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Três Tríades

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A Primeira Tríade

1a Sei que, no começo (começo, porém, não existiu), havia a Energia Primordial. 2a Sei que o primeiro movimento percebido no Universo foi a ação de três forças, duas contrárias e a sua resultante, e que essa Tríade pode ser encontrada em todas as coisas. 3a Sei que a Energia Primordial manifesta-se de diferentes formas para cumprir finalidades distintas e tais formas possuem identidade própria, embora unidas em sua origem.

A Segunda Tríade

1b Sei que o ovo do mundo, que representa o Universo consciente, encontra-se em um plano paralelo ao da consciência humana e tudo o que se encontra embaixo, está igualmente no alto. 2b Sei que nossas almas são imortais e a morte física, o nascimento para um novo ciclo da existência. 3b Sei que a Humanidade reconhece a existência do Belo, do Justo e do Verdadeiro, bem como dos seus opostos, e que uns e outros são complementares, não antagonistas.

A Terceira Tríade

1c Sei que dia ou outro, de um modo ou de outro, todos os seres serão reabsorvidos na Energia Primordial. 2c Sei que a Humanidade, em sua busca para tornar-se o que realmente é, deve honrar os deuses, evitar o mal e ser corajosa para não transgredir a ordem divina. 3c Sei que a Energia Primordial não comporta acréscimo nem pode sofrer diminuições; a Humanidade, no entanto, pode aproximar-se dela por meio de ritos e meditações para seu próprio benefício.

(Agradecendo penhoradamente ao gênio inspirado que traduziu em palavras a quase  totalidade do meu pensamento. Admirada pessoa, perdi você no emaranhado do Facebook. B. /|\)

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In doníoritu

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In doníoritu tre prennonemeton
Nata redis clusíetor int’ oinon
Dui scenai argíant ar’ aidon
Etic anant’ in lamabi druuidon

Na procissão através do templo das árvores
Apenas um canto simples é ouvido
Duas facas brilham ante a chama
E esperam nas mãos dos druidas

In the procession through the trees’ temple
Only a simple chant is heard
Two knifes shine before the flame
And wait in druids’ hands

Bellouesus /|\

Diga o que quer

CelticArt

Os Deuses não são onipresentes. É preciso informar-lhes onde são desejados.
Os Deuses não são onipotentes. É preciso informar-lhes o que se deseja deles.
Os Deuses não são oniscientes. É preciso informar-lhes aqueles cuja presença é desejada.

Fazendo o chamado adequado, teremos a percepção do exato aspecto da realidade divina que desejamos ver manifesto. Isso igualmente permite que os convidados divinos sejam recebidos de acordo com as suas preferências individuais.

Bellouesus /|\

A Invocação do Iluminador

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Ponha no altar um cálice de vinho branco (1), juntamente com o instrumento divinatório invoilu(2) escolhido. Usando o punhal cerimonial (3), delimite o perímetro da área de trabalho. Este é o templum, espaço separado para a observação dos oráculos. Acomode-se diante do altar numa cadeira ou mesmo sentado numa almofada no chão. Com o bastão, lentamente descreva três círculos ao redor do instrumento divinatório que será usado.

“Belenos Brilhante (4),
Clareia minha mente com a tua luz.
Belenos Auxiliador,
Guia meus passos neste caminho.
Belenos Profeta,
Inunda-me com a tua centelha”.

Erga o cálice em saudação à divindade e beba um gole:

“Um para a magia”.

Beba outro gole:

“Um para o poder”.

Beba um terceiro gole:

“Um para a visão”.

Coloque o cálice no altar ao lado do bastão. Respire profundamente algumas vezes e relaxe antes de começar a divinação.

Depois de terminá-la, toque suavemente o bastão no altar três vezes.

“Belenos Brilhante, Belenos Auxiliador, Belenos Profeta,
Agradeço-te pela tua presença e inspiração neste dia.
Que eu seja sempre guiado à verdade pela tua voz”.

Bellouesus /|\

Quaisquer perguntas somente serão respondidas pelo e-mail nemetonbeleni@gmail.com ou pelo fórum Nemeton Beleni.

Notas:

1) Preferível por ser uma bebida mais refinada, mas também pode ser vinho tinto ou hidromel.

2) Ogham, runas, tarot, pedras divinatórias ou outro qualquer.

3) Caso possua esse instrumento. Se não, pode ser substituído no momento pelo dedo indicador da sua mão dominante.

4) Se você escolher outra divindade como inspiradora da divinação, modifique a palavras da invocação de acordo.

Moí coire coir goiriath

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3caldeiroes

Moí Coire Coir Goiriath

O Caldeirão da Poesia

Atribuído a Amhairghin Glúingeal

Um antigo poema atribuído ao próprio druida Amhairghin foi localizado em um manuscrito jurídico do séc. XVI que hoje se encontra no Trinity College of Dublin, catalogado como H 3.18. Esse poema (datado do começo do séc. VIII, para as partes em verso, e do séc. X, para as partes em prosa, em razão de certas formas gramaticais) recebeu dos estudiosos modernos o nome de “O Caldeirão da Poesia”. Citado no “Glossário de O’Davoren” (1569), o nome desse texto aparece sob diferentes formas: In Coire, Coire Goiriath, In Coire Éarmai, sempre fazendo menção à palavra coire (“caldeirão”). De acordo com o poema, três caldeirões existem dentro de cada indivíduo.

Moí coire coir goiriath
gor rond n-ír Día dam a dúile dnemrib;
dliucht sóir sóerna broinn
bélrae mbil brúchtas úad.
Os mé Amargen glúngel garrglas grélíath,
gním mo goriath crothaib condelgib indethar
– dath nád inonn airlethar Día do cach dóen,
de thoíb, ís toíb, úas toíb –
nemshós, lethshós, lánshós,
do h-Ébiur Dunn dénum do uath aidbsib ilib ollmarib;
i moth, i toth, i tráeth,
i n-arnin, i forsail, i ndínin-díshail,
sliucht as-indethar altmod mo choiri.

Meu perfeito caldeirão do aquecimento
por Deus foi retirado do abismo misterioso dos elementos,
perfeita verdade que do âmago do ser enobrece,
que verte uma aterradora correnteza de palavras.
Amhairghin Joelho-Branco sou,
de pele pálida e cabelo cinzento,
minha incubação poética realizando em formas adequadas,
em cores diversas.
Deus não concede a todos a mesma sabedoria:
inclinado, invertido, na posição correta.
Conhecimento nenhum, meio conhecimento, conhecimento completo
para Eber Donn, criação de temível poesia,
de vastos, potentes goles de mortais encantamentos, de um salmodiar potente,
No masculino, no feminino e no neutro, os sinais das letras duplas, vogais longas e vogais breves,
O modo pelo qual se declara a natureza do meu caldeirão*.

* […] para Eber Donn, criação de temível poesia, / de vastos, potentes goles de mortais encantamentos, de um salmodiar potente, […]: o texto foi composto para Eber e Donn, irmãos do druida Amhairghin. Eber foi um dos reis dos Mac Miledh e Donn, tendo sido o primeiro humano a morrer na Irlanda, tornou-se uma divindade tutelar dos mortos, recebendo os descendentes de Mil na Teach Duinn (“Casa de Donn”) depois da morte. Comumente, diz-se que a “Casa de Donn” localiza-se num rochedo do mesmo nome em algum lugar no mar a sudoeste da Irlanda.

Ciarm i tá bunadus ind airchetail i nduiniu; in i curp fa i n-anmain? As-berat araili bid i nanmain ar ní dénai in corp ní cen anmain. As-berat araili bid i curp in tan dano fo-glen oc cundu chorpthai .i. ó athair nó shenathair, ol shodain as fíru ara-thá bunad ind airchetail 7 int shois i cach duiniu chorpthu, acht cach la duine adtuíthi and; alailiu atuídi.

Onde se encontra a raiz da poesia numa pessoa: no corpo ou na alma? Dizem alguns que está na alma, pois o corpo nada faz sem a alma. Dizem alguns que está no corpo, onde se aprendem as artes, transmitidas por meio dos corpos de nossos ancestrais. Diz-se que essa é a verdade que permanece na raiz da poesia, e a sabedoria na ancestralidade de cada pessoa não provém do céu setentrional para cada um, mas para cada outra pessoa*.

* Onde se encontra a raiz da poesia: na alma ou no corpo? “Na alma, pois sem esta nada pode o corpo”. Essa parece ser a atitude dos clérigos que formavam a elite cultural irlandesa após a cristianização. “No corpo, pois é herdada dos ancestrais”. Essa parece ser a atitude das classes instruídas nativas, que colocavam grande ênfase na necessidade de que o pai e o avô tivessem sido filí para que um indivíduo pudesse ser considerado file ele próprio. O autor do texto não contradiz um ponto de vista nem o outro, apresentando um terceiro, isto é, afirmando que o potencial existe em cada um, mas realiza-se apenas em uns poucos. O objetivo do autor, ao propor um modelo – como se verá – tão complexo quanto o dos três caldeirões talvez tenha sido superar o conflito entre a posição eclesiástica e a dos nativos, abrangendo três categorias de pessoas: o clérigo instruído, a pessoa versada na tradição nativa e um terceiro grupo, que poderia ser identificado ao amador talentoso. A metáfora do caldeirão, com os seus extremos de Aquecimento e Sabedoria, tendo a transição no Caldeirão do Movimento, ilustraria os vários níveis e tipos de conhecimento (especialmente gramática, métrica e escrita), cujos graus de competência seriam indicados pela posição de cada caldeirão.

Caite didiu bunad ind archetail 7 cach sois olchenae? Ní ansae; gainitir tri coiri i cach duiniu .i. coire goriath 7 coire érmai 7 coire sois.

Que é, então, a raiz da poesia e de toda outra sabedoria? Não é difícil. Três caldeirões nascem em cada pessoa – o caldeirão do aquecimento, o caldeirão do movimento e o caldeirão da sabedoria.

Coire goiriath, is é-side gainethar fóen i nduiniu fo chétóir. Is as fo dálter soas do doínib i n-ógoítu.

O caldeirão do aquecimento nasce na posição correta nas pessoas desde o começo*. Distribui sabedoria às pessoas em sua juventude*/**.

* A posição em pé de Coire Goiriath no começo da vida representa um caso ideal, o do indivíduo que atinge o grau mais alto de instrução. Tal pessoa necessita que o seu Caldeirão do Aquecimento esteja em pé desde o princípio. Outrossim, a passagem anterior que diz dath nád inonn airlethar Día do cach dóen (“Deus não concede a todos a mesma sabedoria”) refere-se aos graus mais baixos dos poetas (leia mais AQUI) , aos bardos e às pessoas totalmente sem instrução. Assim, não há contradição entre essas afirmações.

** O primeiro caldeirão chama-se Coire Goiriath (“Caldeirão do Aquecimento/Sustento/Incubação”). O segundo é Coire Érmai (“Caldeirão do Movimento”). O terceiro é Coire Sofhis (“Caldeirão da Sabedoria”). Assim, os três caldeirões são: Aquecimento, Movimento e Sabedoria. Fisicamente, o Caldeirão do Aquecimento localiza-se no ventre, no foco da corrente telúrica; o Caldeirão do Movimento localiza-se no plexo solar, no foco da corrente solar; o Caldeirão da Sabedoria localiza-se no centro da cabeça, no foco da corrente lunar. Desde o nascimento do indivíduo, o Caldeirão do Aquecimento encontra-se virado para cima. O líquido que nele borbulha é a força vital responsável pela saúde física. O líquido que ferve no Caldeirão do Aquecimento é dán. Dán é um dos conceitos mais complexos na tradição irlandesa. A palavra pode ser traduzida como “poesia, dom, talento, vocação, fado, destino”, conforme o contexto. Contudo, dán engloba todos esses significados como um conceito unitário. Dán ferve naturalmente e sobe, tornando-se brí.

Coire érmai, immurgu, iarmo-bí impúd moigid; is é-side gainethar do thoib i nduiniu.

O caldeirão do movimento, entretanto, aumenta depois de virar. Isso quer dizer que nasce inclinado para um dos lados, crescendo interiormente*.

* Desde o nascimento do indivíduo, o Caldeirão do Movimento encontra-se virado de lado. O líquido que nele borbulha contém o caminho de nossas ações e realizações, as emoções e talentos. O líquido que ferve no Caldeirão do Movimento é brí. Brí (“essência, vigor”) é um poder pessoal inerente que não pode ser obtido de outra forma, mas apenas desenvolvido. Ao ferver, brí pode subir e converter-se em bua. O texto irlandês explica que o Caldeirão do Movimento encontra-se naturalmente inclinado em todas as pessoas sem arte, mas começa a virar para a posição correta naquelas que seguem o ofício bárdico ou possuem pequeno talento poético, o que se deve entender como referência às múltiplas especializações dos Áes Dána e não à poesia em sentido concreto. Somente nos ard ollúna, “que são grandes correntezas de sabedoria”, o Caldeirão do Movimento estaria em posição totalmente correta. Nem todo pessoa da arte o possui na posição correta, “pois o caldeirão do movimento deve ser virado pela tristeza ou pela alegria”. Embora a causa da tristeza ou da alegria seja externa, é a sua apropriação (ou internalização) pelo indivíduo que causa o movimento do caldeirão. Quatro são as tristezas: ânsia e pesar, as tristezas do ciúme e a disciplina da peregrinação aos lugares sagrados. A alegria pode ser de duas modalidades: a alegria divina e a alegria humana. A alegria humana abrange: intimidade sexual, a alegria da saúde e da prosperidade depois dos anos difíceis do estudo da poesia, a alegria da sabedoria após a criação harmoniosa de poemas e a alegria do êxtase pelo consumo das claras nozes das nove aveleiras da Fonte de Segais no reino dos Sídhe. A Fonte de Segais é a Fonte do Conhecimento, de onde fluem as cinco correntezas que representam os cinco sentidos pelos quais percebemos o mundo. Não é possível alcançar sabedoria sem beber dessas cinco correntezas. A Fonte de Segais é igual à Fonte de Conlla, exceto que esta possui duas outras correntezas, fala e pensamento. A alegria divina é assim explicada no texto: “graça compreensível / conhecimento reunido / inspiração poética fluente como o leite do peito”, ou seja, é a compreensão integrada em que as águas da Fonte do Conhecimento formam e trama e a urdidura do que o sábio percebe como um só tecido, pois o Caldeirão do Movimento é “o auge da maré do conhecimento / união de sábios”.

Coire sois, is é-side gainethar fora béolu 7 is as fo-dáilter soes cach dáno olchenae cenmo-thá airchetal.

O caldeirão da sabedoria nasce invertido e distribui sabedoria na poesia e em toda outra arte*.

* Desde o nascimento do indivíduo, o Caldeirão da Sabedoria encontra-se virado para baixo. Ele contém nossas habilidades inatas e potenciais naturais que podem ser desenvolvidos a um grau máximo. A ideia de total autorrealização reside no Caldeirão da Sabedoria. O líquido que borbulha no Caldeirão da Sabedoria é bua. Bua (“vitória, mérito”) é o poder pessoal obtido pelo indivíduo, sobretudo o que se manifesta em uma área específica. As ações que permitem obter ou que mantêm bua recebem a designação de buatha (o plural de bua). O Caldeirão da Sabedoria “concede a natureza de cada arte/[…] engrandece cada artesão / […] edifica uma pessoa por meio de seu dom”, ou seja, desvela a essência do conhecimento, permitindo que o indivíduo a invoque numa “[…] aterradora correnteza de palavras / […] temível poesia / […] vastos, potentes goles de mortais encantamentos”. O Caldeirão da Sabedoria jorra imbas, a emanação impermanente e em mutação constante de Amhrán Mór, que concilia e transcende o Aquecimento e o Movimento.

Coire érmai dano, cach la duine is fora béolu atá and .i. n-áes dois. Lethchlóen i n-áer bairdne 7 rand. Is fóen atá i n-ánshruithaib sofhis 7 airchetail. Conid airi didiu ní dénai cach óeneret, di h-ág is fora béolu atá coire érmai and coinid n-impoí brón nó fáilte*.

O caldeirão do movimento, então, em todas as pessoas sem arte está invertido. Está inclinado para o lado em pessoas do ofício bárdico e de pequeno talento poético. Está na posição correta nos maiores dentre os poetas, que são grandes correntezas de sabedoria*. Nem todo poeta o possui na posição correta, pois o caldeirão do movimento deve ser virado pela tristeza ou pela alegria*/**.

* Os caldeirões são três, podendo também cada um deles assumir três diferentes posições: fóen ou uas toíb (em pé, isto é, na posição correta); de thoíb ou lethchlóen (inclinado); fora béolu ou for béolu ou ainda is toib (invertido). A posição em pé é a considerada ideal; a invertida é a menos desejável; a posição inclinada é um estado intermediário. Essas posições correspondem: fóen/uas toíb – o caldeirão está cheio; de thoíb/lethchlóen – o caldeirão está meio cheio; fora béolu/for béolu/is toib – o caldeirão está vazio.

** Este trecho deve ser analisado em conjunto com o que diz “O caldeirão do aquecimento nasce na posição correta nas pessoas desde o começo”, pois é na verdade um comentário sobre a natureza de Coire Goiriath. Coire Érmai está invertido em todas as pessoas sem arte, ou seja, ignorantes, e meramente inclinado nos bardos. Naqueles que são os maiores dentre os poetas, grandes correntezas de sabedoria (implicitamente os ollúna, grau mais alto dos filí), Coire Érmai mostra-se com a boca para cima. Desse modo, o Caldeirão do Movimento deve ser entendido como continuação do Caldeirão do Aquecimento. Nos ollúna, Coire Érmai é simplesmente Coire Goiriath em qualquer posição que este antes se encontrasse, sem que nada lhe fosse acrescentado. Coloca-se uma oposição entre os ollúna, de um lado, e os anruthanna (segundo grau dos filí), descendo toda a hierarquia dos poetas até chegar aos baird e às pessoas sem instrução, do outro. Como se dá então que o Caldeirão do Movimento possa ser cheio e “virado pela tristeza ou pela alegria”? Não se trata de contradição, pois esse é um processo dinâmico. O Caldeirão do Movimento é a transição entre o Caldeirão do Aquecimento e o Caldeirão da Sabedoria, ocorrendo entre eles uma sequência de esvaziamentos e enchimentos contínuos. Coire Goiriath começa com a boca para cima, Coire Érmai inicia no estágio em que o esvaziamento já começou (inclinado). Este processo se completa e, quando Coire Érmai é cheio novamente, converte-se em Coire Sofhis.

Ceist, cis lir foldai fil forsin mbrón imid-suí? Ní ansae; a cethair: éolchaire, cumae 7 brón éoit 7 ailithre ar dia 7 is medón ata-tairberat inna cethair-se cíasu anechtair fo-fertar.

Pergunta: quantas divisões de tristeza viram os caldeirões dos sábios? Não é difícil. Quatro: ânsia e pesar, as tristezas do ciúme e a disciplina da peregrinação aos lugares sagrados. Essas quatro são suportadas internamente, virando os caldeirões, embora sua causa seja exterior.

Atáat dano dí fhodail for fíilte ó n-impoíther i coire sofhis, .i. fáilte déodea 7 fáilte dóendae.

Há duas divisões de alegria que viram o caldeirão da sabedoria: a alegria divina e a alegria humana.

Ind fháilte dóendae, atáat cethéoir fodlai for suidi .i. luud éoit fuichechtae 7 fáilte sláne 7 nemimnedche, imbid bruit 7 biid co feca in duine for bairdni 7 fáilte fri dliged n-écse iarna dagfhrithgnum 7 fáilte fri tascor n-imbias do-fuaircet noí cuill cainmeso for Segais i sídaib, conda thochrathar méit motchnaí iar ndruimniu Bóinde frithroisc luaithiu euch aige i mmedón mís mithime dia secht mbliadnae beos.

Há quatro divisões da alegria humana entre os sábios: intimidade sexual, a alegria da saúde e da prosperidade depois dos anos difíceis do estudo da poesia, a alegria da sabedoria após a criação harmoniosa de poemas e a alegria do êxtase pelo consumo das claras nozes das nove aveleiras da Fonte de Segais no reino dos Sídhe. Estas se lançam em grandes quantidades, como um rebanho de carneiros nas margens do Bóinn, movendo-se mais depressa que cavalos de corrida conduzidos no solstício de verão a cada sete anos.

Fáilte déoldae, immurugu, tórumae ind raith déodai dochum in choiri érmai conid n-impoí fóen, conid de biit fáidi déodai 7 dóendai & tráchtairi raith 7 frithgnamo imale, conid íarum labrait inna labarthu raith 7 do-gniat inna firthu, condat fásaige 7 bretha a mbríathar, condat desimrecht do cach cobrai. Acht is anechtair ata-tairberat inna hí-siu in coire cíasu medón fo-fertar.

Deus toca as pessoas por meio de alegrias divinas e humanas para que sejam capazes de pronunciar poemas proféticos e realizar portentos, dando julgamentos sábios com precedentes e bençãos em resposta a cada pedido. E a fonte dessas alegrias é externa à pessoa e acrescentada aos caldeirões para fazê-los virar, embora a causa da alegria seja interior*.

* O impulso para produzir poesia vem de dentro do indivíduo como resposta a circunstâncias externas, ou a habilidade para produzi-la já existe internamente no indivíduo, mas necessita do impulso de circunstâncias externas para manifestar-se, o que é confirmado pelo que está abaixo, faillsigther tri brón, “que é revelado por meio da tristeza”. No caso da alegria (dividida em humana e divina, fáilte déodea 7 fáilte dóendae), o caso é inverso: acht is anechtair ata-tairberat inna hí-siu in coire cíasu medón fo-fertar, “e a fonte dessas alegrias é externa à pessoa e acrescentada aos caldeirões para fazê-los virar, embora a causa da alegria seja interior”. Neste caso, a habilidade poética não está presente no indivíduo, mas precisa ser fornecida, e o impulso não vem de dentro da pessoa, mas do exterior. Isso é confirmado pela frase tórumae ind raith déodai, que fala da chegada da graça divina ao caldeirão, fazendo-o virar à posição correta. As quatro alegrias humanas antes mencionadas referem-se aos estágios sucessivos na carreira do poeta: chegada à adolescência, aprendizado exitoso com um mestre, aquisição das prerrogativas da poesia depois do estudo e a final aquisição do imbas.

Ara-caun coire sofhis
sernar dliged cach dáno
dia moiget moín
móras cach ceird coitchiunn
con-utaing duine dán.

Canto o caldeirão da sabedoria,
que concede a natureza de cada arte
por meio da qual a riqueza aumenta,
que engrandece cada artesão,
que edifica uma pessoa por meio de seu dom.

Ar-caun coire n-érmai
intlechtaib raith
rethaib sofhis
srethaib imbais
indber n-ecnai
ellach suíthi
srúnaim n-ordan
indocbáil dóer
domnad insce
intlecht ruirthech
rómnae roiscni
sáer comgni
cóemad felmac
fégthar ndliged
deligter cíalla
cengar sési
sílaigther sofhis
sonmigter soír
sóerthar nád shóer,
ara-utgatar anmann
ad-fíadatar moltae
modaib dliged
deligthib grád
glanmesaib soíre
soinscib suad
srúamannaib suíthi,
sóernbrud i mberthar
bunad cach sofhis
sernar iar ndligiud
drengar iar frithgnum
fo-nglúaisi imbas
inme-soí fáilte
faillsigther tri brón;
búan bríg
nád díbdai dín.
Ar-caun coire n-érmai.

Canto o caldeirão do movimento,
graça compreensível,
conhecimento reunido,
inspiração poética fluente como o leite do peito,
é o auge da maré do conhecimento,
união de sábios,
correnteza de soberania,
glória dos humildes,
maestria das palavras,
rápido entendimento,
sátira enrubescedora,
artesão de histórias,
cuidando dos alunos,
procurando princípios obrigatórios,
distinguindo as complexidades da linguagem,
movendo-se rumo à música,
propagação da boa sabedoria,
nobreza enriquecedora,
enobrecendo os não-nobres,
exaltando os nomes,
relatando louvores
por meio do trabalho da lei,
comparação de dignidades,
a bebida nobre em que é fervida
a raiz verdadeira de todo conhecimento,
que entrega em razão do respeito,
que cresce em razão da diligência,
cujo êxtase poético põe em movimento,
cuja alegria vira,
que é revelado por meio da tristeza,
proteção que não diminui,
canto o caldeirão do movimento.

Coire érmai,
ernid ernair,
mrogaith mrogthair,
bíathaid bíadtair,
máraid márthair,
áilith áiltir,
ar-cain ar-canar,
fo-rig fo-regar,
con-serrn con-serrnar
fo-sernn fo-sernnar.

O caldeirão do movimento
concede, é concedido,
aumenta, é aumentado,
alimenta, é alimentado,
engrandece, é engrandecido,
invoca, é invocado,
canta, é cantado,
preserva, é preservado,
combina, é combinado,
sustenta, é sustentado*.

* Observe-se que Coire Érmai, que pode ser considerado o mais importante dos três caldeirões, embora não haja menção de que distribua nenhum tipo de conhecimento (sofhis); sua peculiaridade é iarmo-bí impúd moigid, “aumenta depois de virar”, ou seja, torna-se Coire Sofhis. Coire Érmai representa um estágio intermediário entre Coire Goiriath e Coire Sofhis; este apresenta a característica de receber acréscimos, mas nunca sofrer diminuições; esses acréscimos são as “alegrias e tristezas” mencionadas no texto; veja-se adiante o seu significado.

Fó topar tomseo,
fó atrab n-insce,
fó comair coimseo,
con-utaing firse.

Boa é a nascente do ritmo*,
boa é a aquisição da fala,**
boa é a confluência do poder***,
que edifica a força.

* .I. is maith in coiri asa toimsidhher fri fidh 7 deach, “isto é, bom é o caldeirão graças ao qual se mede por letra e metros poéticos”, isto é, o conhecimento da gramática, da escrita e da métrica, que obviamente era um prerrequisito necessário a qualquer pessoa instruída.

** “Boa é a aquisição da fala”, isto é, a aquisição do poder de compor poesia, ou ser inspirado .i. is maith in coiri a fuil in tein fesa, “isto é, bom é o caldeirão em que se encontra o ‘fogo do conhecimento’ (tein fesa)”; assim, as tristezas e alegrias antes mencionadas são tipos diferentes de inspiração.

*** .I. is maith in coiri asa comainsidhther so uile, “isto é, bom é o caldeirão do qual tudo isso é obtido”.

Is mó cach ferunn,
is ferr cach orbu,
berid co h-ecnae,
echtraid fri borbu.

É maior do que cada domínio,
é melhor do que cada herança,
traz o homem ao conhecimento
ousando além da ignorância.

Vejamos agora outro texto irlandês* que fala sobre a composição do Adão bíblico de um modo que curiosamente faz lembrar o Adam Kadmon (“homem original”) do Zohar e do Talmud.

* Codex Clarend, v.XV, fol. 7,p. 1, col. “a”, Londres, British Library, MS Additional 4783/03-07 (fim do séc. XV).

Is fisigh cidh diandernadh adham .i. do uiii rannaib: in céd rann do talmain: indara rann do muir: in tres rand do ghrein: in cethramha rann do nellaib: in cuigid rann do gaith: in séisedh rann do clochaibh: in sechtmadh rann don spirad naomh: intochmadh rann do soillsi in domuin.

Vale a pena saber que Adão foi feito de oito partes, isto é: a primeira parte, a terra; a segunda parte, o mar; a terceira parte, o sol; a quarta parte, as nuvens; a quinta parte, o vento; a sexta parte, as pedras; a sétima parte, o Espírito Santo; a oitava parte, a luz do mundo.

Rand na talman, as í sin in colann in duine : rann na mara, is í sin fuil in duine: rann na greine a ghne 7 a dreach: rann donéllaib [ilegível]; rann na gaoithe anal an duine: rann na cloch a chnamha: rann in spirada naoiin in anmain [leia-se: a anam]: an rann dorighnedh do soillsi in domuin as í sin a chráigheacht [leia-se: chráibhdheacht].

A parte da terra, essa é o corpo do homem; a parte do mar, essa é o sangue do homem; a parte do sol, seu rosto e seu semblante; a parte das nuvens, [ilegível]; a parte do vento, a respiração do homem; a parte das pedras, seus ossos; a parte do Espírito Santo, sua alma; a parte que foi feita da luz do mundo, essa é a sua devoção.

Madhi in talmaidhecht bhus fortail isin duine bud leasc. Madhi in muir budh enaidh. Madhí an grian bud alainn beódha. Madhiat na neoil bud etrom druth. Madhi in gaoth bud laidir fri gach. Madhiat na clocha bud cruaidh do traothafdh 7 bu gadaighe 7 bu sanntach. Madhí in spirad naomh bud béodha deghgnéach 7 bud lan do rath in scribtuir dhiadha. Madhi in tsoillsi bú duine sográdhachsotoghtha.

Se o elemento terrestre prevalecer no homem, ele será indolente. Se for o marinho, ele será inconstante. Se for o solar, será belo, vigoroso. Se forem as nuvens, será superficial, tolo. Se for o vento, será robusto contra todos. Se forem as pedras, será difícil de dominar, um ladrão e cobiçoso. Se for o Espírito Santo, será intenso, de boa aparência e cheio da graça da divina escritura. Se for a luz, será um homem merecedor de amor e sensato.

Portanto, Adão foi feito de oito partes:

1) terra (corpo, isto é, a carne);
2) mar (sangue);
3) o sol (rosto e semblante);
4) as nuvens (ilegível);
5) vento (respiração);
6) pedras (ossos);
7) Espírito Santo (alma) e
8) luz do mundo (devoção).

Dessa lista de correspondências, podemos concluir que há uma simetria entre Adão e o Mundo: a carne de Adão é a terra do Mundo; o mar do Mundo é o sangue de Adão.

Vimos que há três caldeirões no homem, isto é, em Adão: Aquecimento, Movimento e Sabedoria e a cada um deles atribuirei igual número de elementos. Isso exige que a relação seja emendada, acrescentando-se níab* (“força vital”) ao fim e trocando o Espírito Santo por um elemento natural que está claramente ausente: a lua.

* Irlandês antigo níab, “vigor, essência” < proto-céltico *neibos, galês nwyf, “vigor, energia”, nwyfre,“firmamento, força vital”.

O rol de elementos ficará assim:

1) terra (carne) – indolência;
2) mar (sangue) – inconstância;
3) sol (rosto) – beleza, vigor;
4) nuvens (mente) – superficialidade, tolice;
5) vento (respiração) – robustez contra todos;
6) pedras (ossos) – dificilmente dominável, desonestidade, cobiça;
7) lua (alma) – intensidade, boa aparência, tocado pela graça divina;
8) luz do mundo (devoção) – merecedor de amor, sensatez
9) níab (espírito) – engenhosidade, inteligência, vivacidade

Tabela 1

Elementos

 

Caldeirões

Força

Cósmicos

Pessoais

Deidade*

9
Sabedoria
Bua
Lua
Alma
Anu
8
Sabedoria
Bua
Luz do Mundo
Devoção
Manannán
7
Sabedoria
Bua
Níab
Espírito
Dagda
6
Movimento
Brí
Pedras
Ossos
Cailleach
5
Movimento
Brí
Vento
Respiração
Lugh
4
Movimento
Brí
Nuvens
Mente
Brigit
3
Aquecimento
Dán
Sol
Rosto
Ogma
2
Aquecimento
Dán
Mar
Sangue
Morrígu
1
Aquecimento
Dán
Terra
Carne
Macha
 

Caldeirões

Força

Localização

Mundo

Corrente

9
Sabedoria
Bua
Cabeça
Céu
Lunar
8
Sabedoria
Bua
Cabeça
Céu
Lunar
7
Sabedoria
Bua
Cabeça
Céu
Lunar
6
Movimento
Brí
Plexo
Terra
Solar
5
Movimento
Brí
Plexo
Terra
Solar
4
Movimento
Brí
Plexo
Terra
Solar
3
Aquecimento
Dán
Ventre
Mar
Telúrica
2
Aquecimento
Dán
Ventre
Mar
Telúrica
1
Aquecimento
Dán
Ventre
Mar
Telúrica
 * A atribuição destas divindades aos elementos é puramente experimental, sem caráter definitivo.

Tabela 2

VII

Níab

Espírito

VIII

Luz do Mundo

Devoção

 

IX

Lua

Alma

Bua

Céu

Sabedoria

IV

Nuvens

Mente

V

Vento

Respiração 

VI

Pedras

Ossos

Brí

Terra

Movimento

I

Terra

Corpo

II

Mar

Sangue

 

III

Sol

Rosto

Dán

Mar

Aquecimento

Sabedoria

IX – Lua – alma – influência, irradiação
VIII – Luz do Mundo – devoção – valorização
VII – Níab – espírito – comunicação

Movimento

VI – Pedras – ossos – independência, rigidez, egocentrismo
V – Vento – respiração – robustez, resistência
IV – Nuvens – mente – gravidade, seriedade, confiabilidade

Aquecimento

III – Sol – rosto – beleza, saúde
II – Mar – sangue – estabilidade, constância, equilíbrio
I – Terra – corpo – vigor, vitalidade, dinamismo

Bellouesus /|\

Quaisquer perguntas somente serão respondidas pelo e-mail nemetonbeleni@gmail.com ou pelo fórum Nemeton Beleni.

Rito Divinatório

Nemeton Beleni

omago

O estudo de qualquer tema examinado no Nemeton Beleni deve ser precedido pela Oração antes dos Estudos, inclusive este que você agora está lendo. Portanto, pare e recite a oração.

O uso de qualquer ferramenta divinatória pela sistemática adotada pelo Nemeton Beleni abrange necessariamente os seguintes passos:

1o. A Primeira Invocação
2o. Runā antes da Oração
3o. A Invocação do Iluminador
4o. 5 Divinação propriamente dita conforme o método escolhido.

Pela leitura de “A Invocação do Iluminador”, você terá compreendido que a divinação ocorre dentro dele. Quando a ferramente divinatória possuir um rito próprio, este será realizado dentro do rito divinatório geral (Invocação do Iluminador), “aninhado” dentro dele como uma matriosca dentro da outra.

Bellouesus /|

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Oração antes dos Estudos

Nemeton Beleni

A recitação desta prece deve sempre anteceder o estudos, meditações e quaisquer práticas ligadas às atividades do Nemeton Belenī, por mais corriqueiras e banais que pareçam, e ser acompanhada pelo gesto da Aveleira.

Coll, a Aveleira, representa o Conhecimento e a Inspiração que devem ser buscados pelo estudante a cada momento. Faça do seu tempo de estudo uma oferenda aos Deuses, dedicada a refletir a respeito deles e honrá-los.

collGaulês Antigo

Molātūs Dedmē Ollodagāi Krundyūi!

Ā Lugus, Ilukerdānon Magale,
Ā Belene, Andewātis Weryakkī,
Ā Brigindū, Mātīr Ouξamā Rowiđđous,
Ā Taranus, Bremī Nemomarkāke,
Ā Toutatis, Awete Riyotātos Eξobne.
Biyetū sin swadū Komenonāi Dēwobok ollobo en Bitubi Tribi.

Gaulês Moderno

Mólath A Rhéith hOldhái In Olvithu!

Lúi, Maial Cerdhlé Élu
Bélen, Gwáth Már ach Gwir’iach
Brín, Máthir hUcham Gwísu Már
Taran, Marchis Nemeth en Gharghar
Tóthath, Diadhrethíath Riúas Echovn
O bí sin súadh a Wenvethan Dhéach ach a Dhéié ol en…

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