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Ancient Celts

Ancient Celts from Hallstatt (7th c. BC) up to the Lords of the Isles (14th c. AD). All pictures: Newark, Tim & McBride, Angus. Ancient Celts.

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Os Três Círculos da Manifestação

ill-337Os Três Círculos da Manifestação fazem parte do sistema do Barddas, criado no séc. XVIII por Iolo Morganwg e ainda usado por um bom número de ordens druídicas atuais. Os três mundos ou reinos são nele apresentados como círculos concêntricos, que se chamam:

1. Abred (a Criação Material), que possui os círculos interiores de:

1.1.a Annwn (o Abismo Primordial, de onde a vida emana de forma inconsciente);

1.1.b Gobren (a Injustiça ou Provação, onde a vida inconsciente surgida em Annwn enfrenta todos os tipos de provações e descobre o destino ou direção que seguirá no plano seguinte);

1.1.c Kenmil (a Crueldade, onde a vida, que havia surgido inconsciente em Annwn e aprendido a reagir em Gobren, adquire sensibilidade).

Esses três círculos correspondem à existência mineral, vegetal e animal. Formam o mundo chamado 1.1. Ank (Fatalidade), onde a vida encontra-se submetida ao destino.

O aspecto invisível de Ank manifesta-se como 1.2. Ankou ou Ankoun, incorporando todos os fenômenos da vida subconsciente. Corresponde ao Plano Astral do ocultismo.

Além de Abred, está 3. Gwynfyd, o Mundo Branco, o reino celestial dos espíritos e divindades acima de nós e/ou na fronteira externa do círculo de Abred, o lar da humanidade. Se a vida, saída de Annwn, que adquiriu sua individualidade no círculo de Abred, não estiver pronta para adentrar Gwynfyd, não possuindo afinidade com as condições de vida nesse plano, obrigatoriamente continuará a viajar pelos círculos de Abred, submetida a Ank.

Na fronteira exterior de Gwynfyd está 3. Ceugant, o Mundo Vazio, onde se encontra exclusivamente a Existência Primordial, que reúne todos os opostos (Ser/Não-Ser, Vida/Morte) e onde nenhum outro ser pode entrar, uma vez que a ninguém é dado, simultaneamente, existir e não existir.

O esquema dos Três Mundos ou Círculos é assim:

1 Abred

1.1 Ank

1.1.a Annwn
1.1.b Gobren
1.1.c Kenmil

1.2 Ankou

2 Gwynfyd

3 Ceugant

O Barddas descreve a viagem espiritual da alma como uma migração que inicia em Annwn, o Mundo Inferior, atravessando Abred, onde experimenta a vida de todas as espécies de criaturas vivas, de fungos a insetos, plantas e animais, tornando-se finalmente um ser humano.

Como humanos, podemos avançar para Gwynfyd e nos tornarmos divinos ou retornar à forma pré-humana e repetir a tentativa. Talvez essa ideia tenha surgido da observação feita por Caesar: “Aqueles [i. e., os druidas] desejam sobretudo persuadir de que as almas não perecem, mas, após a morte, passam de um corpo a outro, e por esse modo julgam excitar ao máximo o destemor nas batalhas e o desprezo ao medo da morte” (Commentarii de Bello Gallico, VI, 14).

Esses três círculos correspondem também ao meio-ambiente físico: o céu acima de nós, a terra onde estamos, a água do mar que se estende para as profundezas. O céu e o sol são obviamente o reino celestial, pois encontram-se acima de nós. Na mitologia irlandesa, os deuses chegam em barcos que voam pelo ar e o mar comumente estava associado ao Mundo Inferior e a passagens de/para Tír na nÓg.

Há narrativas que contam viagens de barco para as ilhas do Outro Mundo, chamadas imramma, como a de Bran, filho de Febal. O poeta galês Taliesin descreve a viagem marítima de Arthur em busca do caldeirão de Annwn. Na Irlanda, é necessário cruzar o rio Bóinne para alcançar Sí an Bhrú, partindo de Temair na Rí. O mundo físico, desse modo, replica a cosmologia. Igualmente o entendimento científico da evolução conta, a seu próprio modo, o mesmo relato sobre nossa migração espiritual: nossos ancestrais pré-humanos emergiram do mar, na terra assumiram a forma humana e agora, graças à tecnologia, somos capazes de voar pelo céu.

Quando os três círculos encontram-se alinhados, como se dá na câmara de Brú na Bóinne no solstício de inverno pela interação entre a luz do sol, a terra e o próprio síd, o tempo renova-se e a vida, graças à crescente energia do sol, recebe o poder de continuar. Esse evento não é isolado e permanente, porém cíclico, essencialmente uma repetição do ato original da criação, repetição pela qual esta se torna um processo contínuo e em permanente realização.

Bellouesus /|\ (Druidismo Brasil, # 20.707, 28/07/2012)

A Religião Céltica

Palestra apresentada no 5o. Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta – EBDRC – Recife/PE, 18, 19 e 20/04/2014 e material relacionado

Nemeton (santuário) gaulês de Gournay-sur-Aronde

Árvores cerimoniais e maquete do oppidum céltico de Manching (Baviera, Alemanha)

Héraclès en Gaule, Hercule gaulois (“Hércules na Gália, Hércules gaulês”; em francês)

Leituras complementares:

Estrabão, Geografia, L. IV, Cap. 4, §4

Sobre Celtas e Druidas

Sacrifício Humano

Druida e drui

Dis Pater

Quem criou a expressão interpretatio romana?

Inscrição de Chamalières

5o. EBDRC

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5o. EBDRC – Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta

NAS PEGADAS DOS DEUSES
Mitos e Ritos dos Celtas

Pela primeira vez no Nordeste do Brasil

Recife – PE

18, 19 e 20 de abril de 2014

Onde: Pousada Aldeia dos Camarás (Rua Alcides Maia, 301, Camaragibe, Recife – PE), fone (81) 8923-4065 (falar com Renata Gueiros)

pousada

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Valor* das inscrições e formas de pagamento: (hospedagem + refeições + palestras/oficinas):

De 29/11/2013 a 31/12/2013: R$ 282,00 em até 3x de R$ 94,00 (dez/jan/fev).
De 01/01/2014 a 31/01/2014: R$ 312,00 em até 2x de 156,00 (jan/fev).
A partir de 01/02/2014: R$ 342,00 em parcela única.

* Translado das vans incluído.

Refeições: café da manhã (dias 19 e 20), almoço (dias 18, 19 e 20), coffee break (dias 18 e 19) e jantar (dias 18 e 19), num total de 9 refeições.

INSCRIÇÃO

Informações pessoais

Nome completo:
RG:
CPF:
Cidade:
Estado:
Fone para contato:
E-mail:
Nome para o crachá:

Pertence a algum grupo (nemeton, caer, grove, ordem, coven, outro)?
Nome:

Druidismo? ( )
Reconstrucionismo Celta? ( )
Outro? ( ) Qual? …………………………

Iniciante em Druidismo ( ) Sim ( ) Não
Iniciante em Reconstrucionismo Celta? ( ) Sim ( ) Não

A inscrição somente será efetuada após confirmação do depósito na conta*:

Banco: Bradesco
Agência: 3201-8
Conta-corrente: 0520165-9
Nome: Renata Romero Gueiros

Enviar dados da operação ou comprovante para o e-mail: renatita@gmail.com.

* No caso de parcelamento, após a comprovação do pagamento da última parcela; menores de idade somente acompanhados dos pais.

Cronograma provisório

5ebdrc

1º. dia – 18/04 (sexta-feira)

9:00 às 11:30

Recepção e acomodação

12:00

Almoço

14:00

Abertura do V EBDRC

14:30

Palestra

Belloesus īsarnos

(RS)

A Religião dos Celtas – Inscrições, iconografia,
literatura – O que os próprios celtas disseram e o que os outros disseram
sobre eles

16:00

Palestra

Renata Gueiros

(PE)

O Papel das Mulheres no Druidismo –
Ontem e Hoje

17:00

Coffee break

17:45

Workshop

Bandruir

(RJ)

Clava e Harpa, Corpo e Alma: A Magia
Bárdica nos Rituais

18:45

Intervalo

19:00

Jantar

20:00

Mesa Redonda

Todas as Árvores do Bosque: caminhos e rumos do Druidismo
no Brasil

21:30

Fim das atividades do dia

2º. dia – 19/04 (sábado)

7:00 às 9:30

Café da Manhã

9:30   

Palestra

Druida
do Vento (MS)

A Sacralidade Local e os Ritos Sazonais

10:40

Atividade

Rowena e Endovelicon (SP)

Aquecendo os Caldeirões

12:10

Almoço

14:00 

Palestra

Rafael Corr (SC)

Música Tradicional Irlandesa – Uma
análise interativa de sua temática e influência no cenário folk atual

15:10

Atividade

Wallace William de Souza
(SP)

A Rainha Égua – A Retomada da Soberania.

16:30

Coffee break

17:15

Atividade

Marcela
Badolatto (SP)

Tema a definir

18:30

Intervalo

19:00

Jantar

20:00

 

Oficina

Belloesus īsarnos

 (RS)

1ª parte – Não diga emãcóu.

2ª parte – Técnicas
básicas para a criação e uso de selos mágicos.

21:30

Fim das atividades do dia

3º. dia – 20/04 (domingo)

7:00 às 9:30

Café da Manhã

9:00   

Palestra

Joab Nascimento (PB)

Ritos Sacrificiais e Sacrifícios Rituais: Do Antigo ao Atual

10:10

Atividade

Marcos
Reis (SP)

Confeccionando o Ramo de Prata: tecendo a ligação
entre os Reinos.

11:40

Intervalo

12:00

Almoço

14:00

Visita ao Instituto Ricardo Brennand**

 

Encerramento

** Opcional, R$ 20,00 entrada inteira e R$10,00 a meia.

Edições anteriores:

2010I EBDRC: Florianópolis – SC – Sul
2011II EBDRC: Cotia – SP – Sudeste
2012III EBDRC: Novo Hamburgo – RS – Sul
2013IV EBDRC: Cotia – SP – Sudeste

Fotos AQUI.

Pousada Aldeia dos Camarás

Bellouesus /|\

Posidonius e o Druida

Rowan Williams

Espinhaços ósseos, moldados, imaginarias, por desajeitados polegares,
Sardas, pelos ruivos e grandes olhos astigmáticos;
Rouca a voz, eloquente, não grave.
Bem. Pessoas como tu, ele diz, vêm em busca de segredos.
Daquilo que aprendemos de Pitágoras. De um eco consolador
De vossa doce doutrina [a emanar] das cavernas intocadas
De pobres primitivos [como nós]. (Inclina-se para mim.) Agrada-te
O que tenho a mostrar-te? Em sua mão espalmada
Uma faca com cabo de osso, manchada e polida.
Vosso logos é uma criança, ele diz, a tagarelar para si mesma
Enquanto brinca na areia. Sou um nadador.
Sou salmão e foca. Minhas correntezas
São feitas de muitos fluidos, balouçantes planos escuros
por onde viajo calmo como se a dormir, ou onde
pulo como a prata. O mar. Chuva na pele
E suor. Lágrimas e o rio sobre as pedras.
Meu sangue e o teu: a maré que vibra sob a pele
Ou no pulsar da veia cortada,
Ou do meu membro, ou do teu, ou ainda a urina
Do homem enforcado, que estremece entre as folhas,
Cujos movimentos falam-me. Acima dessas ondas
Aprendo a deslizar minhas mãos e nessas fontes
Minha língua explora, bebe palavras.

Pego a faca;
Como se esfregasse os dedos numa inscrição desgastada
Leio-a. Na mente com brevidade: descampados planos,
Uma estrada reta que corre ao limite das coisas, sombrias
Carroças estranhas apinhadas de pessoas silenciosas,
Sabedoras e ignorantes do que é esta jornada
A que foram enviadas por sangue e sabedoria e
Lúgubres águas silentes, e atinjo ofegante a margem,
as crianças e a areia, o ruído e a insegurança,
duna, mastros e inconsistência, porém ainda o alicerce
adequado a seres que falam.

Rowan Douglas Williams, Barão Williams de Oystermouth
Poeta e teólogo
Bispo de Canterbury e Primaz de Toda a Inglaterra de 2002 a 2012
Membro da Gorsedd Beirdd Ynys Prydain
Marido e pai

Tradução: Bellouesus /|\