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Arekailaχtā Petruprennon – O Oráculo das Quatro Árvores

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litus 5

Arekailaχtā Petruprennon – O Oráculo das Quatro Árvores

Bellou̯esus Īsarnos

Apresentado no IV Encontro Paulista de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico – São Paulo/SP – 08/10/2017

Instruções

Oração antes dos Estudos

A recitação desta prece deve sempre anteceder o estudos, meditações e quaisquer práticas ligadas às atividades do Nemeton Belenī, por mais corriqueiras e banais que pareçam, e ser acompanhada pelo gesto da Aveleira.

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Oração antes dos Estudos

Louvor à Lei Perfeita do Universo!

Ó Lugus, Príncipe das Múltiplas Artes,
Ó Belenos, Grande Profeta e Curador,
Ó Brigindū, Mãe Nobilíssima do Grande Conhecimento,
Ó Taranus, Cavaleiro Celeste da Voz Potente,
Ó Toutatis, Defensor Valente da Liberdade.
Que isto seja agradável à Memória Divina e a todos os Deuses nos Três Mundos.

Coll, a Aveleira, representa o Conhecimento e a Inspiração que devem ser buscados pelo estudante a cada momento. Faça do seu tempo de estudo uma oferenda aos Deuses, dedicada a refletir a respeito deles e honrá-los.

Instruções

§1 Este oráculo pode ser usado para elucidar a mensagem de outra ferramenta divinatória ou independentemente.

§2 Cinco árvores são necessárias para realizar a divinação, havendo um número associado a cada árvore.

§3 Tais árvores e os números a elas associados são: 1 – Betu̯ā, “bétula”: B(eith); 3 – U̯ernos, “amieiro”: F(ern); 4 – Salikos, “salgueiro”: S(ail) e 6 – Outos, “terror” (Skwiiatos, “espinheiro-branco”): H(úath).

§4 Os caracteres que lhes são correspondentes devem ser inscritos em bastões assim confeccionados:

litus 2

litus 3

§5 A extremidade vermelha será considerada como a superior.

§6 Dados comuns de seis faces também podem ser usados; nesse caso, apenas os resultados 1, 3, 4 e 6 serão considerados.

§7 Um só bastão ogâmico pode ser jogado cinco vezes para fornecer as cinco árvores necessárias à divinação; um só dado pode ser jogado cinco vezes para fornecer os cinco números necessários à divinação.

§8 Se dados forem usados e oferecerem os resultados 2 ou 5, deve-se jogá-los novamente até que surja um resultado passível de uso.

§9 Antes da consulta ao oráculo, o Rito Divinatório deve ser realizado. Se o oráculo for usado como meio para esclarecer a mensagem de outra ferramenta divinatória, o Rito Divinatório  será desnecessário. Se o oráculo for usado independentemente, o Rito Divinatório envolverá os bastões/dados.

§10 Lugus e sobretudo Belenos regem este oráculo. Antes de jogar os bastões/dados, acrescente ao Rito Divinatório esta prece:

Belene Arī Lugusk, u̯edete kamman!
Tī, kenχte, sepomos: tause.
U̯esu̯an lubi arekailī.
Belenos Argi̯os roedamēeore,
Sindan eχs senisamonbi arekailāχtan.

Senhor Belenos e Lugus, guiai o caminho!
A ti, que caminhas, dizemos: silencia.
Aproveita a excelência do oráculo.
Deu-o a nós Belenos Brilhante,
Esta arte divinatória dos ancestrais.

Regentes dos jogos oraculares

Belenos: dēu̯os da cura e da profecia.
Lugus: dēu̯os dos juramentos, leis e jogos.
Adsaχsonā: “Intercessora”, dēu̯ā da justiça e da profecia.
Brigindū: dēu̯ā dos ofícios, do conhecimento e da estratégia, controladora dos jogos oraculares em seu aspecto triplo.
Trīs Brigindones (Brigindū Dubus, “Negra”, Brigindū Klou̯odānus, “Famosa-por-seu-Dom”, Brigindū Kēros, “Sorveira”): a dēu̯ā Brigindū em seu aspecto triplo, regente do avispício (presságios tirados do voo ou canto das aves) e dos jogos oraculares.

litus 4

Arekailaχtā Petruprennon

O Oráculo das Quatro Árvores

1 Dados: 1.1.1.1.1 = 5
Deidade: Taranus Ouχsamos (Taranus, o Mais Alto)
Oráculo: Se vês cinco bétulas: Taranus inspirará bons pensamentos à tua mente, peregrino; concederá felicidade ao teu trabalho, pelo que agradecerás. Apazigua antes, porém, Nantosu̯eltā e Lugus.

2 Dados: 1.1.1.1.3 = 7
Deidade: Katubodu̯̯ā (O Corvo da Batalha)
Oráculo: Se vês quatro bétulas e um amieiro: Se evitares a inimizade e a hostilidade, alcançarás o teu prêmio; conseguirás e a dēu̯ā dos olhos vivazes salvar-te-á. A atividade que tens em mente resultará como desejas.

3 Dados: 4.1.1.1.1 = 8
Deidade: Mātres (As Mães)
Oráculo: Se vês um salgueiro e quatro bétulas: Não faças o negócio a que te estás dedicando; o resultado não será bom. Será difícil ou mesmo impossível com alguém que se desgaste totalmente. Contudo, se te afastares por algum tempo, disso não virá nenhum dano.

4 Dados: 3.3.1.1.1 = 9
Deidade: Eriros Taranous (A Águia de Taranus)
Oráculo: Se vês dois amieiros e três bétulas: Uma águia que voa alto à direita do peregrino será um bom presságio; com o auxílio de Taranus Māisamos [“Taranus, o Maior”], atingirás o teu objetivo. Não temas.

5 Dados: 6.1.1.1.1 = 10
Deidade: Dēu̯os Māisamos (O Dēu̯os Maior)
Oráculo: Se vês um espinheiro e quatro bétulas: Será melhor cumprires qualquer voto que tenhas feito ao dēu̯os, caso pretendas realizar o que meditas na tua mente. Rīganī e Taranus salvar-te-ão.

6 Dados: 1.1.1.4.3 = 10
Deidade: Ratus Sukondos (O Destino Previdente)
Oráculo: Se vês três bétulas, um salgueiro e um amieiro: Não faças o negócio que estás prestes a fazer; quanto à própria intenção que tens, os dēu̯oi a estão impedindo, mas libertar-te-ão da fadiga e nenhum dano atingir-te-á.

7 Dados: 3.3.3.1.1 = 11
Deidade: Brigindū Boudikā (Brigindū, a Vitoriosa)
Oráculo: Se vês três amieiros e duas bétulas: Tomarás o que desejas e tudo alcançarás; a dēu̯ā tornar-te-á honrado e sobrepujarás os teus inimigos; o plano que estás prestes a realizar correrá conforme o teu desejo.

8 Dados: 4.4.1.1.1 = 11
Deidade: Boudi Lauēnon (A Vitória Feliz)
Oráculo: Se vês dois salgueiros e três bétulas: Realiza todo o teu empreendimento, pois tudo sairá bem. Os dēu̯oi resgatarão do seu leito aquele que se acha enfermo. O dēu̯os também anuncia que aquele que se encontra noutro país voltará ao lar.

9 Dados: 4.1.1.3.3 = 12
Deidade: Belenos I̯akkos (Belenos, o Curador)
Oráculo: Se vês um salgueiro, duas bétulas e dois amieiros: Uma tempestade atingirá o teu empreendimento, porém este resultará bem. O dēu̯os também anuncia que libertará aquele que está doente em razão do sofrimento e os dēu̯oi trarão em segurança para casa o que se encontra longe.

10 Dados: 1.1.1.6.3 = 12
Deidade: Bou̯indā Belisamā (A Muito Poderosa Bou̯indā)
Oráculo: Se vês três bétulas, um espinheiro e um amieiro: Não te apresses para ir em frente; é impossível avançar. É melhor que esperes. Se te preparas para correr irrefletidamente, causarás grande dano a ti mesmo. Se, entretanto, esperares, o tempo imaculado realizará tudo.

11 Dados: 1.1.1.6.4 = 13
Deidade: Nantosu̯eltā (A Jovem Rainha do Amor e dos Mortos)
Oráculo: Se vês três bétulas e um espinheiro e um salgueiro: veleja para onde desejares, retornarás cheio de contentamento, pois terás encontrado e realizado tudo o que meditaste em teu pensamento; contudo, ora a Nantosu̯eltā e Lugus.

12 Dados: 1.3.3.3.3 = 13
Deidade: Taranus ak Brigindū (Taranus e Brigindū)
Oráculo: Se vês uma bétula e quatro amieiros: estás apto para qualquer empresa e pronto para qualquer empreendimento. Os dēu̯oi facilmente socorrerão o que se achar enfermo e tudo ficará bem em relação aos outros oráculos.

13 Dados: 4.4.1.1.3 = 13
Deidade: Rāti̯ās (As Estações)
Oráculo: Se vês dois salgueiros, duas bétulas e um amieiro: é impossível prosseguir. Os dēu̯oi não permitirão o plano que imaginaste, então espera. Será terrível caso te arrisques a mergulhar em inimizade, competição e provações.

14 Dados: 1.3.3.3.4 = 14
Deidade: Kirki̯os (O Dēu̯os do Vento)
Oráculo: Se vês uma bétula, três amieiros e um salgueiro: o dēu̯os diz que estás dando socos na ponta de uma faca, lutando contra o mar, caçando uma agulha num palheiro. Não te apresses em fazer transações. Não te servirá em nada querer forçar os dēu̯oi no momento errado.

15 Dados: 6.1.1.3.3 = 14
Deidade: Prenniatis (O Distribuidor da Sorte)
Oráculo: Se vês um espinheiro, duas bétulas e dois amieiros: não planejes coisas medonhas nem ores pelo que for contra os dēu̯oi. Disso não se obterá ganho algum e recompensa nenhuma virá do caminho que estás trilhando.

16 Dados: 4.4.4.1.1 = 14
Deidade: Suprenniatis (O Bom Distribuidor da Sorte)
Oráculo: Se vês três salgueiros e duas bétulas: a deidade conduzir-te-á no caminho que percorres e a amante dos sorrisos, Nantosu̯eltā, guiar-te-á para boas coisas. Retornarás com os frutos ricos de um destino tranquilo.

17 Dados: 1.3.3.4.4 = 15
Deidade: Taranus Arepetaunos (Taranus, o Salvador)
Oráculo: Se vês uma bétula, dois amieiros e dois salgueiros: aproxima-te com bravura do que planejaste fazer, realiza-o! Vencerás, pois os dēu̯oi deram-te estes sinais favoráveis, não os desprezes nos teus propósitos. Nada de mal disso virá.

18 Dados: 1.1.1.6.6 = 15
Deidade: Taranus Klitos (Taranus, o Oculto)
Oráculo: Se vês três bétulas e dois espinheiros: o dēu̯os anuncia-te que empreendas com coragem o que planejaste em tua mente, pois tudo ser-te-á dado. Realizarás o que quer que te diga a tua mente e Taranus, que no alto troveja, contigo estará como teu salvador.

19 Dados: 3.3.3.3.3 = 15
Deidade: Bou̯indā Arepetaunā (Bou̯indā, a Salvadora)
Oráculo: Se vês cinco amieiros: a mulher que deu à luz uma criança estava com os seios secos, porém floresceu novamente e tem agora leite em abundância. Também tu, então, colherás os frutos daquilo que me pedes.

20 Dados: 4.3.6.1.1 = 15
Deidade: Taranus Allobrogi̯os (Taranus dos Estrangeiros)
Oráculo: Se vês um salgueiro, um amieiro, um espinheiro e duas bétulas: não te apresses com as atividades previstas, o tempo ainda não chegou. Os dēu̯oi facilmente salvarão o que se encontra doente e o dēu̯os anuncia que dará fim à jornada do que se encontra em terra estrangeira.

21 Dados: 6.3.3.3.1 = 16
Deidade: Ogmi̯os (O Dēu̯os da Eloquência e da Guerra)
Oráculo: Se vês um salgueiro, três amieiros e uma bétula: o momento ainda não chegou. Não te apresses tanto, não ajas em vão ou como a cadela que deu à luz um filhote cego. Raciocina calmamente e o dēu̯os conduzir-te-á.

22 Dados: 6.4.4.1.1 = 16
Deidade: Toutātis (O Dēu̯os Protetor de cada Toutā)
Oráculo: Se vês um espinheiro, dois salgueiros e duas bétulas: por que te apressas? Espera com calma, o momento ainda não chegou. Quando te apressas de modo insensato e vão, persegues algo que ainda não está pronto. Ainda não vejo o momento adequado, porém terás sucesso se esperares apenas um pouco.

23 Dados: 4.3.3.3.3 = 16
Deidade: Sukellos (O Bom Golpeador)
Oráculo: Se vês um salgueiro e quatro amieiros: Escorpiões escondem-se no teu caminho, não te apresses para os negócios que tencionas; espera e o que desejas chegará mais tarde. Não é melhor agora nem comprar nem vender.

24 Dados: 4.4.4.1.3 = 16
Deidade: Belenos Arekailoberos (Belenos, o Portador de Oráculos)
Oráculo: Se vês três salgueiros, uma bétula e um amieiro: Não te apresses, melhor será que não vás. Quando desejares precipitar-te sem refletir, causarás muito dano a ti mesmo. Contudo, quando ficares quieto e firme, o tempo sem máculas tudo realizará.

25 Dados: 6.6.1.1.3 = 17
Deidade: Rīganī Nemesos (A Rainha do Céu)
Oráculo: Se vês dois espinheiros, duas bétulas e um amieiro: entra e recebe a voz do oráculo! O tempo também está maduro para o casamento; casarás e voltarás para casa. Tendo encontrado aquilo que te causava ansiedade, alcançarás tudo o que desejas nos teus negócios.

26 Dados: 1.3.3.4.6 = 17
Deidade: Lugus Arepetaunos (Lugus, o Salvador)
Oráculo: Se vês uma bétula, dois amieiros, um salgueiro e um espinheiro: nada vejo doloroso entre as coisas que me perguntas; não penses pequeno, avança com coragem; encontrarás tudo o que desejas: cumprir-se-á tua jura e há um momento perfeito para ti.

27 Dados: 4.4.3.3.3 = 17
Deidade: Esus (O Dēu̯os da Regeneração e da Fertilidade)
Oráculo: Se vês dois salgueiros e três amieiros: toma coragem e luta, Taranus Selu̯orīχs (“Rico em Propriedades”) será o teu auxiliador. Castigarás o teu oponente e te-lo-ás sob o teu punho e ele dará contentamento às obras pelas quais lhe agradecerás.

28 Dados: 1.4.4.4.4 = 17
Deidade: Dīgalā (A Vingança)
Oráculo: Se vês uma bétula e quatro salgueiros: Prenniatis agora cumprirá tudo para ti e conduzir-te-á pelo caminho certo. Realizarás tudo de acordo com os teus planos. Não te desgastes mais. Realizarás lindamente o que desejares.

29 Dados: 6.6.1.1.4 = 18
Deidade: Nemetonā (A Dēu̯ā do Santuário)
Oráculo: Se vês dois espinheiros, duas bétulas e um salgueiro: faz o teu negócio e toma-o a teu cargo; o momento será favorável. Entrementes, dificuldades e perigo estarão no caminho. Quanto aos demais oráculos, as coisas correrão bem para ti.

30 Dados: 1.6.4.4.3 = 18
Deidade: Taranus Louketos (Taranus do Relâmpago)
Oráculo: Se vês uma bétula, um espinheiro, dois salgueiros e um amieiro: o que planejas não sairá como o desejas, quando o realizares. Não será proveitoso viajar a terras estrangeiras. Não mostrarás perspicácia se venderes agora, tampouco isso será lucrativo.

31 Dados: 4.4.4.3.3 = 18
Deidade: Prenniatis Māisamos (O Maior Distribuidor da Sorte)
Oráculo: Se vês três salgueiros e dois amieiros: não vejo este plano como seguro para ti; espera, portanto. Terás êxito, haverá boa sorte depois disso. Por enquanto, fica calmo, confia nos dēu̯oi e permanece solícito.

32 Dados: 6.3.3.3.3 = 18
Deidade: Dagou̯extā (O Bom Momento)
Oráculo: Se vês um espinheiro e quatro amieiros: não te apresses, Prenniatis opõe-se a ti; não ajas como o néscio que deseja colher antes do amadurecimento do fruto. Reflete com calma e as coisas correrão favoravelmente para ti.

33 Dados: 6.6.1.3.3 = 19
Deidade: Sukobron (O Bom Desejo)
Oráculo: Se vês dois espinheiros, uma bétula e dois amieiros: tudo sobre o que me perguntas virá a ti suave e seguramente; Prenniatis guiar-te-á rumo ao que desejas, dará fim às dificuldades dolorosas e verás que eram infundadas as suspeitas.

34 Dados: 4.4.4.6.1 = 19
Deidade: Taranus Teχtomāros (Taranus, o Grande em Posses)
Oráculo: Se vês três salgueiros, um espinheiro e uma bétula: avança com bravura, o oráculo é sobre esperança, forasteiro; anuncia também que a pessoa enferma será salva. Se precisas consultar um oráculo, receberás o que desejas.

35 Dados: 3.4.4.4.4 = 19
Deidade: Lugus Boudimāros (Lugus, o que dá a Vitória)
Oráculo: Se vês um amieiro e quatro salgueiros: Taranus inspirará um bom plano à tua mente, forasteiro; assim, tudo ficará bem, empreende o que desejares. Encontrarás o que solicitares ao oráculo e nada correrá mal para ti.

36 Dados: 3.3.3.6.4 = 19
Deidade: Boudi (A Vitória)
Oráculo: Se vês três amieiros, um espinheiro e um salgueiro: pronuncias um bom oráculo, forasteiro; bem refletiste a respeito dele, farás o que quiseres e o dēu̯os será teu auxiliar. Vencerás, colherás os frutos e tudo alcançarás.

37 Dados: 4.4.4.4.4 = 20
Deidade: Mātres Dīađđeχtās (As Mães Inescapáveis)
Oráculo: Se vês cinco salgueiros: o sol se pôs e a noite terrível chegou, tudo tornou-se escuro. Interrompe o assunto sobre o qual me perguntaste; é melhor não comprar nem vender.

38 Dados: 4.3.6.6.1 = 20
Deidade: Lugrā (A Lua)
Oráculo: Se vês um salgueiro, um amieiro, dois espinheiros e uma bétula: não te ocupes com esse negócio, forasteiro; as coisas não sairão bem para ti. O dēu̯os anuncia que ajudará aquele que se acha enfermo e, se houver qualquer receio, nada de mal te acontecerá.

39 Dados: 6.3.3.4.4 = 20
Deidade: I̯emonoi Aneχtlomāroi (Os Gêmeos que dão Grande Proteção)
Oráculo: Se vês um espinheiro, dois amieiros e dois salgueiros: um homem afobado não obtém tudo o que a oportunidade tem a oferecer. Tens algum lucro e há receio em toda parte devido ao perigo. A tua iniciativa é malsinada e tudo é penoso. Toma cuidado!

40 Dados: 6.6.6.1.1 = 20
Deidade: Gobannos (O Dēu̯os da Forja)
Oráculo: Se vês três espinheiros e duas bétulas: o oráculo dirá que é impossível fazer qualquer negócio; não te esforces em vão! E não queiras levantar cada pedra do caminho, pois bem podes achar um escorpião. O nervosismo não te trará sorte, acautela-te contra toda sorte de infortúnio!

41 Dados: 6.6.4.4.1 = 21
Deidade: Rosmertā (A Boa Provedora)
Oráculo: Se vês dois espinheiros, dois salgueiros e uma bétula: tudo sobre o que me perguntas surgirá suave e seguramente no teu caminho; não temas, Prenniatis conduzir-te-á rumo ao teu objetivo. Nada vejo que te possa causar dano. Anima-te e vai em frente.

42 Dados: 4.4.4.6.3 = 21
Deidade: Grannos Loukoberos (Grannos, o Portador da Luz)
Oráculo: Se vês três salgueiros, um espinheiro e um amieiro: alcançarás tudo o que desejas e descobrirás o que te causa inquietação. Tenta, forasteiro, depois de tomares coragem; tudo está pronto. Encontrarás o que está oculto, chegarás ao dia da tua salvação.

43 Dados: 3.3.3.6.6 = 21
Deidade: Surati̯ā (A Boa Sorte)
Oráculo: Se vês três amieiros e dois espinheiros: os teus assuntos estão indo bem; o oráculo diz que deves continuar. Escaparás da enfermidade difícil e tudo dominarás. O dēu̯os anuncia que aquele que vagueia em terras estrangeiras retornará.

44 Dados: 1.6.6.6.3 = 22
Deidade: Mātres Arederkākās (As Mães Bem Conhecidas)
Oráculo: Se vês uma bétula, três espinheiros e um amieiro: Não ponhas a tua mão na boca do lobo para que não sofras algum dano. O assunto sobre o qual perguntas é difícil e delicado. Melhor ficares quieto, evitando viagens e transações comerciais.

45 Dados: 4.4.4.4.6 = 22
Deidade: Nodenđ (O Dēu̯os do Mar)
Oráculo: Se vês quatro salgueiros e um espinheiro: o oráculo diz que lançar sementes às ondas ou escrever cartas na água agitada do mar é inútil e sem proveito. Uma vez que és mortal, não leves o dēu̯os a prejudicar-te.

46 Dados: 4.3.3.6.6 = 22
Deidade: Kamulos Outros (Kamulos, o Terrível)
Oráculo: Se vês um salgueiro, três amieiros e dois sabugueiros: não inicies a viagem que tencionavas, forasteiro! Ninguém o fará. Um grande leão de fogo espera à frente, contra o qual deves precaver-te, terrível é ele. O oráculo é obstinado, espera quietamente.

47 Dados: 1.6.6.6.4 = 23
Deidade: Brigindū (A Dēu̯ā da Sabedoria e dos Ofícios)
Oráculo: Se vês uma bétula, três espinheiros e um salgueiro: honra Brigindū e tudo obterás, o que quer que desejes, e tudo o que planejas correrá bem; ela libertará dos grilhões e salvará a pessoa que estiver enferma.

48 Dados: 6.6.4.4.3 = 23
Deidade: Lau̯eni̯ā (A Felicidade)
Oráculo: Se vês dois espinheiros, dois salgueiros e um amieiro: veleja, parte para onde quiseres, retornarás ao lar, tendo encontrado e feito tudo de acordo com o teu desejo; assim, comprar e negociar trarão contentamento.

49 Dados: 6.6.6.3.3 = 24
Deidade: Belenos U̯ātis (Belenos, o Profeta)
Oráculo: Se vês três espinheiros e dois amieiros: fica onde estás, não ajas, obedece os oráculos de Belenos. Com o tempo, acharás o momento adequado, porém fica quieto neste momento. Se esperares um pouco, conseguirás tudo o que desejas.

50 Dados: 4.4.4.6.6 = 24
Deidade: Sukellos Orgetos (Sukellos, o Destruidor)
Oráculo: Se vês três salgueiros e dois espinheiros: fica em casa com os teus bens e não vás a nenhum outro lugar, a fim de que um monstros e espíritos malignos não se aproximem de ti. Não considero essa iniciativa como confiável e segura.

51 Dados: 4.6.6.6.3 = 25
Deidade: Lugros Andeargi̯os (O Dēu̯os Lunar Muito Brilhante)
Oráculo: Se vês um salgueiro, três espinheiros e um amieiro: toma coragem; tens uma oportunidade; alcançarás o que desejares e chegarás ao momento certo para o começo da tua viagem; o teu esforço terá a sua chance; é bom que tomes parte em obras, disputas e contenciosos.

52 Dados: 6.6.6.6.1 = 25
Deidade: Eponā Mātīr Dēu̯on (Eponā, a Mãe dos Deuses)
Oráculo: Se vês quatro espinheiros e uma bétula: assim como lobos sobrepujam carneiros e poderosos corcéis sobrepujam bois de largos cascos, também tu dominarás tudo isso e tudo sobre o que perguntas será teu com o auxílio de Lugus Boudimāros (“Lugus, o que dá a Vitória”).

53 Dados: 6.6.6.4.4 = 26
Deidade: Taranus Klitos (Taranus, o Oculto)
Oráculo: Se vês três espinheiros e dois salgueiros: o negócio tem os seus obstáculos. Não te apresses, mas espera. Há um caminho doloroso, impossível de percorrer e do qual não deves aproximar-te. Comprar será desconsolador e vender causará perdas.

54 Dados: 6.6.6.6.3 = 27
Deidade: Nantosu̯eltā Nemesi̯ā (Nantosu̯eltā, a Celeste)
Oráculo: Se vês quatro espinheiros e um amieiro: Isso significa que a Filha do Senhor do Céu, Nantosu̯eltā, grande senhora do Mundo Escuro, envia-te um bom oráculo. Ser-te-á concedida uma viagem para que escapes da enfermidade e de todo pensamento vão e soberbo.

55 Dados: 6.6.6.6.4 = 28
Deidade: Arekou̯ednis (O Dano)
Oráculo: Se vês quatro espinheiros e um salgueiro: isso significa que é impossível realizar qualquer coisa fútil; não te esforces em vão e inutilmente a fim de não sofreres dano em razão da tua persistência. Não é bom começar uma viagem ou a fazer negócios.

56 Dados: 6.6.6.6.6 = 30
Deidade: Lugus Anton (Lugus das Fronteiras)
Oráculo: Se vês seis espinheiros: aonde quer que pretendas ir, não vás. Será melhor para ti que fiques onde estás. Vejo algo que te é hostil; espera, portanto. Mais tarde, isso será possível e o dēu̯os libertar-te-á do medo e salvar-te-á de duras labutas.

Dēu̯itatis Arekailaχtās Petruprennon

As Deidades do Oráculo das Quatro Árvores

1) Arekou̯ednis – O Dano
2) Belenos I̯akkos – Belenos, o Curador
3) Belenos Kailoberos – Belenos, o Portador de Oráculos
4) Belenos U̯ātis – Belenos, o Profeta
5) Boudi – A Vitória6) Boudi Lauēnon – A Vitória Feliz
7) Bou̯indā Arepetaunā – Bou̯indā, a Salvadora
8) Bou̯indā Belisamā – A Muito Poderosa Bou̯indā
9) Brigindū – A Dēu̯ā da Sabedoria e dos Ofícios
10) Brigindū Boudikā – Brigindū, a Vitoriosa
11) Dagou̯eχtā – O Bom Momento
12) Dēu̯os Māisamos – O Dēu̯os Maior
13) Dīgalā – A Vingança
14) Eponā Mātīr Dēu̯on – Eponā, a Mãe dos Deuses
15) Eriros Taranous – A Águia de Taranus
16) Esus – O Dēu̯os da Regeneração e da Fertilidade
17) Gobannos – O Dēu̯os da Forja
18) Grannos Loukoberos – Grannos, o Portador da Luz
19) I̯emonoi Aneχtlomāroi – Os Gêmeos que dão Grande Proteção
20) Kamulos Outros – Kamulos, o Terrível
21) Katubodu̯̯ā – O Corvo da Batalha
22) Kirki̯os – O Dēu̯os do Vento
23) Lau̯eni̯ā – A Felicidade
24) Lugrā – A Lua
25) Lugros Andeargi̯os – O Dēu̯os Lunar Muito Brilhante
26) Lugus Anton – Lugus das Fronteiras
27) Lugus Arepetaunos – Lugus, o Salvador
28) Lugus Boudimāros – Lugus, o que dá a Vitória
29) Mātres – As Mães
30) Mātres Arederkākās – As Mães Bem Conhecidas
31) Mātres Dīatteχtās – As Mães Inescapáveis
32) Nantosu̯eltā – A Jovem Rainha do Amor e dos Mortos
33) Nantosu̯eltā Nemesi̯ā – Nantosu̯eltā, a Celeste
34) Nemetonā – A Dēu̯ā do Santuário
35) Nodenđ – O Dēu̯os do Mar
36) Ogmi̯os – O Dēu̯os da Eloquência e da Guerra
37) Prenniatis – O Distribuidor da Sorte
38) Prenniatis Māisamos – O Maior Distribuidor da Sorte
39) Rāti̯ās – As Estações
40) Ratus Sukondos – O Destino Previdente
41) Rīganī Nemesos – A Rainha do Céu
42) Rosmertā – A Boa Provedora
43) Sukellos – O Bom Golpeador
44) Sukellos Orgetos – Sukellos, o Destruidor
45) Sukobron – O Bom Desejo
46) Suprenniatis – O Bom Distribuidor da Sorte
47) Surati̯ā – A Boa Sorte
48) Taranus ak Brigindū – Taranus e Brigindū
49) Taranus Allobrogi̯os – Taranus dos Estrangeiros
50) Taranus Arepetaunos – Taranus, o Salvador
51) Taranus Klitos – Taranus, o Oculto
52) Taranus Louketos – Taranus do Relâmpago
53) Taranus Ouξamos – Taranus, o Mais Alto
54) Taranus Selu̯orīχs – Taranus, o Rico em Propriedades
55) Taranus Teχtomāros – Taranus, o Grande em Posses
56) Toutātis – O Dēu̯os Protetor de cada Toutā

Dēu̯ā – uma deusa, deidade feminina
Dēu̯oi – os deuses, deidades
Dēu̯os – um deus, deidade
Arekailaχtā – um oráculo (ferramenta oracular), conjunto de oráculos, a arte oracular
Arekailon – um presságio, oráculo
Petru – quatro
Prennon – uma árvore, a sorte

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Oração antes dos Estudos

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A recitação desta prece deve sempre anteceder o estudos, meditações e quaisquer práticas ligadas às atividades do Nemeton Belenī, por mais corriqueiras e banais que pareçam, e ser acompanhada pelo gesto da Aveleira.

Coll, a Aveleira, representa o Conhecimento e a Inspiração que devem ser buscados pelo estudante a cada momento. Faça do seu tempo de estudo uma oferenda aos Deuses, dedicada a refletir a respeito deles e honrá-los.

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Gaulês Antigo

Molātūs Dedmē Ollodagāi Krundyūi!

Ā Lugus, Ilukerdānon Magale,
Ā Belene, Andeu̯ātis U̯eri̯akkī,
Ā Brigindū, Mātīr Ouξamā Rou̯iđđous,
Ā Taranus, Bremī Nemomarkāke,
Ā Toutatis, Au̯ete Rii̯otātos Eξobne.
Bii̯etū sin su̯adū Komenonāi Dēu̯obok ollobo en Bitubi Tribi.

Gaulês Moderno

Mólath A Rhéith hOldhái In Olvithu!

Lúi, Maial Cerdhlé Élu
Bélen, Gwáth Már ach Gwir’iach
Brín, Máthir hUcham Gwísu Már
Taran, Marchis Nemeth en Gharghar
Tóthath, Diadhrethíath Riúas Echovn
O bí sin súadh a Wenvethan Dhéach ach a Dhéié ol en in Trí Bithúé

Tradução

Louvor à Lei Perfeita do Universo!

Ó Lugus, Príncipe das Múltiplas Artes,
Ó Belenos, Grande Profeta e Curador,
Ó Brigindū, Mãe Nobilíssima do Grande Conhecimento,
Ó Taranus, Cavaleiro Celeste de Voz Potente,
Ó Toutatis, Defensor Valente da Liberdade.
Que isto seja agradável à Memória Divina e a todos os Deuses nos Três Mundos (1).

Comentários

a) Lugus

Lugus, também chamado Lug ou Lugh (proto-céltico: *luco-, “lince/lobo” ou *leuk-, “claro, brilhante”), é um dos principais deuses da antiga religião dos povos célticos. Provavelmente, é a divindade que Iulius Caesar identificou ao romano Mercurius (o Hermes helênico). Seu culto foi difundido em todo o antigo mundo céltico, e o seu nome ocorre como elemento de muitos topônimos na Europa continental e nas Ilhas Britânicas, tais como Lyon, Laon, Leiden e Carlisle (antigamente Luguuallium, “Forte no deus Lugus”).

De acordo com a tradição irlandesa, Lug Lámfota (“Lug do Braço Longo”) foi o único sobrevivente de trigêmos com o mesmo nome. Pelo menos três dedicatórias a Lugus na forma plural, Lugoues, são conhecidas da Europa continental e a afinidade dos celtas com formas tríplices sugere que três deuses foram da mesma forma contemplados nessas dedicatórias. O filho de Lug, ou o próprio Lug renascido (de acordo com a crença irlandesa), foi o grande herói de Uladh, Cúchulainn (“Cão de Culann”).

Em Gales, como Lleu Llaw Gyffes (“Lleu da Mão Hábil”), acreditava-se também que ele tivera um nascimento estranho. Sua mãe era a deusa virgem Aranrot (2) (“Roda de Prata”). Quando o tio dela, o grande mágico Math, testou a sua virgindade por meio de uma vara mágica, ela em seguida deu à luz um menino que foi imediatamente levado por seu tio Gwydion e criado por ele. Aranrot então procurou repetidamente destruir o seu filho, mas sempre foi impedida pela magia poderosa de Gwydion; ela foi forçada a dar um nome ao menino e proporcionar-lhe armas; finalmente, como sua mãe lhe negasse uma esposa, Gwydion e Math criaram para Lleu uma mulher feita de flores.

Lug também era conhecido na tradição irlandesa como Samildánach (“hábil em todas as artes”). A variedade de seus atributos e a grandeza com que o seu festival, Lughnasadh (fixado a 1º. de agosto), era comemorado na Irlanda e na Grã-Bretanha indicam que Lugus é uma das mais poderosas e impressionantes de todas as antigas divindades célticas.

b) Belenos

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Primeiramente, apesar das associações do seu nome com o fogo ou o Sol, Belenos não era um deus solar. Na verdade, não há evidência de que o Sol tenha sido adorado como tal pelos celtas, ainda que o seu uso na iconografia religiosa fosse frequente. Mais de três dezenas de dedicatórias testemunham o culto a Belenos, um número incomumente elevado para uma religião notável pelo número e diversidade dos nomes e epítetos das suas deidades. O culto de Belenos foi praticado na Itália setentrional (Gália Cisalpina), Noricum (3), Alpes Orientais, Gália meridional e provavelmente na Grã-Bretanha.

Analisando a etimologia do nome de Belenos, o eminente Xavier Delamarre o traduz como “Senhor do Poder”:

belo-, bello-, “forte, poderoso”

Termos e tema frequente em NP [noms de personne, “nomes pessoais, teo-/antropônimos”]: Belinos, Belinicos, Belisama, Bellus, Bellona, Bello-gnati, Bello-rix, Bello-uacus, Bello-uaedius, Bello-uesus, H1 384-95, KGP 147, RDG 28. Os NR [noms de rivière, “nomes de rio, hidrônimos”] Bienne e Biel (Suíça) remontam a *Belenā. A forma Belisama mostra que se relaciona a um superlativo de um tema belo- ou beli-, do qual bello- seria a forma hipocorística. O fato de que Belenos seria, segundo a interpretação romana, o Apolo gaulês, divindade “solar”, levou a que essa designação fosse compreendida como “o luminoso, o brilhante”, cf., p. ex., de Vries 45: “O Apolo gaulês, possui, igualmente, estreitas ligações com o sol; seu epíteto Belenus seria o bastante para indicá-lo”. Faz-se a seguinte interpretação etimológica pelas raízes i.-e. [indo-europeias] imaginárias *gwel- “brilhar” (há um *ĝwelH- “queimar”, nicht ganz sicher [“não muito seguro”] no LIV 151, sânscrito jválati) ou o incerto *bhal: grego phálos “branco”, armênio bal “palidez”, sânscrito balâkâ “guindaste”, gótico bala “cinzento”, letão báltas, “branco”, eslavo antigo belo “id.”, que pressupõem, em todo caso, uma raiz *bhēl- / *bhǝl- [*bheh1l- / *bhh1l-] ou, graças à magia das “laringeais” com metátese *bhelH- (Stübr 120), mas não *bhel-; portanto, a raiz significa de modo constante “branco, cinzento, pálido”, porém não “brilhante”; veja-se o apanhado de Pokorny IEW 118-19. O provençal belé, belet “relâmpago”, FEW 1, 322, não é o bastante para criar-se uma palavra gaulesa. Sem dúvida por causa da geminação, K. H. Schmidt, KGP 147, terá visto em bello- uma forma curta de belatu-, o que me parece muito improvável.

Como se deve partir de uma base belo- ou beli-, segundo implicam os derivados Belinos, Belisama, parece-me preferível, por razões estritamente linguísticas, aproximá-la da raiz belo-, “força, forte”: sânscrito bálîyân, “mais forte”, bálisthah “o mais forte” (= balisamo- com a divisão dialetal regular do sufixo do superlativo, Porzig 99), grego beltíōn, béltistos “melhor, mais” (por *belíōn, bélistos), latim dē-bilis “baixo”, eslavo antigo boljiji “maior”, IEW 96, palavra que em geral serve para assegurar a existência do fonema b- em indo-europeu, Mayrhofer Idg. Gramm. I/2, 99. Assim, a designação Belisama deve ser compreendida como “A Muito Poderosa” e não como “A Muito Brilhante”, Belinos “O Senhor do Poder” (Bellona é, entre os Insubrii e os Scordisci, uma deusa da guerra, A. Reinach RC 34 [1913], 255, teônimo latino?) e Bello-uesus seria um composto dvandva + ou – “Forte e Bom” (4).

Embora não seja possível afirmá-lo com total certeza. Belenos é também a divindade associada ao festival gaélico chamado Beltane (5) (1º. de maio), tido como celebração da fertilidade, mas que era na realidade uma cerimônia de proteção realizada pelos druidas, como se entende deste trecho do Sanas Chormaic (6):

Belltaine .i. bil tene .i. tene soinmech .i. dáthene dognítis druidhe triathaircedlu (no cotinchetlaib) móraib combertis nacethrai arthedmannaib cacha bliadna cusnaténdtibsin [na margem esquerda: .[l]eictis nacethra etarru].

Belltaine, isto é, bil-tene, isto é, “fogo afortunado”, isto é, dois fogos que os druidas costumavam fazer com grandes encantamentos e eles costumavam trazer o gado como uma proteção contras doenças de cada ano a esses fogos [na margem esquerda: costumavam conduzir o gado entre eles.

Ligado à luz e ao poder de curar, Belenos é provavelmente o deus gaulês que Iulius Caesar identificou a Apolo, porém não o deus esteta dos helenos, o Apolo Muságeta (“condutor das musas”). Caesar explica a ideia que os gauleses faziam de Apolo: “Apolo afasta as doenças”. O Apolo gaulês é iátros (“médico”) e mântis (“adivinho”), o deus da cura e da profecia.

c) Brigindū

O que foi dito sobre Brigit nos Comentários ao Texto 2, letra “h” (7), pode ser extrapolado para Brigindū/Brigindonā/Brigantyā, porém com aspectos guerreiros mais pronunciados face à identificação com Victoria (a grega Nikē), personificação da vitória na guerra, em jogos atléticos e também sobre a morte, e Minerua (a grega Athēnā), deusa da sabedoria e protetora das artes (incluindo-se a magia, quando Brigindū passa a chamar-se Briχtā, “Magia, Encantamento”) e ofícios, do comércio e da estratégia.

d) Taranus/Taranis

O deus do trovão, adorado sobretudo na Gália, na Gallaecia (8), nas Ilhas Britânicas, na Renânia e no vale do Danúbio. O poeta romano Lucanus (9), na obra Pharsalia, citou Taranis como parte de uma tríade divina, cujos outros integrantes eram Esus e Toutatis.

Assim como o ciclope Brontes (“Trovão”) da mitologia grega, Taranis estava associado à roda. Iconograficamente, Taranis era representado em imagens provenientes da Gália como um homem barbado, carregando um raio numa das mãos e uma roda na outra. É claro o sincretismo com o deus romano Iuppiter.

O nome, tal como registrado por Lucanus, não possui atestação epigráfica, mas variantes, como Tanarus, Taranucno-, Taranuo- e Taraino- são conhecidas. Conforme informação prestado por Máksimos de Tyros (10) (Lógoi, “Discursos”, VIII, 8) o Zeus gaulês era adorado não sob a forma humana, mas como um carvalho: Κελτοὶ σέβὅσι μέν Δία, ἄγαλμα δὲ Διὸϛ Κελτὶκὸν ὑψηλὴ δρῦϛ (“os celtas sem dúvida adoram Zeus, porém honram-no sob a forma de um alto carvalho”).

e) Toutatis/Teutatis

“Deus da Tribo” (teuta/touta). Toutatis, como dito anteriormente, integra uma trindade de deuses mencionados pelo poeta romano Lucanus, juntamente a Esus e Taranus/Taranis. O comentador medieval de Lucanus (nos Commenta Bernensia [11] ) identifica Toutatis a Mercurius, Esus a Mars e Taranis a Dispater (Pluto). Caesar, no entanto, menciona (Commentarii de Bello Gallico, VI, 17) cinco deuses como sendo os mais importantes para os gauleses: Mercurius (Lugus, Lugh?), seguido de Apollo (Maponos, Esus, Belenos?), Mars (Toutatis?), Iuppiter (Taranis) e Minerua (Brigindu, Brigantia, Brigit?).

Considerando que são deuses de culturas diferentes, apresentando apenas certos traços em comum (o que teria permitido a aproximação), é difícil pretender uma identificação completa. Mesmo entre os deuses gregos e romanos havia discrepâncias.

O nome Toutatis deriva de *teutā (proto-céltico)/toutā (gaulês), “tribo, povo”, equivalente ao irlandês tuath, ao galês tud e origem do alemão Deutsch. Se correta a equivalência com Mars, Toutatis é um deus da guerra (protetor das fronteiras tribais) e da fertilidade (faz crescer as lavouras). Também pode ser um título para diferentes deuses tribais (cada tribo teria o seu Toutatis).

f) Komenonā

Divindade alegórica, é a personificação da Memória (12). Corresponde à grega Mnēmosýnē, deusa da memória e da lembrança, inventora da palavra e da linguagem, mãe das Musas.

Em uma cultura como a céltica, onde a transmissão do conhecimento se dava pela oralidade, Komenonā representa a qualidade fundamental para a preservação dos relatos históricos, das sagas dos heróis e dos mitos divinos. Desse modo, além de ser a Memória Divina, Komenonā é também a Senhora do Tempo e do Conhecimento.

g) Os Três Mundos, a Árvore do Mundo

Um dos conceitos mais importantes na mitologia pré-cristã indo-europeia (onde se inserem os celtas) era a “Árvore do Mundo” (13) (o carvalho ou alguma espécie de pinheiro). Os três níveis do Universo localizavam-se na árvore: o céu em sua copa, reino das divindades e corpos celestiais; o reino dos mortais em seu tronco; o reino dos mortos nas raízes. Esse era o eixo vertical da Árvore do Mundo.

O eixo vertical tinha seu paralelo na organização horizontal (ou geográfica) do mundo. O mundo dos deuses e mortais situava-se no centro da terra (considerada achatada), cercada pelo mar, além do qual se estendia a terra dos mortos, para onde as aves voavam no inverno e de onde retornavam na primavera. É importante observar que essa concepção encerrava a ideia de que uma massa de água devia ser atravessada para chegar-se ao reino dos mortos.

O eixo horizontal dividia-se nos quatro pontos cardeais, representando os quatro ventos principais. A Árvore do Mundo unia os dois eixos, o vertical (Mundo Superior, Médio e Inferior) e o horizontal (norte, leste, sul e oeste).

Cosmologias semelhantes podem ser encontradas entre outras culturas indo-europeias (como os germânicos e eslavos), possivelmente entre os celtas também. Mas, no caso destes, tal conclusão depende de analogia e interpretação, uma vez que não há nenhum testemunho direto endógeno (dos próprios celtas) ou exógeno (de outra cultura contemporânea) a respeito.

Textos medievais permitem entrever que, os irlandeses concebiam uma divisão tripla do Cosmo: Neamh (Céu), Talamh (Terra) e Mor (Mar) (14).

O Céu

Está associado aos corpos celestes: o Sol, a Lua, as estrelas. É o reino onde habitam os Deuses e Deusas e liga-se aos ciclos e padrões celestes. Os corpos celestes não eram considerados deidades em si mesmos, mas reflexos de tipos de poder associados a divindades específicas. Os fogos do Sol estavam associados à forja e à inspiração. O Céu traz prenúncios do futuro. O Espírito da Criação reside em Magh Mór (a Grande Planície ou Mundo Celeste), ou seja, Neamh (o Céu). Quatro maighne (planícies) são as suas divisões, isto é, …

1 Magh Findargat (Planície da Prata Brilhante), fonte de Luz e de Esperança;
2 Magh Mell (Planície das Delícias), nascedouro da Inspiração e da Criatividade;
3 Magh Iongnadh (Planície dos Milagres), abundante em Maravilhas e Espantos;
4 Sen Magh (Planície Antiga), sede das Origens e da Sabedoria.

A Terra

O mundo terrestre, ocupado pelos vivos, contém reflexos do Mundo Celeste e do Mundo Inferior. Essas influências podem ser imaginadas como três zonas (sendo três um número sagrado): a zona superior associada ao clima, ao voo dos pássaros, augúrios celestes e aos elementos e poderes do Ar, a zona intermediária divide-se nas Quatro Direções e Quadrantes cada um com seus Poderes e Guardiães) e a zona inferior, contendo as profundezas do mar, cavernas montes sepulcrais, colinas ocas e fontes sagradas. Essa zona é a morada dos Sídhe e dos Espíritos ligados aos Portais do Mundo Inferior. Para os celtas, as influências do Céu e do Mundo Inferior mesclavam-se em suas vidas sobre a Terra Média. O Espírito do Ser reside em Bith (Mundo), isto é, Mide (o Mundo Médio), ou seja, Talamh cé (“esta Terra”). Quatro arda (direções) são as suas divisões, isto é, …

1 Airthis (leste), fonte de Prosperidade (Bláth) e Mudança;
2 Teissus (sul), nascedouro de Música (Séiss) e Poesia;
3 Íaruss (oeste) abundante em Conhecimento (Fis) e Magia;
4 Tuadus (norte), sede da Batalha (Cath) e da Determinação.

O Mar

O Mundo Inferior é o reino dos Ancestrais e de Divindades ligadas ao mistério da vida surgindo da morte. O Espírito dos Ancestrais reside em Tír Andomain (o Mundo Inferior), ou seja, Mor (o Mar). Quatro tíortha (territórios) são as suas divisões, isto é, …

1 Tír na mBeo (Terra dos Vivos), fonte de Eternidade e Conhecimento Antigo;
2 Tír na mBan (Terra das Mulheres), nascedouro de Beleza e Prazer;
3 Tír fo Thuinn (Terra sob as Ondas), abundante em Temor e Percepção;
4 Tír na nÓg (Terra da Juventude), sede dos Anseios e da Renovação.

antesdosestudos3

Bilí (“árvores sagradas” em irlandês antigo, bile no singular) eram grandes árvores associadas a locais onde ocorriam as cerimônias de entronização dos reis irlandeses, sendo elas próprias simbólicas da autoridade do monarca, uma vez que de seus ramos provavelmente era cortada a slat na righe (“bastão da realeza”) durante a sagração do rei.

Bellouesus /|\

Quaisquer perguntas somente serão respondidas pelo e-mail nemetonbeleni@gmail.com ou pelo fórum Nemeton Beleni.

Notas:

1) Áudio disponível em <https://soundcloud.com/user197250276/oracao-antes-dos-estudos>. Acesso em 22 dez. 2015.

2) “Roda de Prata” é a tradução mais comum do nome Arianrhod. A grafia antiga do nome, usada acima (Aranrot), mostra que se trata de uma hipótese equivocada, pois arian(t), “prata”, não é o elemento que se acha no nome da mãe de Lleu, e sim aran, que se traduz deste modo: “Aran, s. f. – pl. t. au (ar) A high place; alp. It is the name of several of the highest mountains in Britain” (Owen, William. A Dictionary of the Welsh Language, Explained in English. Londres, 1803, v. I, p. 279). Portanto, aran rot é “montanha da roda ou monte circular/redondo” e não “roda de prata” (arian rhod).

3) Província romana que incluía a Áustria e parte da Eslovênia modernas.

4) Delamarre, Xavier. Dictionaire de la Langue Gauloise; une approche linguistique du vieux-celtique continental. 2 ed., Errance, Paris, 2003, p. 72.

5) Lá Bealtaine (gaélico irlandês), Là Bealltainn (gaélico escocês), Laa Boaltinn/Boaldyn (manês) e ainda Beltaine e Beltine.

6) Sanas Chormaic (“Narrativa/Glossário de Cormac”), atribuído a Cormac Ua Cuileannáin (séc. X), bispo e rei de Caisel (Cashel, Co. Tipperary), é um glossário irlandês antigo que explica as etimologias de mais de 1.400 palavras que, na época de sua composição, já estavam obsoletas ou eram de difícil interpretação.

7) O texto em questão é o seguinte:

Brigit .i. banfile ingen inDagdai. iseiside Brigit baneceas (no be neicsi) .i. Brigit bandee noadradís filid. arba romor 7 baroán afrithgnam. isairesin ideo eam (deam) vocant poetarum hoc nomine cujus sorores erant Brigit be legis Brigit bé goibnechta .i. bandé .i. trihingena inDagdai insin. de quarum nominibus pene omnes Hibernenses dea Brigit vocabatur. Brigit din .i. breo-aigit no breo-shaigit.

Brigit isto é, uma poetisa, filha do Dagda. Essa é Brigit, a sábia [mulher da sabedoria], isto é, Brigit, a deusa a quem os poetas adoravam, pois muito grande e muito famosa era a proteção que concedia. Assim, é por essa razão que chamam sua deusa dos poetas por esse nome, cujas três irmãs eram Brigit, a médica [mulher da arte da cura], Brigit, a ferreira [mulher da forja], de cujos nomes todos os irlandeses denominavam uma deusa Brigit. Brigit, breo-aigit ou breo-shaigit [“seta flamejante”].

Seu nome é grafado de várias formas: Brigid, Brighid, Bríg, Bride. Como indica o texto acima, Brigit é uma deusa da poesia, da metalurgia e da arte de curar (baneceas, be legis, bé goibnechta .i. bandé .i. trihingena in Dagdai, “mulher da sabedoria, mulher da cura, mulher da forja, isto é, uma deusa, ou seja, três filhas do Dagda”, bandee noadradís filid, “deusa a quem os poetas adoravam”). A forma do nome em proto-céltico seria *Briganti, significando “A Sublime”, “A Enaltecida”, “A Elevada”, derivada do adjetivo indo-europeu *bhergh, “alto”. É equivalente à Brigantia romano-céltica, deusa tutelar da federação de tribos conhecida como Brigantes, que dominou o norte da atual Inglaterra e foi identificada a Victoria Caelestis e Minerua. Na Gália, seu nome era Brigindo ou Brigandu. No conto “A Segunda Batalha de Mag Tuired”, Brigit é a esposa de Bres mac Elathan, o rei meio fomoir que veio a governar as Tuatha Dé e acabou deposto em razão de sua mesquinhez. O casal teve um filho, Ruadán, que, combatendo pelos Fomoirí, foi morto ao tentar matar o deus ferreiro Goibniu. O lamento de Brigit por seu filho teria sido o primeiro keening ouvido na Irlanda. O festival chamado Imbolc (1o. de fevereiro), que celebra a estação do nascimento e do aleitamento dos cordeiros, está associado a Brigit em seu papel como deusa da fertilidade. Ela se liga também ao fogo, tanto em sentido concreto (o fogo da lareira) como metafórico (o fogo da inspiração). Brigit era a deusa tutelar dos Laighin, o grupo de tribos que deu nome ao Cúige Laighean e é nessa região que a “Geografia” de Ptolomeu situou os Brigantes da Irlanda. Santa Brighid, importantíssima santa irlandesa (chamada “mãe adotiva de Cristo” e “Maria dos gaélicos”), parece ter herdado muitos atributos da antiga deusa: o mesmo nome; celebração no mesmo dia; ambas padroeiras dos poetas, ferreiros e curadores, ambas ligadas a aspectos da fertilidade e da agricultura (Santa Brighid é protetora do gado e suas vacas produziam enormes quantidades de leite), além de uma forte ligação com o fogo.

8) Gallaecia ou Callaecia em latim (Galécia em português) é o nome da região localizada no noroeste da antiga Hispania romana, território que corresponde aproximadamente ao da moderna região norte de Portugal, somado à Galícia, Astúrias e Leão na Espanha.

9) Marcus Annaeus Lucanus, poeta romano (03/11/39 – 30/04/65 d. C.).

10) Máksimos de Tyros, retórico e filósofo grego, viveu na época dos Antoninos e do imperador Commodus (fim do séc. II d. C.).

11) Também conhecidos como “Escólios de Berna”, são comentários ou notas escritos nas margens de um manuscrito do séc. X preservado na Burgerbibliothek de Berna, Suíça. Esses comentários relacionam-se a textos latinos clássicos, incluindo o De Bello Ciuili (Lucanus), as Eclogae e os Georgicā (Vergilius). O comentário elabora uma referência de Lucanus aos sacrifícios humanos realizados pelos druidas a Toutatis (Mercurius), Esus (Mars) e Taranis (Iuppiter), explicando que as vítimas de Toutatis eram afogadas num caldeirão (cena que pode ser vista no “Caldeirão de Gundestrup”), ao passo que as vítimas de Esus eram enforcadas numa árvore e as de Taranis, queimadas.

12) Galo-britônico koman, komenos (subst. neutro de tema em nasal), cf. irlandês antigo cuimne, irlandês moderno cuimhne, galês cof, córnico kov, bretão koun.

13) Prennon Bitous (gaulês antigo), Pren in Bithu (gaulês moderno).

14) Esta é um interpretação altamente especulativa.

Trecho do Fís Adamnáin

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Trecho do Fís Adamnáin (“A Visão de Adamnán”), texto editado por Whitley Stokes (1891)

  1. Acht chena dogniat guin 7* gait 7 adaltras 7 fingalu 7 duinorcain 7 esorcain chell 7 clerech, sáint 7 éthech 7 góei 7 gúbreth 7 coscrad eclasi Dé, draidecht 7 génntlidecht 7 sénairecht, auptha 7 felmasa 7 fidlanna.
  1. Apesar de cometerem agressão e roubo e adultério e parricídios e homicídios e destruição das igrejas e dos clérigos, cobiça e perjúrio e mentiras e falso julgamento e destruição da igreja de Deus, bruxaria [draidecht] e paganismo [génntlidecht] e lidarem com encantamentos [sénairecht], poções [auptha] e feitiços [felmasa] e fidlanna.

Apenas nesse curto trecho do Fís Adamnáin aparecem palavras que designam quatro procedimentos mágicos:

1) Sénairecht: deriva de sénaire, que vem de sén, “encantamento”, genitivo seoin.

2) Auptha, também uptha, “poções/feitiços de amor”. O  nominativo plural plural aipthi é glosado pelo latim ueneficia, “feitiços”.

3) Felmasa é o acusativo plural de felmas, genitivo felmais. Em textos jurídicos, a expressão fromadh felmais é glosada como fromadh ua pisoc, “comprovar feitiços”.

4) Fidlanna é o acusativo plural de fidlann, provavelmente derivado de fid, “madeira” + lann, “placa/chapa”, que pode ser o nome da prática descrita no Tochmarc Etaine (“O Galanteio a Etain”, M. Egerton 1782, fo. 118a2):

Ba tromm immorro laisin druid dicheilt Étainiu fair fri se blíadna, co ndernai iarsin .iiii. flescca ibuir, ocus scripuidh oghumm inntib, 7 foillsigthir dó triana eochraib écsi 7 triana oghumm Etain do bith i Síth Breg Leith iarna breth do Midir inn.

Eis que pareceu penoso ao mago [o druida Dalan] que Etain dele permanecesse oculta por seis anos; assim, eles fez quadro bastões de teixo e neles escreveu o ogham. E por meio das suas chaves do conhecimento e através do ogham foi-lhe revelado que Etain estava no Síd de Bri Leith, para onde fora levada por Midir.

* Nos textos em gaélico antigo e medieval, usava-se um caractere semelhante ao algarismo 7 para representar a conjunção ocus/agus, “e”.

Bellou̯esus /|\

Certogham

Bellouesus /|\

Selos Mágicos

Palestra apresentada no 5o. Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta – EBDRC – Recife/PE, 18, 19 e 20/04/2014 e material relacionado

Tradução em português do grimório Arbatel.

Exemplo de criação de um selo

selos001

Uso do selo criado como padrão decorativo

selos002

Selo criado com o diagrama “Cabo da Correnteza de Ferchertne”

katus (2)

Outros alfabetos que podem ser usados na criação de selos

nennius_alphabet

The Alphabet of Nemniuus

Outros alfabetos

Etrusco

Alfabetos rúnicos

Alfabeto latino

Grego

Grego 2

Grego 3

Lepôntico

Alfabeto de Nennius

Alfabeto de Nennius 2

Textos acessórios (sugestões para construção de um rito de consagração)

Muirgheal

Ritos Preliminares

Ogham

Nomes do Ogham

Apontamentos Ogâmicos

Bellouesus /|\

Alfabetos Ogâmicos do Tratado do Ogham (Parte 4)

31_ogam_romesc_breas31. Ogam romesc Breas .i. Bres mac Elathan .i. ba ges do dul sech gan a legad. Rolad iarum int ogam-sa ina ucht ic tec[h]t a cat[h] Muige Tuireg. Romebaidh iarum in cath fair-sium gen robai ac legad in ogaim. Is i so apgitir in ogaim-sea .i. scribthar in fid iarsin lin litir bis isin ainm in duine.
O Ogham que confundiu Bres, ou seja, Bres mac Elathan, que estava sob uma geas de nunca ir adiante sem o ler. Este Ogham foi depois lançado em seu peito enquanto se dirigia à Batalha de Mag Tuired. Mais tarde, ele perdeu a batalha enquanto estava lendo o Ogham. Este é o alfabeto desse Ogham, ou seja, a letra é escrita com todas as letras que compõem o nome da pessoa (isto é, cada letra, além de ser escrita é soletrada; por exemplo, a palavra mag, “planície”, escreve-se -/-|-//-, muin, ailm, gort. Escrita no Ogam romesc Breas, ficaria /-|||-|||||-,,,,,-|-|||||-,,-/-//-||-/////-”’-. O nome de cada fid que compõe a palavra é escrito por extenso).

32_ogam_dedenach32. Ogam dedenach .i. in litir deghinach don ainm scribthar ar son in feda .i. edad ar bethi, sail ar luis, nin ar fern, luis ar sail (sic l.), nin ar nin: ae, no da cc, no ch.
Ogham Final, isto é, a última letra do nome [da letra] é escrita pela letra, por exemplo, e por b, s por l, n por f, l por s, n for n etc.: ae, ou cc, ou ch.

33_cend_ar_nuaill33. Cend ar nuaill .i. in fidh dedinach do gach aicme scribthar ar in fidh toisech, 7 in fid toisech do gach aicme ar in fid ndedinach .i. nin ar bethi, 7 bethi ar nin, 7 gach fid ara cele isin aicme uili, 7 gach ni d’impodh inti fein uile frithrosc: ia no p, ae, no cc, no ch.
Cabeça na Lamentação, isto é, a última letra de cada grupo é escrita pela primeira letra e a primeira letra de cada grupo, pela última letra, ou seja, n por b e b por n e cada outra letra por sua companheira no grupo inteiro e tudo será invertido em si mesmo: ia ou p, ae ou cc ou ch.

34_ogam_ar_abairtar_cethrur34. Ogam ar abairtar cethrur .i. ceathar feada nama labairtar and .i. duir, 7 tinni, luis, fern .i. duir ar bethi, a u; tinni ar uath, a u; luis ar luis [l. muin], a u; fern ar ail[m], a u .i. duir ar bethi, da duir ar luis, 7 mar sin uili. Duir, ii duir, tri duir, iiii duir, u duir: tinne, da tinni, iii tinni, iiii tinni, u tinni, 7rl.
Ogham que é chamado quádruplo, isto é, nele somente quatro letras são faladas, ou seja d, t, l, f, isto é, d por b, cinco; t por h, cinco; l por m, cinco; f por a cinco, ou seja d por b, dd por l e o mesmo para todos.

35_ogam_buaidir_foranna35. Ogam buaidir foranna .i. in cetna fid do gach aicme ar bethi, a u ; in fid tanaise do each aicme ar uath, a u; in tres fid do gach aicme ar muin, a u, 7rl.: ae, no cc, no ch.
Ogham do tumulto da ira, isto é, a primeira letra de cada grupo pelo b, cinco; a segunda letra de cada grupo pelo h, cinco; a terceira letra de cada grupo pelo m, cinco etc.: ae, ou cc, ou ch.

36_ogam_rind_fri_derc36. Ogam rind fri derc .i. fraech frit[h]rosc .i. aicme ailme frit[h]rosc ar aicme bethi .i. idad ar bethi 7 bethi ar idad: aicme muine ar aicme uath [a] .i. ruis ar uath 7 uath ar ruis 7rl. Aicme bethi ar aicme ailme frithrasc 7 aicme uath[a] ar aicme m frithrosc.
Ogham da ponta para o olho, isto é, a urze de trás para frente, ou seja, o grupo A invertido pelo grupo B, e o i pelo b e o b pelo i; o grupo M pelo grupo H, isto é, o r pelo h e o h pelo r etc. O grupo B pelo grupo A  invertido e o grupo H pelo grupo M invertido.

37_ogam_maignech37. Ogam maignech .i. maigin iter gach da fid .i. cocrich nama don fidh fen.
Ogham contido, isto é, uma clausura entre cada duas letras, ou seja, uma raia para a própria letra unicamente.

38_fraech_frithrosc38. Fraech frithrosc, secundum alios.
A urze de trás para frente, de acordo com outros.

39_sem_nome39. Sem nome.

40_brec_mor40. Brec mor.
Grande pontilhado.

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Alfabetos Ogâmicos do Tratado do Ogham (Parte 3)

21_ogam_accomaltach21. Ogam ac[c]omaltach .i. in fidh is nesa don fidh do scribend imaille fris gan toirmisc.
Ogham em par, isto é a letra que está próxima da letra a ser escrita juntamente com ela, sem interrupção.

22_ogam_camnach22. Ogam camnach .i. da fidh inunda ar in fhid .i. da bethi ar b sic.
Ogham gêmeo, isto é, duas letras idênticas pela (mesma) letra, isto é, bb por b, sic.

23_do_foraicmib23. Do foraicmib 7 deachaib in ogaim andso air na cumai[n]g brogmoir lasna biat a deich 7 a foraicme 7 a forbethi, 7rl.
Sigla: bacht, lact, fect, sect, nect: huath, drong, tect, caect, quiar: maei (MS. naei), gaeth, ngael, strmrect, rect: ai, ong, ur, eng, ing.
Dos grupos e sílabas adicionais do Ogham aqui, correspondentes às desmesuradas faculdades  por meio das quais há sílabas, grupos adicionais e alfabetos adicionais delas etc.
Abreviaturas (1) bacht, lact, fect, sect, nect: huath, drong, tect, caect, quiar: maei (MS. naei), gaeth, ngael, strmrect, rect: ai, ong, ur, eng, ing.

24_abreviaturas_224. Abreviaturas (2): cai no aei, c no onn, p no ui, .i. ol, on, no no no, ach ui oi ai au, air cair, s, bran, tri, bran, tru, cru, cru.

25_abreviaturas_325. Abreviaturas (3): Columcille, Ceallach, Cuilibadh; goach, tucht, ict, miliu, uili, eth, ean.

26_beithi_luis_fern_sail_nendait26. Beithi, luis, fern, sail, nendait: sge, dair, trom, coll, quillenn: midiu, gius, gilcach, saildrong, rait: aball, uinus, draigin, ibur, elendferus, edlend.

27_bethi_b_luis_l_fern_f27. Bethi (b), luis (l), fern (f), soil (s), nin (n): huath (h), dur (d), tindi (t), coll (c), quert (q): muin (m), gort (g), ngedar (ng), straiph (st), ruis (r): ailm (a), onn (o), ur (u), edad (e), idad (i); ea, oi, ui, ia, ae.

28_sem_nome28. Sem nome.

29_saitheach_fochrom29. Saitheach fochrom, clu co mboil, dodaing foluaich lucht asmbir. Brec oc forglais, derg (gl. midoth findi, 7rl.), oc find, Maelsem (gl. ardoth findi 7rl.), fuirid (gl. derg maesem), leitheal, brann (gl. saetech). Cruithean fororcan so sis: dodaing brec.
Saciado embaixo do teto, reputação no caminho, dizes-me que difícil é a recompensa das pessoas. Malhado ou esverdeado, vermelho (explicado como midoth findi etc.) e branco, maelsem (?) (explicado como ardoth findi etc.), preparação, mingau, tição (explicado como saetech, satisfeito ?). Um porquinho cruithne (?) (“picto, britano”?), como está abaixo: variedade difícil.

30_mucogam30. Mucogam: find, liath, loch, cron, forghlas: cedoth fin[n]i, cedot[h] leithi, 7rl.
Ogham da porca: acompanhando a ninhada de uma porca branca, cinzenta, etc.

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