusinrig combui hicruachnuib hindergabail.

“O melhor então seria que o rei do síd fosse chamado aqui”, disse o Dagda. O administrador de Ailill foi a Ethal Anbúal e disse: “Ailill e Medb solicitam que venhas e converses com eles.” “Não irei”, Ethal disse, “e não darei minha filha ao filho do Dagda.” Isso o mordomo repetiu a Ailill, dizendo: “Ele sabe porque foi chamado e não virá.” “Não tem importância”, disse Ailill, “pois ele virá e com ele as cabeças de seus guerreiros.” Depois disso, os da casa de Ailill e os homens do Dagda levantaram-se contra o síd e destuíram-no. Trouxeram consigo três vintenas de cabeças e encarceram o rei em Crúachu (14).

VII

Is iarum ismbert ailill frihethal nanbuill. tabar do ingiun domac indagdo. Nicuimcim orse is mo acumachta indu. Ced cumacht mor fil leu arailill. Ni hansa bith indeilb euin cachlabliadna. In bliadain aill indeilb duiniu. Cissi bliadain uhis indeilb euin orailill. Nilimsu ambrath olaahathair. Dochenn dit olailill manicisne. Nibasia chuice damso orse. Atbersa orse islerigtirsin rongab sid occai. In tsamfuinsi isnessam biaid indeilb eoín. ogloch bel draccon 7 focichsither saineuin le ann 7 biaid tri .l. ait ngeisi impi 7 ata aurgnum limso doib. Niba limso iarum arindagdo. ore rofetar ahaicniud dusfucso.

Ailill disse a Ethal Anbúail: “Dá tua filha ao filho do Dagda.” “Não posso”, ele disse, “pois o poder dela é maior que o meu.” “Que grande poder ela possui?”, Ailill perguntou. “Permanecer sob a forma de um pássaro todos os dias de um ano e sob a forma humana todos os dias do ano seguinte”, Ethal disse. “Em que ano ela estará sob a forma de um pássaro?, Ailill perguntou. “Não está em mim revelá-lo”, Ethal respondeu.” “Não estará em ti tua cabeça”, disse Ailill, “a não ser que nos contes.” “Então não mais o esconderei, mas vos direi, já que sois tão persistentes”, disse Ethail. “No próximo Samuin ela estará sob a forma de um pássaro. Ela estará em Loch Bél Dracon e com ela belas aves serão vistas, três vezes cinquenta cisnes ao seu redor e cuidarei para que assim seja.” “Isso não importa”, disse o Dagda, “pois sei a natureza que lhe impuseste.”

VIII

Dogniter iarum cairdius leir i. ailill 7 ethal 7 indagda 7 saertar ethal as. Celebraid ind dagda doib. Ticc indagda diatig 7 atfet ascelo diamacc. Eirc monsamfuin isnesum coloch bel dracon codogairiu cugat donloch. Teit mac oug combui og loch bel dracon confaco enfinn forsinloch conaslabraduib airccide cocuircesaib oirdib immo cennuip. Bui oengus indeilb daenachtu forbru inlochui. Congauir indingen chuici. Tair domaccalluib achaer. Ciadomgair orcaer. Cotagair oenguss ragaid dianomfoemuid artheniuch cotis indloch mofrithisi. Fotisir orse Taeta chuici. Foceirdsium dilaim fuirri. Cotlat indeilb die geisiu cotimc iullsat indloch fotri. Nabet nabumeth nenig dosum. Tocomlat ass andeilb da eunfinn combatar ocinbrug micc innoicc. ocus cachnatar coiccetul ciuil coucorustar inaduiniu hisuan tri la 7 .iii. haidqi. Anuiss laiss inningen iarsin. Is de sin robui cairdius inmicc oig. ocus ailella 7 medbo. Is de sin dochuaid oenguss xxx.cet.cuhailill 7 me-do thain nambo acuailngne. Conidde aislingiu oenguso micc indagda ainm insceuil sin isstain bo cuailngne. FINIT.

Foram feitas paz e amizade entre Ailill e Ethal e o Dagda e então o Dagda se despediu deles e foi para sua casa e contou a notícia a seu filho. “Vai a Loch Bél Dracon no Samuin”, ele disse, “e ali a chama para ti”. Então o Macc Óc foi a Loch Bél Dracon e ali viu três vezes cinquenta aves brancas com correntes de prata e cabelos dourados em suas cabeças. Óengus estava em forma humana na margem do lago e chamou a moça, dizendo: “Caer, vem e fala comigo!” “Quem me está chamando?”, perguntou Caer. “Esse é Óengus”, ele disse. Então ela foi até ele. “Irei”, ela disse, “se me prometeres que poderei retornar à água.” “Prometo-o”, ele disse. Ela foi até ele então. Ele envolveu-a em seus braços e eles dormiram sob a forma de cisnes até circularem o lago três vezes. Assim ele manteve sua promessa. Eles partiram na forma de duas aves brancas e voaram para Bruig ind Maicc Oic e ali cantaram até que todas as pessoas dentro caíssem adormecidas por três dias e três noites. A jovem permaneceu com Óengus depois disso. Foi assim que surgiu a amizade entre Aillil e Medb e o Macc Oc e é por isso que Óengus enviou trezentos para o ataque às vacas de Cúailnge (15). Por isso este conto chama-se “O Sonho de Óengus, filho do Dagda” no Táin Bó Cúailgne. FIM.

1) Óengus (irlandês antigo), Aengus (irlandês médio), Aonghus (Irlandês moderno), é filho do Dagda e de Bóand, considerado o deus do amor, inspiração poética e protetor da juventude. Também é chamado Óengus Óc (Óengus, o Jovem), Mac Óc (o Jovem Filho), Mac ind Óc (Filho da Juventude). O nome significa “Única Escolha”.
2) A Irlanda.
3) Filho da princesa Ness e do druida Cathbad, Conchobur era o rei de Ulaid (Ulster, a província ao norte da Irlanda), cujo trono obteve graças a um ardil de sua mãe.
4) Ou Bóann, é a deusa do Abhainn na Bóinne (Rio Boyne) em Laigin (Leinster, a província a leste da Irlanda). Seu nome significa “Vaca Branca”.
5) “Deus Bom”, rei das Tuatha Dé Danann, possuidor da clava que dá a vida e a morte e do Caldeirão da Abundância.
6) Plural de síd; são os montes encantados, antigos túmulos megalíticos onde as Túatha Dé Dánann ocultaram-se depois da derrota pelos Mac Miled na Segunda Batalha de Mag Tuiread.
7) Bodb Derg (Bodb, “o Vermelho”), filho de Eochaid Garb ou do Dagda, a quem sucedeu como rei das Túatha Dé Dánann.
8) Munster, a província ao sul da Irlanda.
9) Hoje Sliabh na mBan, Slievenamon, “Colina das Mulheres”, uma referência às Feimhin, mulheres encantadas, que habitavam esse local em Tiobraid Árann, isto é, Co. Tipperary, Munster.
10) “Lago da Boca do Dragão”.
11) Cruitt significa “harpa”. Cliath (“pertencente a Clui”) é o genitivo de Clui, nome da área que circunda Cnoc Áine (Knockainy, “Colina de Áine”), em Luimneach (Limerick), na província de Mumu (Munster).
12) Brú na Bóinne, “Palácio do Boyne”, isto é, Newgrange, o maior e um dos mais importantes sítios megalíticos da Europa, morada de Óengus que anteriormente pertencera ao Dagda. É um síd, Sí an Bhrú.
13) Ailill mac Máta e Medb ingen Echach Feidlich, rei e rainha de Connacht no ciclo lendário de Ulaid. O primeiro marido de Medb foi Conchobur mac Nessa.
14) Isto é, Ráth Cruachan, “Fortaleza de Cruachan”, antiga capital de Connacht, em Contae Ros Comáin (County Roscommon).
15) Isto é, o Táin Bó Cúailgne, a grande narrativa épica do Ciclo de Ulaid. Conta a batalha entre os soberanos de Connacht, Ailill e Medb, e as forças de Ulaid, capitaneadas pelo guerreiro Cú Chulaind, com o fim de obter a posse do touro Donn Cuailnge (“Castanho de Cooley”).

Tradução: Bellouesus /|\

Fonte do texto irlandês: Ms. Egerton 1782, fol. 70a, l. 22 – fol. 71b, l. 10, British Museum, texto editado por Patricia Kelly, publicado por Thesaurus Linguae Hibernicae, University College Dublin, Belfield, Dublin 4, 2006. Disponível aqui.

Táin Bó Cúailnge (O Ataque às Vacas de Cúailnge) – Introdução: a “Conversa do Travesseiro”

Aqui começa o Ataque às Vacas de Cualnge.maeve-battle

Certa vez, quando Ailill e Medb tinham estendido seu leito real em Cruachan, a fortaleza de Connacht, tal foi a conversa de travesseiro que ocorreu entre eles:

Disse Ailill: “Verdadeiro é o ditado, senhora, ‘É uma mulher felizarda aquela que é a esposa de um homem rico'”. “Claro que é”, respondeu a esposa, “mas por quê opinas assim?” “Por isto”, replicou Ailill, ” que tu estás hoje melhor do que no dia em que primeiro te tomei.” Então Medb respondeu: “Bastante próspera era eu antes que jamais te houvesse visto.” “Era uma riqueza, certamente, da qual jamais ouvimos falar”, disse Ailill; “mas a riqueza de uma mulher era tudo o que tinhas e inimigos de terras próximas à tua costumavam carregar o espólio e o butim que tomavam de ti.”

“Não era assim comigo”, disse Medb; “o próprio Grande Rei de Erin era meu pai, Eocho Fedlech (‘o Persistente’), filho de Finn, filho de Findoman, filho de Finden, filho de Findguin, filho de Rogen Ruad (‘o Vermelho’), filho de Rigen, filho de Blathacht, filho de Beothacht, filho de Enna Agnech, filho de Oengus Turbech. Filhas ele tinha seis: Derbriu, Ethne e Ele, Clothru, Mugain e Medb, eu mesma, que era a mais nobre e graciosa delas.

“Eu que era a mais generosa delas em liberalidade e dar presentes, em riquezas e tesouros. Eu que era a melhor delas em batalha e luta e combate. Eu que tinha quinze centenas de mercenários reais dentre os filhos de forasteiros exilados de suas próprias terras e muitos mais dos filhos dos homens livres da terra. E havia dez homens com cada um desses mercenários e nove homens com cada mercenário e oito homens com cada mercenário e sete homens com cada mercenário e seis homens com cada mercenário e cinco homens com cada mercenário e quatro homens com cada mercenário e três homens com cada mercenário e dois homens com cada mercenário e um homem com cada mercenário. Eram esses como um contingente doméstico”, continuou Medb, “por essa razão meu pai me concedeu uma das cinco províncias de Erin, a própria província de Cruachan, motivo pelo qual sou chamada Medb de Cruachan.”

“Vieram homens de Finn, filho de Ross Ruad (‘o Vermelho’), rei de Leinster, pretendendo-me como esposa, e eu o recusei. E de Carbre Niafer (‘o Campeão’), filho de Ross Ruad (‘o Vermelho’), rei de Temair, para cortejar-me, e eu o recusei. E vieram de Conchobar, filho de Fachtna Fathach (‘o Poderoso’), rei do Ulster, e eu o recusei do mesmo modo. Vieram de Eocho Bec (‘o Pequeno’) e eu não fui com ele. Pois fui eu quem exigiu um presente nupcial único, tal como nenhuma mulher antes de mim exigiu de um homem dos homens de Erin, ou seja, um marido sem mesquinhez, sem ciúme, sem medo.”

Pois, se ele fosse mesquinho, o homem com quem eu devesse viver, nós estaríamos mal-casados, visto que sou grande em liberalidade e em dar presentes e seria uma desgraça para o meu marido se eu fosse melhor em gastar do que ele e por isso dizerem que eu fosse superior em riqueza e tesouros a conceder, enquanto vergonha não haveria se fosse um tão bom quanto o outro. Fosse meu marido um covarde, seria igualmente inadequado para nós estarmos casados, pois eu, por mim mesma e sozinha, enfrento batalhas e lutas e combates e seria uma mancha para meu marido se sua esposa fosse mais cheia de vida do que ele mesmo e mancha não haveria se fôssemos igualmente corajosos. Fosse ele ciumento, o marido com quem eu devesse viver, isso também não me serviria, pois nunca houve uma época em que eu não tivesse um homem à sombra de outro.

Entretanto, tal marido eu encontrei, tu mesmo, Ailill, filho de Ross Ruad (‘o Vermelho’) de Leinster. Tu não eras sovina, tu não eras ciumento, tu não eras um preguiçoso. Fui eu que te resgatei e dei-te o preço de compra, que por direito pertence à noiva – de roupas, a saber, as vestes de doze homens, uma carruagem valendo o preço de três vezes sete escravas, a largura de tua face em ouro vermelho, o peso de teu antebraço direito em bronze prateado. Quem quer que traga sobre ti vergonha e tristeza e loucura, exigência nenhuma de compensação, nem de satisfação tu possuis então que eu mesma não tenha, mas é a mim que a compensação pertence”, disse Medb, “pois um homem dependente do sustento de uma mulher é o que tu és.”

“Não, tal não era meu estado”, disse Ailill, “mas dois irmãos eu tinha. um deles reinava sobre Temair, o outro sobre Leinster, ou seja, Finn, sobre Leinster, e Carbre, sobre Temair. Deixei-lhes a realeza porque eram mais velhos, porém não superiores a mim em generosidade e abundância. Tampouco já ouvi falar de província em Erin governada por uma mulher, senão esta única província. E por isso eu vim e assumi a realeza aqui como sucessor de minha mãe, pois Mata de Muresc, filha de Magach de Connacht, era minha mãe. E quem poderia haver melhor para minha rainha do que tu mesma, pois eras a filha do Grande Rei de Erin?” “Ainda que seja assim”, prosseguiu Medb, ” minha fortuna é maior do que a tua.” “Eu me admiro com isso”, Ailill respondeu, “pois não há ninguém que tenha maiores tesouros e riquezas do que eu. Sim, até onde sei não há!”

Fonte

Tradução: Bellouesus /|\