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Arekailaχtā Petruprennon – O Oráculo das Quatro Árvores

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litus 5

Arekailaχtā Petruprennon – O Oráculo das Quatro Árvores

Bellou̯esus Īsarnos

Apresentado no IV Encontro Paulista de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico – São Paulo/SP – 08/10/2017

Instruções

Oração antes dos Estudos

A recitação desta prece deve sempre anteceder o estudos, meditações e quaisquer práticas ligadas às atividades do Nemeton Belenī, por mais corriqueiras e banais que pareçam, e ser acompanhada pelo gesto da Aveleira.

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Oração antes dos Estudos

Louvor à Lei Perfeita do Universo!

Ó Lugus, Príncipe das Múltiplas Artes,
Ó Belenos, Grande Profeta e Curador,
Ó Brigindū, Mãe Nobilíssima do Grande Conhecimento,
Ó Taranus, Cavaleiro Celeste da Voz Potente,
Ó Toutatis, Defensor Valente da Liberdade.
Que isto seja agradável à Memória Divina e a todos os Deuses nos Três Mundos.

Coll, a Aveleira, representa o Conhecimento e a Inspiração que devem ser buscados pelo estudante a cada momento. Faça do seu tempo de estudo uma oferenda aos Deuses, dedicada a refletir a respeito deles e honrá-los.

Instruções

§1 Este oráculo pode ser usado para elucidar a mensagem de outra ferramenta divinatória ou independentemente.

§2 Cinco árvores são necessárias para realizar a divinação, havendo um número associado a cada árvore.

§3 Tais árvores e os números a elas associados são: 1 – Betu̯ā, “bétula”: B(eith); 3 – U̯ernos, “amieiro”: F(ern); 4 – Salikos, “salgueiro”: S(ail) e 6 – Outos, “terror” (Skwiiatos, “espinheiro-branco”): H(úath).

§4 Os caracteres que lhes são correspondentes devem ser inscritos em bastões assim confeccionados:

litus 2

litus 3

§5 A extremidade vermelha será considerada como a superior.

§6 Dados comuns de seis faces também podem ser usados; nesse caso, apenas os resultados 1, 3, 4 e 6 serão considerados.

§7 Um só bastão ogâmico pode ser jogado cinco vezes para fornecer as cinco árvores necessárias à divinação; um só dado pode ser jogado cinco vezes para fornecer os cinco números necessários à divinação.

§8 Se dados forem usados e oferecerem os resultados 2 ou 5, deve-se jogá-los novamente até que surja um resultado passível de uso.

§9 Antes da consulta ao oráculo, o Rito Divinatório deve ser realizado. Se o oráculo for usado como meio para esclarecer a mensagem de outra ferramenta divinatória, o Rito Divinatório  será desnecessário. Se o oráculo for usado independentemente, o Rito Divinatório envolverá os bastões/dados.

§10 Lugus e sobretudo Belenos regem este oráculo. Antes de jogar os bastões/dados, acrescente ao Rito Divinatório esta prece:

Belene Arī Lugusk, u̯edete kamman!
Tī, kenχte, sepomos: tause.
U̯esu̯an lubi arekailī.
Belenos Argi̯os roedamēeore,
Sindan eχs senisamonbi arekailāχtan.

Senhor Belenos e Lugus, guiai o caminho!
A ti, que caminhas, dizemos: silencia.
Aproveita a excelência do oráculo.
Deu-o a nós Belenos Brilhante,
Esta arte divinatória dos ancestrais.

Regentes dos jogos oraculares

Belenos: dēu̯os da cura e da profecia.
Lugus: dēu̯os dos juramentos, leis e jogos.
Adsaχsonā: “Intercessora”, dēu̯ā da justiça e da profecia.
Brigindū: dēu̯ā dos ofícios, do conhecimento e da estratégia, controladora dos jogos oraculares em seu aspecto triplo.
Trīs Brigindones (Brigindū Dubus, “Negra”, Brigindū Klou̯odānus, “Famosa-por-seu-Dom”, Brigindū Kēros, “Sorveira”): a dēu̯ā Brigindū em seu aspecto triplo, regente do avispício (presságios tirados do voo ou canto das aves) e dos jogos oraculares.

litus 4

Arekailaχtā Petruprennon

O Oráculo das Quatro Árvores

1 Dados: 1.1.1.1.1 = 5
Deidade: Taranus Ouχsamos (Taranus, o Mais Alto)
Oráculo: Se vês cinco bétulas: Taranus inspirará bons pensamentos à tua mente, peregrino; concederá felicidade ao teu trabalho, pelo que agradecerás. Apazigua antes, porém, Nantosu̯eltā e Lugus.

2 Dados: 1.1.1.1.3 = 7
Deidade: Katubodu̯̯ā (O Corvo da Batalha)
Oráculo: Se vês quatro bétulas e um amieiro: Se evitares a inimizade e a hostilidade, alcançarás o teu prêmio; conseguirás e a dēu̯ā dos olhos vivazes salvar-te-á. A atividade que tens em mente resultará como desejas.

3 Dados: 4.1.1.1.1 = 8
Deidade: Mātres (As Mães)
Oráculo: Se vês um salgueiro e quatro bétulas: Não faças o negócio a que te estás dedicando; o resultado não será bom. Será difícil ou mesmo impossível com alguém que se desgaste totalmente. Contudo, se te afastares por algum tempo, disso não virá nenhum dano.

4 Dados: 3.3.1.1.1 = 9
Deidade: Eriros Taranous (A Águia de Taranus)
Oráculo: Se vês dois amieiros e três bétulas: Uma águia que voa alto à direita do peregrino será um bom presságio; com o auxílio de Taranus Māisamos [“Taranus, o Maior”], atingirás o teu objetivo. Não temas.

5 Dados: 6.1.1.1.1 = 10
Deidade: Dēu̯os Māisamos (O Dēu̯os Maior)
Oráculo: Se vês um espinheiro e quatro bétulas: Será melhor cumprires qualquer voto que tenhas feito ao dēu̯os, caso pretendas realizar o que meditas na tua mente. Rīganī e Taranus salvar-te-ão.

6 Dados: 1.1.1.4.3 = 10
Deidade: Ratus Sukondos (O Destino Previdente)
Oráculo: Se vês três bétulas, um salgueiro e um amieiro: Não faças o negócio que estás prestes a fazer; quanto à própria intenção que tens, os dēu̯oi a estão impedindo, mas libertar-te-ão da fadiga e nenhum dano atingir-te-á.

7 Dados: 3.3.3.1.1 = 11
Deidade: Brigindū Boudikā (Brigindū, a Vitoriosa)
Oráculo: Se vês três amieiros e duas bétulas: Tomarás o que desejas e tudo alcançarás; a dēu̯ā tornar-te-á honrado e sobrepujarás os teus inimigos; o plano que estás prestes a realizar correrá conforme o teu desejo.

8 Dados: 4.4.1.1.1 = 11
Deidade: Boudi Lauēnon (A Vitória Feliz)
Oráculo: Se vês dois salgueiros e três bétulas: Realiza todo o teu empreendimento, pois tudo sairá bem. Os dēu̯oi resgatarão do seu leito aquele que se acha enfermo. O dēu̯os também anuncia que aquele que se encontra noutro país voltará ao lar.

9 Dados: 4.1.1.3.3 = 12
Deidade: Belenos I̯akkos (Belenos, o Curador)
Oráculo: Se vês um salgueiro, duas bétulas e dois amieiros: Uma tempestade atingirá o teu empreendimento, porém este resultará bem. O dēu̯os também anuncia que libertará aquele que está doente em razão do sofrimento e os dēu̯oi trarão em segurança para casa o que se encontra longe.

10 Dados: 1.1.1.6.3 = 12
Deidade: Bou̯indā Belisamā (A Muito Poderosa Bou̯indā)
Oráculo: Se vês três bétulas, um espinheiro e um amieiro: Não te apresses para ir em frente; é impossível avançar. É melhor que esperes. Se te preparas para correr irrefletidamente, causarás grande dano a ti mesmo. Se, entretanto, esperares, o tempo imaculado realizará tudo.

11 Dados: 1.1.1.6.4 = 13
Deidade: Nantosu̯eltā (A Jovem Rainha do Amor e dos Mortos)
Oráculo: Se vês três bétulas e um espinheiro e um salgueiro: veleja para onde desejares, retornarás cheio de contentamento, pois terás encontrado e realizado tudo o que meditaste em teu pensamento; contudo, ora a Nantosu̯eltā e Lugus.

12 Dados: 1.3.3.3.3 = 13
Deidade: Taranus ak Brigindū (Taranus e Brigindū)
Oráculo: Se vês uma bétula e quatro amieiros: estás apto para qualquer empresa e pronto para qualquer empreendimento. Os dēu̯oi facilmente socorrerão o que se achar enfermo e tudo ficará bem em relação aos outros oráculos.

13 Dados: 4.4.1.1.3 = 13
Deidade: Rāti̯ās (As Estações)
Oráculo: Se vês dois salgueiros, duas bétulas e um amieiro: é impossível prosseguir. Os dēu̯oi não permitirão o plano que imaginaste, então espera. Será terrível caso te arrisques a mergulhar em inimizade, competição e provações.

14 Dados: 1.3.3.3.4 = 14
Deidade: Kirki̯os (O Dēu̯os do Vento)
Oráculo: Se vês uma bétula, três amieiros e um salgueiro: o dēu̯os diz que estás dando socos na ponta de uma faca, lutando contra o mar, caçando uma agulha num palheiro. Não te apresses em fazer transações. Não te servirá em nada querer forçar os dēu̯oi no momento errado.

15 Dados: 6.1.1.3.3 = 14
Deidade: Prenniatis (O Distribuidor da Sorte)
Oráculo: Se vês um espinheiro, duas bétulas e dois amieiros: não planejes coisas medonhas nem ores pelo que for contra os dēu̯oi. Disso não se obterá ganho algum e recompensa nenhuma virá do caminho que estás trilhando.

16 Dados: 4.4.4.1.1 = 14
Deidade: Suprenniatis (O Bom Distribuidor da Sorte)
Oráculo: Se vês três salgueiros e duas bétulas: a deidade conduzir-te-á no caminho que percorres e a amante dos sorrisos, Nantosu̯eltā, guiar-te-á para boas coisas. Retornarás com os frutos ricos de um destino tranquilo.

17 Dados: 1.3.3.4.4 = 15
Deidade: Taranus Arepetaunos (Taranus, o Salvador)
Oráculo: Se vês uma bétula, dois amieiros e dois salgueiros: aproxima-te com bravura do que planejaste fazer, realiza-o! Vencerás, pois os dēu̯oi deram-te estes sinais favoráveis, não os desprezes nos teus propósitos. Nada de mal disso virá.

18 Dados: 1.1.1.6.6 = 15
Deidade: Taranus Klitos (Taranus, o Oculto)
Oráculo: Se vês três bétulas e dois espinheiros: o dēu̯os anuncia-te que empreendas com coragem o que planejaste em tua mente, pois tudo ser-te-á dado. Realizarás o que quer que te diga a tua mente e Taranus, que no alto troveja, contigo estará como teu salvador.

19 Dados: 3.3.3.3.3 = 15
Deidade: Bou̯indā Arepetaunā (Bou̯indā, a Salvadora)
Oráculo: Se vês cinco amieiros: a mulher que deu à luz uma criança estava com os seios secos, porém floresceu novamente e tem agora leite em abundância. Também tu, então, colherás os frutos daquilo que me pedes.

20 Dados: 4.3.6.1.1 = 15
Deidade: Taranus Allobrogi̯os (Taranus dos Estrangeiros)
Oráculo: Se vês um salgueiro, um amieiro, um espinheiro e duas bétulas: não te apresses com as atividades previstas, o tempo ainda não chegou. Os dēu̯oi facilmente salvarão o que se encontra doente e o dēu̯os anuncia que dará fim à jornada do que se encontra em terra estrangeira.

21 Dados: 6.3.3.3.1 = 16
Deidade: Ogmi̯os (O Dēu̯os da Eloquência e da Guerra)
Oráculo: Se vês um salgueiro, três amieiros e uma bétula: o momento ainda não chegou. Não te apresses tanto, não ajas em vão ou como a cadela que deu à luz um filhote cego. Raciocina calmamente e o dēu̯os conduzir-te-á.

22 Dados: 6.4.4.1.1 = 16
Deidade: Toutātis (O Dēu̯os Protetor de cada Toutā)
Oráculo: Se vês um espinheiro, dois salgueiros e duas bétulas: por que te apressas? Espera com calma, o momento ainda não chegou. Quando te apressas de modo insensato e vão, persegues algo que ainda não está pronto. Ainda não vejo o momento adequado, porém terás sucesso se esperares apenas um pouco.

23 Dados: 4.3.3.3.3 = 16
Deidade: Sukellos (O Bom Golpeador)
Oráculo: Se vês um salgueiro e quatro amieiros: Escorpiões escondem-se no teu caminho, não te apresses para os negócios que tencionas; espera e o que desejas chegará mais tarde. Não é melhor agora nem comprar nem vender.

24 Dados: 4.4.4.1.3 = 16
Deidade: Belenos Arekailoberos (Belenos, o Portador de Oráculos)
Oráculo: Se vês três salgueiros, uma bétula e um amieiro: Não te apresses, melhor será que não vás. Quando desejares precipitar-te sem refletir, causarás muito dano a ti mesmo. Contudo, quando ficares quieto e firme, o tempo sem máculas tudo realizará.

25 Dados: 6.6.1.1.3 = 17
Deidade: Rīganī Nemesos (A Rainha do Céu)
Oráculo: Se vês dois espinheiros, duas bétulas e um amieiro: entra e recebe a voz do oráculo! O tempo também está maduro para o casamento; casarás e voltarás para casa. Tendo encontrado aquilo que te causava ansiedade, alcançarás tudo o que desejas nos teus negócios.

26 Dados: 1.3.3.4.6 = 17
Deidade: Lugus Arepetaunos (Lugus, o Salvador)
Oráculo: Se vês uma bétula, dois amieiros, um salgueiro e um espinheiro: nada vejo doloroso entre as coisas que me perguntas; não penses pequeno, avança com coragem; encontrarás tudo o que desejas: cumprir-se-á tua jura e há um momento perfeito para ti.

27 Dados: 4.4.3.3.3 = 17
Deidade: Esus (O Dēu̯os da Regeneração e da Fertilidade)
Oráculo: Se vês dois salgueiros e três amieiros: toma coragem e luta, Taranus Selu̯orīχs (“Rico em Propriedades”) será o teu auxiliador. Castigarás o teu oponente e te-lo-ás sob o teu punho e ele dará contentamento às obras pelas quais lhe agradecerás.

28 Dados: 1.4.4.4.4 = 17
Deidade: Dīgalā (A Vingança)
Oráculo: Se vês uma bétula e quatro salgueiros: Prenniatis agora cumprirá tudo para ti e conduzir-te-á pelo caminho certo. Realizarás tudo de acordo com os teus planos. Não te desgastes mais. Realizarás lindamente o que desejares.

29 Dados: 6.6.1.1.4 = 18
Deidade: Nemetonā (A Dēu̯ā do Santuário)
Oráculo: Se vês dois espinheiros, duas bétulas e um salgueiro: faz o teu negócio e toma-o a teu cargo; o momento será favorável. Entrementes, dificuldades e perigo estarão no caminho. Quanto aos demais oráculos, as coisas correrão bem para ti.

30 Dados: 1.6.4.4.3 = 18
Deidade: Taranus Louketos (Taranus do Relâmpago)
Oráculo: Se vês uma bétula, um espinheiro, dois salgueiros e um amieiro: o que planejas não sairá como o desejas, quando o realizares. Não será proveitoso viajar a terras estrangeiras. Não mostrarás perspicácia se venderes agora, tampouco isso será lucrativo.

31 Dados: 4.4.4.3.3 = 18
Deidade: Prenniatis Māisamos (O Maior Distribuidor da Sorte)
Oráculo: Se vês três salgueiros e dois amieiros: não vejo este plano como seguro para ti; espera, portanto. Terás êxito, haverá boa sorte depois disso. Por enquanto, fica calmo, confia nos dēu̯oi e permanece solícito.

32 Dados: 6.3.3.3.3 = 18
Deidade: Dagou̯extā (O Bom Momento)
Oráculo: Se vês um espinheiro e quatro amieiros: não te apresses, Prenniatis opõe-se a ti; não ajas como o néscio que deseja colher antes do amadurecimento do fruto. Reflete com calma e as coisas correrão favoravelmente para ti.

33 Dados: 6.6.1.3.3 = 19
Deidade: Sukobron (O Bom Desejo)
Oráculo: Se vês dois espinheiros, uma bétula e dois amieiros: tudo sobre o que me perguntas virá a ti suave e seguramente; Prenniatis guiar-te-á rumo ao que desejas, dará fim às dificuldades dolorosas e verás que eram infundadas as suspeitas.

34 Dados: 4.4.4.6.1 = 19
Deidade: Taranus Teχtomāros (Taranus, o Grande em Posses)
Oráculo: Se vês três salgueiros, um espinheiro e uma bétula: avança com bravura, o oráculo é sobre esperança, forasteiro; anuncia também que a pessoa enferma será salva. Se precisas consultar um oráculo, receberás o que desejas.

35 Dados: 3.4.4.4.4 = 19
Deidade: Lugus Boudimāros (Lugus, o que dá a Vitória)
Oráculo: Se vês um amieiro e quatro salgueiros: Taranus inspirará um bom plano à tua mente, forasteiro; assim, tudo ficará bem, empreende o que desejares. Encontrarás o que solicitares ao oráculo e nada correrá mal para ti.

36 Dados: 3.3.3.6.4 = 19
Deidade: Boudi (A Vitória)
Oráculo: Se vês três amieiros, um espinheiro e um salgueiro: pronuncias um bom oráculo, forasteiro; bem refletiste a respeito dele, farás o que quiseres e o dēu̯os será teu auxiliar. Vencerás, colherás os frutos e tudo alcançarás.

37 Dados: 4.4.4.4.4 = 20
Deidade: Mātres Dīađđeχtās (As Mães Inescapáveis)
Oráculo: Se vês cinco salgueiros: o sol se pôs e a noite terrível chegou, tudo tornou-se escuro. Interrompe o assunto sobre o qual me perguntaste; é melhor não comprar nem vender.

38 Dados: 4.3.6.6.1 = 20
Deidade: Lugrā (A Lua)
Oráculo: Se vês um salgueiro, um amieiro, dois espinheiros e uma bétula: não te ocupes com esse negócio, forasteiro; as coisas não sairão bem para ti. O dēu̯os anuncia que ajudará aquele que se acha enfermo e, se houver qualquer receio, nada de mal te acontecerá.

39 Dados: 6.3.3.4.4 = 20
Deidade: I̯emonoi Aneχtlomāroi (Os Gêmeos que dão Grande Proteção)
Oráculo: Se vês um espinheiro, dois amieiros e dois salgueiros: um homem afobado não obtém tudo o que a oportunidade tem a oferecer. Tens algum lucro e há receio em toda parte devido ao perigo. A tua iniciativa é malsinada e tudo é penoso. Toma cuidado!

40 Dados: 6.6.6.1.1 = 20
Deidade: Gobannos (O Dēu̯os da Forja)
Oráculo: Se vês três espinheiros e duas bétulas: o oráculo dirá que é impossível fazer qualquer negócio; não te esforces em vão! E não queiras levantar cada pedra do caminho, pois bem podes achar um escorpião. O nervosismo não te trará sorte, acautela-te contra toda sorte de infortúnio!

41 Dados: 6.6.4.4.1 = 21
Deidade: Rosmertā (A Boa Provedora)
Oráculo: Se vês dois espinheiros, dois salgueiros e uma bétula: tudo sobre o que me perguntas surgirá suave e seguramente no teu caminho; não temas, Prenniatis conduzir-te-á rumo ao teu objetivo. Nada vejo que te possa causar dano. Anima-te e vai em frente.

42 Dados: 4.4.4.6.3 = 21
Deidade: Grannos Loukoberos (Grannos, o Portador da Luz)
Oráculo: Se vês três salgueiros, um espinheiro e um amieiro: alcançarás tudo o que desejas e descobrirás o que te causa inquietação. Tenta, forasteiro, depois de tomares coragem; tudo está pronto. Encontrarás o que está oculto, chegarás ao dia da tua salvação.

43 Dados: 3.3.3.6.6 = 21
Deidade: Surati̯ā (A Boa Sorte)
Oráculo: Se vês três amieiros e dois espinheiros: os teus assuntos estão indo bem; o oráculo diz que deves continuar. Escaparás da enfermidade difícil e tudo dominarás. O dēu̯os anuncia que aquele que vagueia em terras estrangeiras retornará.

44 Dados: 1.6.6.6.3 = 22
Deidade: Mātres Arederkākās (As Mães Bem Conhecidas)
Oráculo: Se vês uma bétula, três espinheiros e um amieiro: Não ponhas a tua mão na boca do lobo para que não sofras algum dano. O assunto sobre o qual perguntas é difícil e delicado. Melhor ficares quieto, evitando viagens e transações comerciais.

45 Dados: 4.4.4.4.6 = 22
Deidade: Nodenđ (O Dēu̯os do Mar)
Oráculo: Se vês quatro salgueiros e um espinheiro: o oráculo diz que lançar sementes às ondas ou escrever cartas na água agitada do mar é inútil e sem proveito. Uma vez que és mortal, não leves o dēu̯os a prejudicar-te.

46 Dados: 4.3.3.6.6 = 22
Deidade: Kamulos Outros (Kamulos, o Terrível)
Oráculo: Se vês um salgueiro, três amieiros e dois sabugueiros: não inicies a viagem que tencionavas, forasteiro! Ninguém o fará. Um grande leão de fogo espera à frente, contra o qual deves precaver-te, terrível é ele. O oráculo é obstinado, espera quietamente.

47 Dados: 1.6.6.6.4 = 23
Deidade: Brigindū (A Dēu̯ā da Sabedoria e dos Ofícios)
Oráculo: Se vês uma bétula, três espinheiros e um salgueiro: honra Brigindū e tudo obterás, o que quer que desejes, e tudo o que planejas correrá bem; ela libertará dos grilhões e salvará a pessoa que estiver enferma.

48 Dados: 6.6.4.4.3 = 23
Deidade: Lau̯eni̯ā (A Felicidade)
Oráculo: Se vês dois espinheiros, dois salgueiros e um amieiro: veleja, parte para onde quiseres, retornarás ao lar, tendo encontrado e feito tudo de acordo com o teu desejo; assim, comprar e negociar trarão contentamento.

49 Dados: 6.6.6.3.3 = 24
Deidade: Belenos U̯ātis (Belenos, o Profeta)
Oráculo: Se vês três espinheiros e dois amieiros: fica onde estás, não ajas, obedece os oráculos de Belenos. Com o tempo, acharás o momento adequado, porém fica quieto neste momento. Se esperares um pouco, conseguirás tudo o que desejas.

50 Dados: 4.4.4.6.6 = 24
Deidade: Sukellos Orgetos (Sukellos, o Destruidor)
Oráculo: Se vês três salgueiros e dois espinheiros: fica em casa com os teus bens e não vás a nenhum outro lugar, a fim de que um monstros e espíritos malignos não se aproximem de ti. Não considero essa iniciativa como confiável e segura.

51 Dados: 4.6.6.6.3 = 25
Deidade: Lugros Andeargi̯os (O Dēu̯os Lunar Muito Brilhante)
Oráculo: Se vês um salgueiro, três espinheiros e um amieiro: toma coragem; tens uma oportunidade; alcançarás o que desejares e chegarás ao momento certo para o começo da tua viagem; o teu esforço terá a sua chance; é bom que tomes parte em obras, disputas e contenciosos.

52 Dados: 6.6.6.6.1 = 25
Deidade: Eponā Mātīr Dēu̯on (Eponā, a Mãe dos Deuses)
Oráculo: Se vês quatro espinheiros e uma bétula: assim como lobos sobrepujam carneiros e poderosos corcéis sobrepujam bois de largos cascos, também tu dominarás tudo isso e tudo sobre o que perguntas será teu com o auxílio de Lugus Boudimāros (“Lugus, o que dá a Vitória”).

53 Dados: 6.6.6.4.4 = 26
Deidade: Taranus Klitos (Taranus, o Oculto)
Oráculo: Se vês três espinheiros e dois salgueiros: o negócio tem os seus obstáculos. Não te apresses, mas espera. Há um caminho doloroso, impossível de percorrer e do qual não deves aproximar-te. Comprar será desconsolador e vender causará perdas.

54 Dados: 6.6.6.6.3 = 27
Deidade: Nantosu̯eltā Nemesi̯ā (Nantosu̯eltā, a Celeste)
Oráculo: Se vês quatro espinheiros e um amieiro: Isso significa que a Filha do Senhor do Céu, Nantosu̯eltā, grande senhora do Mundo Escuro, envia-te um bom oráculo. Ser-te-á concedida uma viagem para que escapes da enfermidade e de todo pensamento vão e soberbo.

55 Dados: 6.6.6.6.4 = 28
Deidade: Arekou̯ednis (O Dano)
Oráculo: Se vês quatro espinheiros e um salgueiro: isso significa que é impossível realizar qualquer coisa fútil; não te esforces em vão e inutilmente a fim de não sofreres dano em razão da tua persistência. Não é bom começar uma viagem ou a fazer negócios.

56 Dados: 6.6.6.6.6 = 30
Deidade: Lugus Anton (Lugus das Fronteiras)
Oráculo: Se vês seis espinheiros: aonde quer que pretendas ir, não vás. Será melhor para ti que fiques onde estás. Vejo algo que te é hostil; espera, portanto. Mais tarde, isso será possível e o dēu̯os libertar-te-á do medo e salvar-te-á de duras labutas.

Dēu̯itatis Arekailaχtās Petruprennon

As Deidades do Oráculo das Quatro Árvores

1) Arekou̯ednis – O Dano
2) Belenos I̯akkos – Belenos, o Curador
3) Belenos Kailoberos – Belenos, o Portador de Oráculos
4) Belenos U̯ātis – Belenos, o Profeta
5) Boudi – A Vitória6) Boudi Lauēnon – A Vitória Feliz
7) Bou̯indā Arepetaunā – Bou̯indā, a Salvadora
8) Bou̯indā Belisamā – A Muito Poderosa Bou̯indā
9) Brigindū – A Dēu̯ā da Sabedoria e dos Ofícios
10) Brigindū Boudikā – Brigindū, a Vitoriosa
11) Dagou̯eχtā – O Bom Momento
12) Dēu̯os Māisamos – O Dēu̯os Maior
13) Dīgalā – A Vingança
14) Eponā Mātīr Dēu̯on – Eponā, a Mãe dos Deuses
15) Eriros Taranous – A Águia de Taranus
16) Esus – O Dēu̯os da Regeneração e da Fertilidade
17) Gobannos – O Dēu̯os da Forja
18) Grannos Loukoberos – Grannos, o Portador da Luz
19) I̯emonoi Aneχtlomāroi – Os Gêmeos que dão Grande Proteção
20) Kamulos Outros – Kamulos, o Terrível
21) Katubodu̯̯ā – O Corvo da Batalha
22) Kirki̯os – O Dēu̯os do Vento
23) Lau̯eni̯ā – A Felicidade
24) Lugrā – A Lua
25) Lugros Andeargi̯os – O Dēu̯os Lunar Muito Brilhante
26) Lugus Anton – Lugus das Fronteiras
27) Lugus Arepetaunos – Lugus, o Salvador
28) Lugus Boudimāros – Lugus, o que dá a Vitória
29) Mātres – As Mães
30) Mātres Arederkākās – As Mães Bem Conhecidas
31) Mātres Dīatteχtās – As Mães Inescapáveis
32) Nantosu̯eltā – A Jovem Rainha do Amor e dos Mortos
33) Nantosu̯eltā Nemesi̯ā – Nantosu̯eltā, a Celeste
34) Nemetonā – A Dēu̯ā do Santuário
35) Nodenđ – O Dēu̯os do Mar
36) Ogmi̯os – O Dēu̯os da Eloquência e da Guerra
37) Prenniatis – O Distribuidor da Sorte
38) Prenniatis Māisamos – O Maior Distribuidor da Sorte
39) Rāti̯ās – As Estações
40) Ratus Sukondos – O Destino Previdente
41) Rīganī Nemesos – A Rainha do Céu
42) Rosmertā – A Boa Provedora
43) Sukellos – O Bom Golpeador
44) Sukellos Orgetos – Sukellos, o Destruidor
45) Sukobron – O Bom Desejo
46) Suprenniatis – O Bom Distribuidor da Sorte
47) Surati̯ā – A Boa Sorte
48) Taranus ak Brigindū – Taranus e Brigindū
49) Taranus Allobrogi̯os – Taranus dos Estrangeiros
50) Taranus Arepetaunos – Taranus, o Salvador
51) Taranus Klitos – Taranus, o Oculto
52) Taranus Louketos – Taranus do Relâmpago
53) Taranus Ouξamos – Taranus, o Mais Alto
54) Taranus Selu̯orīχs – Taranus, o Rico em Propriedades
55) Taranus Teχtomāros – Taranus, o Grande em Posses
56) Toutātis – O Dēu̯os Protetor de cada Toutā

Dēu̯ā – uma deusa, deidade feminina
Dēu̯oi – os deuses, deidades
Dēu̯os – um deus, deidade
Arekailaχtā – um oráculo (ferramenta oracular), conjunto de oráculos, a arte oracular
Arekailon – um presságio, oráculo
Petru – quatro
Prennon – uma árvore, a sorte

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Kantalon – Rito Divinatório Gaulês

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Kantalon litus

Rito Divinatório Gaulês

Bellou̯esus Īsarnos

Introdução

U̯edi̯ā Rāk Adgnīi̯obi

Molātūs Dedmē Ollodagāi  Krundi̯ūi!

Ā Lugus, Ilukerdānon Magale,
Ā Belene, Andeu̯ātis U̯eri̯akkī,
Ā Brigindū, Mātīr Ouχsamā Rou̯iđđous,
Ā Taranus, Bremī Nemomarkāke,
Ā Toutatis, Au̯ete Rii̯otātos Eχsobne.
Bii̯etū sin su̯adū Komenonāi Dēu̯obok ollobo en Bitubi Tribi.

Oração antes dos Estudos

Louvor à Lei Perfeita do Universo!

Ó Lugus, Príncipe das Múltiplas Artes,
Ó Belenos, Grande Profeta e Curador,
Ó Brigindū, Mãe Nobilíssima do Grande Conhecimento,
Ó Taranus, Cavaleiro Celeste de Voz Potente,
Ó Toutatis, Defensor Valente da Liberdade.
Que isto seja agradável à Memória Divina e a todos os Deuses nos Três Mundos.

1 Kentugutus (A Primeira Invocação)
2 Runā Rāko U̯edi̯ān (Runā antes da Oração)
3 Gari̯on Loukosagi̯ī (A Invocação do Iluminador)

1 Kentugutus

Senisamonbo in Morī,
Anati̯obo Ambibitous in Tiresi,
Dēu̯obo in Albii̯ē,
Mon kridi̯on,
Mon gutus
Ak mon menman
Ernami.

1 A Primeira Invocação

Aos Ancestrais no Mar,
Aos Espíritos da Natureza na Terra,
Aos Deuses no Céu,
Meu coração,
Minha voz,
E meu pensamento
Eu ofereço.

2 Runā Rāko U̯edi̯ān

Mon lamās ouχsgabi̯ū Sukellī me delu̯āsseti̯o u̯o rodarkū,
Lugous me rii̯os u̯reχtei̯o u̯o rodarkū,
Maponī me glanos u̯reχtei̯o u̯o rodarkū,
In karantī lubīk.
Snūs lānobitun in trougī anson rodāte:
Eponās đerkan,
Brigindonos karanti̯an,
Kirki̯ī u̯iđđun,
Nantosu̯eltās raton,
Nemetonās obnun,
Nōdentos su̯anton
Ad in Bitū Trii̯on u̯reχtun
Dēu̯oi Senisteroi samalī en Albii̯ē u̯regont.
In skatū louketūk papū, papū en dii̯ū noχtik
Snūs māronerton aneχtlon su̯eson rodāte.

2 Runā* antes da Oração

Ergo minhas mãos sob o olhar de Sukellos que me formou,
Sob o olhar de Lugus que me fez livre,
Sob o olhar de Maponos que me fez puro, em amizade e alegria.
Dai-me prosperidade em minha necessidade:
O amor de Eponā,
A amizade de Brigindū,
A sabedoria de Ogmi̯os,
A bênção de Nantosu̯eltā.
O temor de Nemetonā,
A vontade de Nodenđ,
Para que no Mundo do Três eu faça
como fazem em Albii̯os os Deuses e Ancestrais.
Em cada sombra e luz, em cada dia e noite,
dai-me vosso poder e proteção.

* A runā (segredo) é uma oração curta que prepara o indivíduo para outro rito. Deve ser dita em voz baixa e cadenciada como as ondas do mar, de preferência em local quieto e retirado, em área fechada ou ao ar livre, ou, se possível, às margens do mar ou de um rio.

3 Gari̯on Loukosagi̯ī (A Invocação do Iluminador)

Ponha no altar um cálice de vinho branco (1), juntamente com a ferramenta divinatória (2) escolhida. Usando o punhal cerimonial (3), delimite o perímetro da área de trabalho. Esta é o templum, espaço separado para a observação dos oráculos. Acomode-se diante do altar numa cadeira ou mesmo sentado numa almofada no chão. Com o bastão, lentamente descreva três círculos ao redor do instrumento divinatório que será usado.

Belene Argī,
glana tou loukū mon britun.
Belene U̯oretī,
sondū kamminū rege mon kammana.
Belene U̯ātis,
lāna tou dau̯ū mon anati̯on.

Belenos Brilhante (4),
clareia minha mente com a tua luz.
Belenos Auxiliador,
guia meus passos neste caminho.
Belenos Profeta,
enche minha alma com a tua chama.

Erga o cálice em saudação à divindade e beba um gole:

Oinā briχtāi.
Um para a magia.

Beba outro gole:

Oinā brigāi.
Um para o poder.

Beba outro gole:

Oinā amarkūi.
Um para a visão.

Coloque o cálice no altar ao lado do bastão. Respire profundamente algumas vezes e relaxe antes de começar a divinação.

Depois de terminá-la, toque suavemente o bastão no altar três vezes.

Belene Argī,
Belene U̯oretī,
Belene U̯ātis,
Sindi̯u tei brata agū eri toadretu anau̯ūk.
Aχtos bisi̯ū are aiđđon u̯īroi̯āni̯āi tou gutu.

Belenos Brilhante,
Belenos Auxiliador,
Belenos Profeta,
Agradeço-te pela presença e inspiração hoje.
Que eu seja sempre guiado à verdade pela tua voz.

1) Preferível por ser uma bebida mais refinada, mas também pode ser vinho tinto ou hidromel.

2) Ogham, runas, tarot, pedras divinatórias ou outro qualquer.

3) Caso possua esse instrumento. Se não, pode ser substituído nesse momento pelo dedo indicador da sua mão dominante.

4) Se você escolher outra divindade como inspiradora da divinação, modifique a palavras da Invocação de acordo.

 

A Doutrina Druídica sobre a Morte e o Destino da Alma

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A Doutrina Druídica sobre a Morte e o Destino da Alma

Bellou̯esus Īsarnos

Dicerem stultos, nisi idem bracati senssisent, quod palliatus Pythagoras.

Valerius Maximus, L. II, 6, §10

I Ante o arvoredo

Frente à multidão das perplexidades que assediam a vida humana, a sua finitude inevitável ergue-se como temível colosso e titã espantoso, sementeira de angústias e indagações cujo número iguala-se – caso não o ultrapasse – ao dos insetos numa floresta tropical. E, exatamente como um magote desses animalejos, a certeza da nossa extinção final aflige-nos com o aceno da futilidade suprema de todo esforço, pois, como disse Calderón (1):

¿Que hay quien intente reinar,
viendo que ha de despertar
en el sueño de la muerte?

Outrossim, o caráter temporal da existência humana, com os desafios e situações inevitáveis que lhe são inerentes, cobra-nos uma posição. Seja qual for a resposta que lhes possamos oferecer, nossas ações estarão já limitadas pela facticidade da vida transitória, isto é, pelo que possa ser feito dentro do tempo que nos é dado. A finitude é a qualidade própria do ser humano e toda reflexão sobre a existência humana, uma análise a respeito do finito. Temporalidade e morte entrelaçam-se num abraço que impõe limitações à humanidade, trazendo-lhe sofrimento e aflições, a consciência de que a busca pela autorrealização e felicidade não será perpétua.

Surpreendentemente, é o ponderar acerca dessa finitude que pode oferecer sentido à vida. Se estivermos cientes de que a vida terá um termo e que, nela, experimentaremos eventos que exigirão as nossas mais fortes capacidades de superação, compreenderemos que as nossas decisões não podem ser indefinidamente adiadas, pois o efêmero da vida “cobra-nos uma posição”. A finitude, assim, não é decremento à vida humana, porém parte forçosa do seu sentido, a parcela essencial que lhe confere unicidade e irrepetibilidade. A morte é o motor a impedir-nos de esperar inertes pelo infinito e portadora da potência para a descoberta do próprio sentido da vida. Compele-nos a avançar a certeza do fim.

Destarte, seria possível imaginar que resposta teriam dado os druidas do passado à questão tremenda do findar da nossa vida? Teriam multiplicado pelo sagrado três o fatídico ponto final, dele fazendo a esperança das reticências? Jamais será possível replicá-lo com certeza absoluta, o que, entretanto, não será hábil a impedir-nos o exame, embora superficial, das informações disponíveis sobre o ensinamento druídico a respeito da morte e do destino da alma humana. Acompanhe-nos a Mãe dos Bardos na travessia dessa selva, dédalo de tantas vozes do mundo antigo. Partamos.

II Os Lenhos Veneráveis

Para o Estagirita, os celtas, completamente armados, investiam contra as próprias ondas e, barbaricamente insensíveis à dor, não os atemorizavam nem os terremotos nem as inundações (2).

Na “Anábase”, Arriano de Nicomédia relata o encontro entre Alexandre, filho de Felipe II da Macedônia, e uma embaixada céltica, ocasião em que o conquistador de metade do mundo habitado ouviu dos celtas que o seu maior medo era que o céu lhes caísse em cima (3).

Segundo Gaio César, os druidas “desejam sobretudo persuadir de que as almas não perecem, mas, após a morte, passam de um corpo a outro” (4). Pompônio confirma-o: “um dos seus [isto é, dos druidas] preceitos chegou ao conhecimento comum, a saber, que as almas são eternas e há outra vida junto aos mortos” (5).

O general romano assinalou também a magnificência e suntuosidade dos funerais gauleses, informando que todas as coisas amadas pelo morto, fossem criaturas vivas (animais ou – “paulo supra hanc memoriam”, “pouco antes desta época” – servos e dependentes) ou ainda bens materiais eram, uma vez completados os ritos funerários, lançados às chamas (6).

Pompônio outra vez corrobora a informação prestada por Gaio, acrescentando que, em tempos passados (7), os galos “costumavam adiar a conclusão de negócios e o pagamento das dívidas até a sua chegada ao outro mundo”.

Quanto aos acompanhantes do defunto em sua jornada além-túmulo, este autor esclarece que seu sacrifício seria voluntário: “havia alguns que se lançavam de bom grado às piras funerárias de seus parentes para com estes compartilhar a nova vida” (8).

Diodoro liga a Pitágoras de Samos (ca. 570–495 aEC) a crença céltica na imortalidade da alma: “[…] entre eles prevalece o ensinamento de Pitágoras, segundo o qual […] as almas dos homens são imortais e, depois de certo número de anos, cada alma volta à vida entrando noutro corpo”. Nessa mesma passagem, esse autor fornece-nos outro peculiar uso funerário céltico: “É também por esse motivo que, durante os funerais, há quem lance na pira cartas escritas aos mortos, como se estes as fossem ler” (9).

Estrabão, geógrafo, historiador e filósofo, referiu que os druidas “e outros como eles” proclamavam a imortalidade da alma e do mundo; contudo, julgavam que, num futuro indeterminado, ocorreria uma conflagração dos elementos na qual o fogo e a água prevaleceriam sobre todo o resto (10).

Valério Máximo foi o autor de uma tirada célebre que para sempre uniu, num mesmo figurino, o himátion helênico e a braga céltica, ao afirmar que consideraria loucos os gauleses vestidos de calças por abraçarem a crença na imortalidade da alma, não fosse essa a mesma convicção do grande Pitágoras com o seu manto. Valério disse ainda que tão firme era a confiança gaulesa na sobrevivência da alma humana à morte que chegavam a fazer empréstimos cujo pagamento ficava acertado para o Além (11).

O cordovês Lucano, reforçando o caráter cruel dos cultos célticos inculcado no público romano pelo brilhante verbo de Cícero no discurso em defesa de Fonteio, menciona em seu poema sobre a guerra civil os sacrifícios sangrentos a Teutates, Esus e Taranis, observando em seguida, o que é da maior importância, que os bardos, por meio de suas canções, escolhiam “as almas valentes daqueles que pereceram em batalha para conduzi-las a uma morada imortal”, isto é, ao renascimento para uma vida eterna e bem-aventurada junto às deidades. Na mesma passagem, somos informados que os druidas, “únicos conhecedores dos deuses e numes celestes”, ensinavam que “dos homens as sombras / não as silentes moradas de Érebo e do profundo Dis / os reinos pálidos buscam: dirige-as o sopro da vida / a outro mundo; de uma longa vida, se quanto cantais / conheceis, a morte é o meio” (12): “De uma longa vida a morte é o meio”.

Também Jâmblico, o neoplatônico, atribuiu aos gauleses a crença na imortalidade da alma: “Ainda hoje, todos os gauleses, os tribales e a maior parte dos bárbaros ensinam aos seus filhos que a alma daqueles que morrem não é destruída, mas subsiste; que não é necessário temer a morte, mas que se deve enfrentar os perigos com resoluta energia” (13).

Por fim, para encerrar a primeira jornada neste bosque ancestral, parece-nos adequado mencionar a única tríade druídica a sobreviver da Antiguidade. Diógenes Laércio, citando a perdida “Sucessão dos Filósofos”, de Sotíon, escreveu que, no tocante aos gimnosofistas e aos druidas (γυμνοσοφιστὰς καὶ Δρυΐδας), “dizem-nos que comunicam sua filosofia por meio de enigmas e ditos obscuros (αἰνιγματωδῶς ἀποφθεγγομένους φιλοσοφῆσαι), exortando os homens a reverenciar os deuses (σέβειν θεοὺς) e abster-se de fazer o mal (καὶ μηδὲν κακὸν δρᾶν) e praticar a bravura (καὶ ἀνδρείαν ἀσκεῖν) (15).

III Reflexões noturnas junto ao fogo

crença céltica na imortalidade da alma intrigou os helenos. Pareceu-lhes tão contrária a suas ideias escatológicas, porém tão semelhante à metempsicose pregada pelo mestre de Samos, que não resistiram a fazer uma “interpretatio graeca” e deduzir que os druidas tinham obtido de Pitágoras o seu ensinamento, ou, ao inverso, fora Pitágoras a beber em terras célticas da fonte druídica.

Tão extraordinária foi para os gregos a ideia da sobrevivência da alma humana (com todas as suas faculdades) à morte, que não lhes pareceu fora do razoável interpretá-la nos termos que lhes fossem mais familiares.

A comparação (ou equiparação) entre a doutrina druídica e a pitagórica provavelmente surgiu logo que os gregos tomaram conhecimento da existência dos druidas, talvez por volta do séc. V aEC. Sabe-se que, desde essa época, circulava uma obra chamada “Símbolos Pitagóricos” (16), hoje perdida e de autoria desconhecida. Acredita-se que ela expusesse, entre outras coisas, a relação, tal como compreendida pelos helenos, entre os druidas e a escola pitagórica.

Hipólito, filiado a essa tese, conta que os druidas teriam sido discípulos de Zamolxis, um trácio, servo de Pitágoras, que, morto o seu mestre, teria emigrado para a Céltica, onde se tornou o apóstolo do pitagorismo, e com tal sucesso que a reverência prestada aos druidas como profetas dever-se-ia a “predizerem certos eventos futuros por meio de cálculos e números conforme a arte pitagórica” (17). Clemente de Alexandria (ca. 150–215 EC) (18) e Cirilo de Alexandria (ca. 375 ou 378–444 EC) (19) pertencem à mesma corrente.

A crença na transmigração da alma pode ser encontrada, de um modo ou de outro, em várias culturas e sistemas religiosos – aborígenes australianos, tribos da Amazônia ocidental, hinduísmo, budismo, na cabala judaica (embora tenha de conformar-se à ortodoxia das Escrituras, sendo mais uma ideia tolerada do que um ensinamento aprovado pela tradição).

Para os gregos antigos, a noção de que a alma, finda a vida terrena, pudesse desfrutar de outra existência plena, era algo surpreendente. Tal concepção era alienígena a sua religião tradicional, que reconhecia como destino usual do homem um pós-vida melancólico e sombrio na Casa de Hades. Se é verdade que práticas rituais e o culto funerário atestam a disseminação de esperanças mais alegres para o outro mundo, não seria inexato reconhecer que pontos de vista como os sustentados pelos druidas não encontravam paralelo exato na Hélade e permaneciam, em grande medida, como província de cultos periféricos (Mistérios Órficos, a própria Escola Pitagórica) e pensadores de vanguarda (Empédocles, Platão, Plotino) influenciados por aqueles.

Para Pitágoras, resumidamente, as almas reencarnavam em várias formas corpóreas (humanas, animais ou inanimadas), ficando o seu destino na dependência das ações tomadas em encarnações prévias – tal é a doutrina chamada “metempsicose”, que mereceu destaque nos escritos de autores gregos que mencionaram os druidas precisamente pela sua novidade e caráter exótico. A leitura cuidadosa da informação que há pouco vimos, entretanto, guiar-nos-á a conclusões noutro sentido.

Aprendemos de Gaio que os funerais gauleses eram “magníficos e suntuosos” (“funera sunt […] magnifica et sumptuosa”), sendo todas as coisas amadas pelo morto, uma vez completados os ritos funerários, lançadas às chamas para acompanhá-lo na última viagem. Ora, os achados arqueológicos das últimas décadas têm mostrado que a aristocracia céltica fazia-se sepultar com todo o necessário para “uma outra vida junto aos mortos” (Pompônio, “uita altera ad manes”). Gaio e Pompônio asseveram como ensinamento druídico a eternidade das almas (“aeternas esse animas”) e o renascimento em novo corpo após a morte terrena (“[…] sed ab aliis post mortem transire ad alios”). Fica igualmente clara a total manutenção da personalidade, com seus interesses e afeições, quando aprendemos que contratos podiam ser firmados em vida para o adimplemento no outro mundo e que os familiares vivos escreviam cartas endereçadas a seus mortos queridos – incidentalmente esclarecendo que os celtas não eram ágrafos.

Não podemos deixar de invocar os versos de Lucano: “Também vós, Bardos, que por vossos louvores / Escolheis as almas valentes daqueles que pereceram em batalha / Para conduzi-los a uma morada imortal […]”, completando-os com outros, do romano Sílio Itálico, em que este anotou uma crença dos celtas da Ibéria: “Os celtas conhecidos como Hiberi também vieram. / Para eles é glorioso cair em combate, / mas consideram errado cremar um guerreiro que morre desse modo. / Acreditam que ele será transportado aos deuses se seu corpo, / jazendo no campo de batalha, for devorado por um abutre faminto” (20).

Lucano clarifica-nos a razão da importância dispensada à poesia bárdica pelo conjunto das culturas célticas: houve época em que a palavra inspirada do Bardo tinha o poder de abrir para o guerreiro morto em batalha a porta da mansão dos Deuses. O Bardo era o guia, o psicopompo dessa jornada rumo ao Elíseo céltico. Sílio Itálico elucida algo que causou assombro aos gregos quando da incursão céltica do séc. III aEC na Grécia, a saber, a indiferença estarrecedora dos celtas quanto aos despojos dos companheiros caídos. “Os gálatas não enviaram um arauto a solicitar permissão para enterrar seus cadáveres: não lhes importava que se desse a esses cadáveres um pouco de terra ou que fossem deixados aos animais selvagens ou às aves que fazem guerra aos mortos” (21).

Lucano prestativo – embora não amigo de Bardos ou Druidas – apresenta-nos aquela que poderia ser a final diferença entre a metempsicose pitagórica e a transmigração druídica: se exato o ensinamento dos Druidas, as almas dos homens não descem à morada sombria de Érebo ou ao reino silencioso do Pai Dis; o sopro da vida leva-as a outro mundo (“regit idem spiritus artus orbe alio”). Ōrbĭs (“o mundo, a Terra, o globo terrestre”) ălĭŭs (“outro”), Orbis Alius, o “Outro Mundo” tão conhecido pelos que possuam familiaridade com os textos irlandeses, nos quais recebe diversos e poéticos nomes, como “Magh Findargat” (“Planície da Prata Brilhante”), “Magh Mell” (“Planície das Delícias”), “Magh Iongnadh” (“Planície dos Milagres”), “Sen Magh” (“Planície Antiga”). É nesse Outro Mundo que a alma receberá um novo corpo e dará continuidade a sua existência.

Que espécie de lugar é o Outro Mundo? Um conto antigo tem a resposta. Connla e seu pai, o rei Conn Cétchathach, estão nas encostas da Colina de Uisnech, acompanhados também pelo séquito real. Surgindo do nada, uma mulher deles se aproxima. Connla pergunta-lhe de onde vem. “Venho das terras onde não há morte, nem necessidade, nem pecado. Mantemo-nos em celebração sem necessidade de serviço. A paz reina entre nós. É um grande monte encantado [‘síd’] no qual vivemos. Somos chamados ‘o povo do monte encantado’ [‘áes síde’]”. A mulher deseja levar Connla para o Outro Mundo: “Se quiseres seguir-me, tua forma jamais diminuirá em juventude ou beleza, mesmo até o admirável Dia do Julgamento. […] Os vivos, os imortais, chamam por ti, chamam-te para o povo de Tethra, que te observa a cada dia nas assembleias do teu país nativo, entre os teus parentes amados. […] Essa terra podemos atingir em meu barco de cristal, o monte encantado de Boadach. Existe ainda outra terra à qual não é pior chegar-se. Vejo-o, o sol afunda. Embora seja distante, podemos alcançá-la antes da noite. Essa é a terra que alegra o coração de todos que para lá vagueiam” (22).

Desse modo, podemos ter como razoavelmente certo que a imortalidade da alma era ensinamento tradicional dos druidas da Antiguidade, não implicando, entretanto, na afirmação do retorno obrigatório do homem a este mundo. Ela é a conquista de todo ser humano e a afirmação de que, após a morte, todos encontrarão júbilo e bem-aventurança num Outro Mundo encantado, uma Terra sem Males, junto aos Deuses e Ancestrais.

IV De volta ao campo aberto

A suave amoralidade dos celtas… Vimos a promessa da imortalidade num mundo sem sofrimento, fomos exortados a honrar os deuses, evitar o mal e praticar a bravura; sem embargo, em nenhum parágrafo houve menção a qualquer tipo de julgamento.

Conforme os sacerdotes egípcios, a admissão definitiva ao Reino de Osíris não ocorria senão após um julgamento favorável ao morto.

Tal doutrina do julgamento após a morte era desconhecida dos celtas. A sua introdução na Irlanda deu-se com a cristianização, e o esforço necessário para obter a sua aceitação, diz-se, causou indignação ao bom São Patrício.

Examinamos o material relativo aos druidas continentais. Caso houvesse espaço, encontraríamos algumas diferenças – e tantas outras confirmações – com a investigação das fontes insulares. Talvez seja possível fazê-lo noutra ocasião.

Bem haja o leitor amável que neste passeio nos acompanhou.

(Escrito para a revista da Assembleia da Tradição Druídica Lusitana – ATDL)

Notas

1) Pelayo, Marcelino Menéndez. “Teatro Selecto de Calderón de la Barca”. Madrid: Luis Navarro, 1881. 1 v., p. 77.

2) Aristóteles (384–322 aEC). “Ética a Eudemo”, III, 1, 22-25 e “Ética a Nicômaco”, III, 7, 7, respectivamente.

3) Lucius Flauius Arrianus (ca. 86/89 – após 146/160 EC). “Alexándrou Anábasis”, I, 4, 7.

4) Gaius Iulius Caesar (100–44 aEC), “Commentarii de Bello Gallico”, VI, 14. O general ainda acrescenta que “por causa desse ensinamento, de que a morte é somente uma transição, eles são capazes de encorajar o destemor nas batalhas”.

5) Pomponius Mela (séc. I EC). “De Chorographia”, III, 15. Ecoando César, Pompônio observa que “isso foi permitido manifestamente porque torna a multidão mais pronta para a guerra”.

6) Gaius Iulius Caesar. “Commentarii de Bello Gallico”, VI, 19.

7) Observe-se a nova referência ao passado (“olim”, “em tempos passados”). Uma vez que se encontra igualmente no texto de César, uma interpretação razoável seria que, à época da invasão romana, tais crenças já se estivessem desvanecendo.

8) Pomponius Mela. “De Chorographia”, III, 15.

9) Diodorus Siculus (fl. séc. I aEC), “Bibliotheca histórica”, V, 28.

10) Strabōn (64 ou 63 aEC – c. 24 EC). “Rerum Geographicarum Libri XVII”, IV, 4, 4.

11) Valerius Maximus (reinado de Tiberius, 14 a 37 d. C.). “Factorum et Dictorum Memorabilium”, II, 6, §§ 10-11.

12) Marcus Annaeus Lucanus (39–65 EC). “De Bello Ciuili uel Pharsaliae”, I, v. 392-465.

13) Iamblichus Chalcidensis (ca. 245 – ca. 325 EC). “De Vita Pythagorica”, 30.

14) Literalmente, “sábios nus”. Talvez os ancestrais dos “rishis” indianos.

15) Diogenes Laertius (séc. III d. C.). “Bioi kai gnomais ton en philosophian eudokimesanton”, I, 6.

16) “Pythagorica Hypomnemata”.

17) Hippolytus (170–235 EC). “Refutatio Omnium Haeresium”, I, 22.

18) “Stromata”, I, XV, 70, 1; 71, 3.

19) “Aduersus Iulianum”.

20) Tiberius Catius Asconius Silius Italicus (ca. 28 – ca. 103 d. C.), “Punicorum Libri Septemdecim”, III, v. 340-343.

21) Pausanías (séc. II EC). “Descriptio Graeciae”, X, 21, 6.

22) “Echtra Condla”, “A Aventura de Connla” (Irlanda, séc. VII EC).

 

As Sete Bençãos do Iniciado

LE MAGE

Seχtan Aneχtlā Ađđou̯i

As Sete Bençãos do Iniciado

A primeira benção: Pelo poder de Medunā, que em teu cinturão estejam as chaves prateadas da libertação das condições materiais.

A segunda benção: Pelo poder de Lugus, que em teus ombros agitem-se as asas de tua verdadeira vontade para levar-te aonde desejares.

A terceira benção: Pelo poder de Nantosu̯eltā, que teu semblante seja radiante com vida e amor e que o imã da atração esteja em tua fronte.

A quarta benção: Pelo poder de Belenos, que sejam tuas a harpa da tradição e a trombeta da profecia.

A quinta benção: Pelo poder de Ogmi̯os, que a espada possante da coragem esteja sempre pronta em tua mão.

A sexta benção: Pelo poder de Taranus, que a generosidade de teu espírito seja sempre uma libação vertida ante o altar de todos os Deuses.

A sétima benção: E pelo poder de Sukellos, que todas as benção temporais e espirituais sejam concretizadas.

Bellouesus /|\

A Invocação das Dádivas

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Eu banho as tuas mãos
Em cascatas de vinho,
No fogo purificador,
Nos elementos todos deste mundo,
No sumo de todos os frutos,
No leite doce como o mel,
E firmo os nove puros encantos
No teu rosto gracioso:

A dádiva da formosura do corpo,
A dádiva da voz,
A dádiva da felicidade,
A dádiva da bondade,
A dádiva da sabedoria,
A dádiva da generosidade,
A dádiva da modéstia honrada,
A dádiva da beleza na alma,
A dádiva das boas palavras.

Sombria é aquela cidade,
Sombrios os que lá estão;
És tu o cisne dourado
Que entre eles se aventura.
Sob o teu poder os seus corações,
Sob os teus pés as suas línguas.
Que jamais sussurrem sequer uma palavra
Para ofender-te ou ferir-te.

És sombra no calor,
No frio és abrigo.
És olhos para o cego,
Para o peregrino és bastão.
És ilha no mar,
Uma fortaleza és em terra.
És fonte no deserto,
Saúde para o enfermo és tu.

Tua é a perícia de todas as deusas,
Tua é a virtude da gentil Sironā,
Tua é a fidelidade da Mātronā suave,
Tua é a cortesia da terra mais nobre,
Tua é a beleza da adorável Nantosu̯eltā,
Tua é a ternura de toda juventude delicada,
Tua é a coragem de Katubodu̯ā,
Tua é a sedução da voz melodiosa.

És a alegria de todas as coisas alegres,
És a luz do raio de sol,
És a porta do mestre da hospitalidade,
És a estrela de brilho insuperável a mostrar o caminho,
És a pegada do gamo na encosta da colina,
És a pegada do corcel na planície,
És a elegância do cisne no lago,
És o enlevo de todo desejo envolvente.

A semelhança esplêndida de Esus
Está na tua face pura,
A mais esplêndida semelhança
Que no mundo já existiu.

Seja tua a melhor parte do dia,
O melhor dia da quinzena seja teu,
Seja tua a melhor quinzena do ano,
O melhor ano em poder de Lugus seja teu.

Ogmi̯os chegou e Smertri̯os chegou,
Moritasgos chegou e Kirki̯os chegou,
Rīganī e Rosmertā chegaram,
Sukellos magnânimo chegou,
O formoso jovem Maponos chegou,
Belenos, profeta dos deuses, chegou,
Lugus, o príncipe valente, chegou
E Toutatis, o chefe dos exércitos, chegou.

E Eponā, a mãe de tudo, chegou
E os conselhos do seu espírito chegaram,
E Karnonos com ela veio
Para derramar sobre ti a sua afeição e o seu amor,
Para derramar sobre ti a sua afeição e o seu amor.

Bellouesus /|\

Adaptado de Carmina Gadelica.

 

A Aventura de Cormac na Terra da Promessa

Echtra Cormaic i Tír Tairngire

A Aventura de Cormac na Terra da Promessa

Leabhar Buidhe Lecain, “Livro Amarelo de Lecan”, col. 889, l. 26, p. 181; Irlanda, c. 1391 – c. 1401.

Tradução: Bellouesus

manannan2-2x4Certa vez em que Cormac, filho de Art, filho de Conn das Cem Batalhas, estava em Liathdruim, ele viu um rapaz no campo diante de sua fortaleza, tendo na mão um cintilante ramo encantado com nove maçãs de ouro vermelho. E era esta a propriedade desse ramo, que, quando qualquer um o agitasse, homens e mulheres feridos seriam acalentados pelo som da dulcíssima música mágica que as maçãs emanavam e outra propriedade era que ninguém na terra manteria no pensamento qualquer preocupação, pesar ou tristeza na alma quando o ramo lhe fosse balançado e, com o sacudir do ramo, ninguém se lembraria de qualquer mal que pudesse ter ocorrido. Cormac disse ao jovem: “É teu esse ramo?” “Certamente é meu”, disse o rapaz. “Tu o venderias?”, perguntou Cormac. “Vendê-lo-ia”, falou o jovem, “pois nunca tive nada que eu não vendesse”. “O que pedirias por ele?”, disse Cormac. “O preço que a minha boca disser”, disse o rapaz. “De mim o receberás”, disse Cormac, “e dize o teu preço”. “A tua esposa, o teu filho e a tua filha”, respondeu o rapaz, “isto é, Eithne, Cairbre e Ailbhe”. “Terás a todos”, disse Cormac.

Depois disso, o rapaz entregou o ramo e Cormac levou-o a sua própria casa, a Ailbhe, a Eithne e a Cairbre. “Belo é o tesouro que tens”, disse Ailbhe. “Isso não me espanta”, respondeu Cormac, “pois paguei bom preço por ele”. “O que deste por ele ou que troca fizeste?”, perguntou Ailbhe. “Cairbre, Eithne e tu mesma, ó Ailbhe”. “Isso é uma lástima”, falou Eithne, “ainda que não seja verdade, pois pensamos que não haja na face da terra tesouro pelo qual nos trocarias”. “Dou a minha palavra”, disse Cormac, “de que vos dei por este tesouro”. Tristeza e pesar encheram os seus corações ao saber que aquilo era verdade e Eithne disse: “É uma barganha muito dispendiosa entregar-nos em troca de qualquer ramo no mundo”.

Quando Cormac percebeu que a tristeza e o pesar haviam invadido os seus corações, agitou o ramo contra eles e, ao ouvirem a suave e doce música do ramo não mais pensaram em qualquer mal ou preocupação que os tivesse atingido e saíram para encontrar o rapaz. “Aqui”, disse Cormac, “tens o preço que pediste pelo ramo”. “Bem cumpriste a tua promessa”, disse o rapaz, “e recebeste votos de vitória e bençãos em atenção à tua veracidade”. E deixou Cormac com desejos de prosperidade e saúde e ele e os seus companheiros seguiram o seu caminho.

Cormac foi para a sua casa e, quando essas notícias foram ouvidas em toda a Ériu, altos clamores de pranto e lamentação ergueram-se em cada parte dela e sobretudo em Liathdruim. Quando Cormac escutou os estrondosos clamores em Temhair, sacudiu o ramo entre eles, de modo que não houve mais tristeza ou pesar nos corações de ninguém.

Ele assim continuou durante todo aquele ano, até dizer: “Hoje faz um ano que a minha mulher, o meu filho e a minha filha foram tomados de mim e segui-los-ei pelo mesmo caminho por onde foram”.

Então Cormac saiu para procurar o caminho pelo qual vira partir o rapaz e uma escura névoa mágica levantou-se ao seu redor e ocorreu que ele chegou a uma admirável e maravilhosa planície. Era assim essa planície: havia ali uma soberba e grandíssima legião de cavaleiros e a atividade que estavam a realizar era cobrir uma casa com um telhado de penas de pássaros exóticos e, ao terminar de cobrir metade da casa, saíam a procurar penas de aves para a outra e, quanto à metade da casa que já haviam coberto, sobre ela não encontravam uma só pena ao retornar. Cormac ficou longo tempo a observá-los nesse mister e assim falou: “Não mais vos observarei, pois percebo que nisso vos esforçareis do começo ao fim do mundo”.

Cormac seguiu o seu caminho e estava a perambular pela planície quando viu um jovem de estranha aparência a caminhar por ali e o seu ofício era este: ele arrancava do chão uma enorme árvore e partia-a entre a raiz e a copa e com ela fazia uma grande fogueira e saía a procurar outra árvore e, ao retornar, não encontrava diante de si sequer um restolho da primeira árvore que não estivesse queimado e consumido. Por um grande lapso de tempo esteve Cormac a observá-lo naquele dilema e por fim disse: “Certamente te deixarei a partir deste momento, pois, ficasse eu a olhar-te para sempre, estarias na mesma até o fim dos tempos”.

Depois disso, Cormac começou a percorrer a planície até divisar três imensas fontes nas extremidades da planície e assim eram essas fontes: nelas havia três cabeças. Cormac achegou-se à fonte que estava mais próxima de si e assim era a cabeça que nela estava: uma correnteza fluía para sua boca e duas correntezas dela fluíam. Cormac avançou para a segunda fonte e a cabeça que estava nessa fonte era assim: uma correnteza para ela fluía e outra correnteza dela fluía. Ele avançou para a terceira fonte e assim era a cabeça que nela estava: para sua boca três correntezas fluíam e somente uma correnteza dela fluía. Com isso foi Cormac tomado de grande assombro e disse: “Não mais estarei a observar-vos, pois jamais encontrarei homem que me conte as vossas histórias e acredito que descobriria bom ensinamento nos vossos significados se os compreendesse”.

O rei de Ériu seguiu o seu caminho e não havia caminhado muito quando viu um vasto campo diante de si e uma casa no meio do campo. E Cormac aproximou-se da casa e nela entrou. E o rei de Ériu saudou os que dentro estavam. Um casal muito alto com vestes multicoloridas, que dentro estava, respondeu-lhe e rogou-lhe que permanecesse. “Quem quer que sejas, ó jovem, pois já não é hora de viajares a pé”.

Assim, Cormac, filho de Art, sentou-se e ficou certamente satisfeito por encontrar hospitalidade naquela noite. “Levanta-te, ó homem da casa”, disse a mulher, “pois há um honesto e bem-apessoado viajante em nossa casa e como poderias saber se não é algum honrado nobre entre os homens do mundo? E, se tiveres algum tipo de comida ou carne da melhor qualidade, que me sejam trazidos”.

Ao escutá-la ergueu-se o jovem e deste modo voltou até eles, isto é, com um enorme javali selvagem nas costas e uma tora em sua mão e jogou a tora e o suíno no chão e disse: “Aqui tendes a carne e cozinhai-a para vós mesmos”. “Como devo fazê-lo?”, perguntou Cormac. “Ensinar-te-ei”, disse o jovem, “ou seja, racha esta grande tora que tenho e dela faze quatro peças e joga um quarto do javali e um quarto da tora embaixo dele e conta um conto verdadeiro e o javali será cozido”.

Disse Cormac: “Narra tu mesmo o primeiro conto e então a tua esposa e depois disso será a minha vez”. “Falas acertadamente”, disse o jovem, “e penso que tens a eloquência de um príncipe e para começar contar-te-ei um caso. Aquele suíno que eu trouxe”, ele continuou, “não tenho senão sete desses porcos e com eles eu poderia alimentar o mundo inteiro, pois, dentre esses porcos o que for morto, tens apenas de colocar os seus ossos de volta no chiqueiro e na manhã seguinte ele será encontrado vivo”. Esse caso era verdadeiro e o quarto do porco ficou cozido. “Conta tu uma história agora, ó mulher da casa”, disse o jovem. “Contarei”, ela falou, “e põe tu ali um quarto do javali selvagem e sob ele um quarto da tora”. Assim foi feito.

Disse ela: “Tenho sete vacas brancas e elas enchem as sete cubas com leite todos os dias e dou minha palavra que elas produziriam leite suficiente para satisfazer todos os homens do mundo caso estes estivessem a bebê-lo na planície”. Esse caso era verdadeiro e, por conseguinte, o quarto do porco ficou cozido.

Disse Cormac: “Se verdadeiras foram as vossas narrativas, és por certo Manannán e ela é tua esposa, pois ninguém na face da terra possui tais tesouros senão Manannán, eis que foi a Tír Tairngire que ele foi em busca dessa mulher e obteve com ela essas sete vacas e sobre elas tossiu até aprender os miraculosos poderes da sua ordenha, ou seja, que elas poderiam encher sete cubas de uma vez só”. “Com total acerto nô-lo disseste, ó jovem”, disse o homem da casa, “e conta-nos um caso a teu próprio respeito agora”.

Disse Cormac: “Contarei e põe tu um quarto da tora sob o caldeirão até que eu te conte um conto verdadeiro”. Assim foi feito e Cormac disse: “Seguramente estou em uma busca, pois hoje se completou um ano desde que a minha mulher, o meu filho e a minha filha foram levados de mim”. “Quem os tomou de ti?”, perguntou o homem da casa. “Um jovem veio a mim”, disse Cormac, “que segurava em sua mão um ramo encantado e surgiu em mim grande desejo por esse ramo, de modo que lhe concedi por ele qualquer preço que pedisse e ele exigiu-me o cumprimento da minha palavra e a recompensa que de mim extorquiu foram a minha mulher, o meu filho e a minha filha, isto é, Eithne, Cairbre e Ailbhe”. “Se é veraz quanto dizes”, falou o homem da casa, “és por certo Cormac, filho de Art, filho de Conn das Cem Batalhas”. “Deveras sou”, disse Cormac, “e é à procura deles que agora estou”. Verdadeiro era o relato e o quarto do porco ficou cozido.

Disse o jovem: “Agora come a tua refeição”. “Jamais consumi uma refeição”, disse Cormac, “com somente duas pessoas em minha companhia”. “Comerias com três outras, ó Cormac?”, perguntou o jovem. “Comeria, se me fossem queridas”, disse Cormac.

O homem da casa levantou-se e abriu a porta mais próxima da casa e saiu e trouxe para dentro aqueles a quem Cormac buscava e então ânimo e júbilo tomaram Cormac.

Manannán então veio a ele em sua forma verdadeira e assim falou: “Fui eu quem os levou de ti e fui eu quem te deu esse ramo e foi a fim de trazer-te a esta casa que os tomei de ti e agora aqui está a tua carne e come a comida”, disse Manannán. “Assim farei”, disse Cormac, “se puder compreender os enigmas que hoje vi”. “Irás compreendê-los”, disse Manannán, “e fui eu quem te trouxe até eles para que os pudesses ver. A legião de cavaleiros que te apareceu a cobrir a casa com as penas de pássaros, que, conforme lograssem eles cobrir uma metade da casa, costumavam dali desaparecer, saindo então em busca das penas de outras aves para o restante, tal assemelha-se aos poetas e às pessoas que buscam a sorte, pois, ao partirem, tudo o que deixam para trás em suas casas é consumido e assim continuam para sempre. O rapaz que viste a acender o fogo e que partia a árvore entre a raiz e a copa e depois encontrava-a consumida enquanto ia alhures em busca de outra árvore, o que isso representa são aqueles que distribuem comida enquanto todos os demais estão sendo servidos, eles próprios preparando-a e todos os outros disso tirando proveito. As fontes que viste, nas quais havia três cabeças, assemelham-se aos três que no mundo há. Tais são eles: a cabeça que viste com uma correnteza a fluir para si e duas correntezas a fluir de si, seu significado é o homem que dá mais do que recebe do mundo. A cabeça que possui uma correnteza fluindo para si e uma correnteza de si fluindo é o homem que dá do mundo na mesma medida em que deste recebe. A cabeça que viste com três correntezas a fluir para sua boca e uma correnteza a fluir desta é o homem que recebe muito e dá pouco e é o pior dos três. E agora come a tua refeição, ó Cormac”, disse Manannán.

Depois disso, Cormac, Cairbre, Ailbhe e Eithne sentaram-se e uma toalha foi estendida diante deles. “É algo de muito precioso isto que se encontra diante de ti, Cormac”, disse Manannán, “pois não há comida, por mais refinada que seja, que lhe possa ser solicitada que não seja certamente recebida”. “Isso é bom”, disse Cormac.

Depois disso, Manannán levou a mão a seu cinturão e trouxe dali um cálice e mostrou-o em sua palma. “É das virtudes desta taça”, disse Manannán, “que, ao ser dito diante dela um relato falso, quebre-se em quatro partes e, quando um relato verdadeiro for narrado diante dela, ficará inteira outra vez”. “Que seja demonstrado”, disse Cormac. “Isso será feito”, disse Manannán. “Essa mulher que levei de ti teve outro homem desde que a trouxe comigo”. Então o cálice quebrou-se em quatro partes. “Isso é uma mentira”, disse a esposa de Manannán, “digo que eles não viram homem nem mulher a não ser a si mesmos desde que te deixaram”. Esse relato era verdadeiro e o cálice ficou inteiro novamente.

Disse Cormac: “São coisas muito preciosas estas que possuis, ó Manannán”. “Seriam boas para ti”, respondeu Manannán, “portanto, todas as três serão tuas, ou seja, o cálice, o ramo e a toalha, em respeito à tua caminhada e à tua jornada neste dia. E come agora a tua refeição, pois, ainda que houvesse uma legião e uma multidão, neste lugar mesquinhez não encontrarias. E gentilmente vos saúdo a todos, pois fui eu quem sobre vós lançou um encantamento para que em amizade estivésseis comigo nesta noite.

Depois disso, ele comeu a sua refeição e boa foi essa refeição, pois não havia tipo de carne em que pensassem que não fosse encontrado na mesa nem tipo de bebida que imaginassem que não fosse encontrado na taça e profusamente agradeceram a Manannán. Contudo, quando eles haviam consumido a sua refeição, isto é, Cormac, Eithne, Albhe e Cairbre, um divã lhes foi preparado e foram dormir e dormiram docemente e onde acordaram foi na aprazível Liathdruim, com a sua toalha, a sua taça e o seu ramo.

E essa foi a peregrinação de Cormac e como ele obteve o seu ramo.

Leia também As Instruções de Cormac (Tecosca Cormaic).

Encantamento contra Enfermidades

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Prepare-se da forma costumeira. Comece quando sentir que está pronto.

Belenos da longa cabeleira,
Belenos que tudo prevê,
Belenos da lança prateada,
Belenos dos corvos,
Belenos dos belos cabelos,
Belenos possuidor da décima parte,
Belenos diante de quem todos são iguais,
Belenos dos presságios divinos,
Belenos afastador do mal.

Belenos Iluminado, abre-me o caminho! (Libação de água)

Belenos dador de saúde,
Belenos brilhante,
Belenos nascido da luz,
Belenos protetor dos pastores,
Belenos caçador,
Belenos das boas profecias,
Belenos guia do destino,
Belenos comandante,
Belenos auxiliador.

Belenos Iluminado, abre-me o caminho! (Libação de mel)

Fogueira

Tradicionalmente, este encanto se faz com madeira de carvalho.

Acenda a fogueira.

Você vai amarrar um fio roxo de material natural (como lã ou algodão) ao redor da pessoa ou de uma imagem consagrada dela ou de um objeto que tenha estado em contato próximo com ela durante certo tempo. Dê um nó e diga: Eu te amarro para a cura. Desamarre o nó e lance-o ao fogo, dizendo: Ao fogo lanço este mal para que seja consumido como este fio é consumido. Que desapareça na fumaça!

Quando a maior parte da madeira estiver reduzida a pedaços brilhantes de carvão em brasa, apanhe um cuidadosamente com um par de pinças ou uma pá e atire-o imediatamente num riacho ou num pote de água fria. Ele irá chiar e estalar. Enquanto isso, visualize o mal que deixa o corpo da pessoa afetada. Repita a operação mais três vezes.

Bellouesus /|\