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Um texto de Proklos

proklos“Ele [isto é, Proklos], fala primeiramente sobre as diferenças que separam os assim chamados poderes divinos, como alguns são mais materiais e outros mais imateriais, alguns alegres e outros solenes, alguns chegam trazendo dáimons e outros chegam puros. Imediatamente depois, ele prossegue com as condições adequadas para a invocação. Os lugares onde ocorrem, sobre aqueles homens e mulheres que veem a luz divina e sobre os gestos e sinais divinos que eles executam. Nesse momento, ele faz referência às teagogias da inspiração divina. Das quais, ele diz, algumas agem sobre objetos inanimados e outras sobre seres animados; algumas sobre aqueles que são racionais, outra sobre os irracionais. Objetos inanimados, ele continua, são com frequência preenchidos pela luz divina, como as estátuas que dão oráculos sob a inspiração de um dos deuses ou bons dáimons. Assim, também há homens que são possuídos e que recebem o espírito divino. Alguns recebem-no espontaneamente, como aqueles dos quais se diz que são tomados pelo deus, seja em momentos particulares, intermitentes, ou numa ocasião qualquer. Há outros que levam a si mesmos até um estado de inspiração por ações deliberadas, como a profetisa de Delfos quando se senta sobre a fenda, e outros que bebem da água divinatória. Em seguida, depois de dizer o que eles têm de fazer, continua: quando essas coisas ocorrem, então, tendo em vista que uma teagogia e sua inspiração efetivem-se, eles devem ser acompanhados por uma mudança na consciência. Quando a inspiração divina chega, há alguns casos em que os possuídos ficam completamente fora de si. Mas há outros em que, de algum modo extraordinário, eles mantêm a consciência. Nesse caso, é possível para o sujeito trabalhar a teagogia sobre si mesmo e, quando ele recebe a inspiração, está consciente do que ela faz e do que diz e do que ele tem de fazer para soltar o mecanismo. Contudo, quando a perda da consciência é total, é essencial que alguém, no pleno comando de suas faculdades, assista o possuído. Então, depois de muitos detalhes sobre os diferentes tipos de teagogia, ele finalmente conclui: é necessário começar por remover todos os obstáculos que bloqueiam a chegada dos deuses e impor uma absoluta calma ao redor de nós mesmos para que a manifestação dos espíritos que invocamos tenha lugar sem tumulto e em paz. Ele acrescenta depois: as manifestações dos deuses são muitas vezes acompanhadas por espíritos materiais que chegam e movem-se com um certo grau de violência e a que os médiuns mais fracos não podem resistir.”

Esse texto chama-se Sobre a Possessão Divina e é um resumo de um trabalho perdido de Proklos Diadokhos. Proklos viveu no séc. V d. C. e foi o último grande mestre da escola platônica. Num mundo já cristianizado, ele defendeu abertamente o paganismo e praticou a teurgia. Escreveu também sobre matemática, astronomia e gramática.

O leitor conhecedor do espiritismo deve estar familiarizado não com as palavras, mas com o conteúdo do texto acima, pois terá certamente percebido que o autor está falando sobre mediunidade, inclusive sobre a produção de fenômenos físicos que eram comuns nos primeiros tempos do espiritismo e ainda podem ser encontrados hoje. Esse livro, Sobre a Possessão Divina, foi um tipo de Livro dos Médiuns do último período do paganismo grego, mostrando que os antigos já se ocupavam dessa questão de forma sistemática.

Bellouesus /|\

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