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Nwyfre: fonte de vida e consciência

Palestra apresentada no Encontro com o Druidismo do Rio Grande do Sul – EcDRC, 2a. edição – Primavera/2014 (13/12/2014).

Merlin entoa o “Encantamento da Criação” (“Charm of Making”, do filme “Excalibur”, dir. John Boorman, 1981)

Bellouesus /|\

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Pa gur yv y porthaur (“Quem é o porteiro?”)

arthur

Pa gur yv y porthaur (“Quem é o porteiro?”) ou simplesmente Pa gur é um diálogo entre Arthur e Gleylwyd Gafaelfawr (Gleylwyd Aperto-Forte). Em um dos contos nativos do Mabinogi (Culhwch ac Olwen), Gleylwyd é o porteiro da corte de Arthur, enquanto neste poema o próprio Arthr parece estar tentando entrar em outro lugar, mas, antes que possa fazê-lo, Gleylwyd deseja saber quem é Arthur e quem o acompanha.

Curiosa é resposta de Arthur e é possível aprender bastante sobre aqueles que podem ser considerados os “cavaleiros originais da Távola Redonda” por meio de uma comparação com outros relatos e poemas galeses aproximadamente contemporâneos, em particular o já citado Culhwch ac Olwen e Preiddeu Annwfn, pois vários dos nomes aqui citados aparecem também neles.

Llyfr Du Caerfyrddin, XXXI (texto editado por William Forbes Skene, Four Ancient Books of Wales, Edinburgh, 1868)

Pa gur yv y porthaur.
Gleuliud gauaeluaur.
Pa gur ae gouin.
Arthur. a chei guin.
Pa imda genhid.
Guir gorev im bid.
Ym ty ny doi.
Onysguaredi.
Mi ae guardi.
Athi ae gueli.
Vythneint elei.
Assivyon ell tri.
Mabon am mydron.
Guas uthir pen dragon.
Kysceint. mab banon.
A guin godybrion.
Oet rin vy gueisson
In amuin ev detvon.
manawidan ab llyr.
Oet tuis y cusil.
Neustuc manauid.
Eis tull o trywrid.
A mabon am melld.
Maglei guaed ar guelld.
Ac anguas edeinauc.
A lluch. llauynnauc.
Oetin diffreidauc.
Ar eidin cyminauc.
Argluit ae llochi
My nei ymtiwygei.
Kei ae heiriolei.
Trae llathei pop tri.
Pan colled kelli.
caffad cuelli. aseirolei.
Kei hid trae kymynhei.
Arthur ced huarhei.
Y guaed gouerei.
In neuat awarnach
In imlat ew agurach.
Ew a guant pen palach.
In atodev. dissethach.
Ym minit eidin.
Amuc. a. chinbin.
Pop cant id cuitin.
I d cvitin. pop cantt.
Rac beduir bedrydant.
Ar traethevtrywrid.
In amrvin a garv luid.
Oet guychir y annuyd.
O detyw ac yscuid.
Oet guaget bragad
Vrth. kei ig kad.
Oet cletyw ighad.
Oe lav diguistlad.
Oet hyneiw guastad
Ar lleg ar lles gulad.
Beduir. a bridlav.
Nau cant guarandau.
chuechant y eirthau.
A talei y ortinav.
Gueisson am buyint.
Oet guell banuitint.
Rac riev emreis.
Gueleise. kei ar uris.
Preitev gorthowis.
Oet gur hir in ewnis.
Oet trum y dial.
Oet tost y cynial.
Pan yuei o wual
Y uie urth peduar.
Yg kad pendelhei.
Vrth cant idlathei.
Ny bei duv ae digonhei.
Oet diheit aghev kei.
Kei guin allachev.
Digonint we kadev
Kin gloes glas verev.
Y guarthaw ystaw in gun.
Kei a guant nav guiton.
Kei win aaeth von
Y dilein lleuon.
Y iscuid oet mynud
Erbin cath paluc.
Pan gogiuerch tud.
Puy guant cath paluc.
Nau ugein kinlluc.
A cuytei in y buyd.
Nau ugein kinran. a […]*

Livro Negro de Carmarthen (um dos mais antigos manuscritos totalmente em galês, de c. 1250 d. C.), poema 31

Que homem é o porteiro?
Glewlwyd Gafaelfawr.
Quem é o homem que o pergunta?
Arthur e o louro Cai.
Como estão as coisas contigo?
Na verdade, do melhor  jeito possível.
Em minha casa não entrarás
A menos que venças.
Proíbo-o.
Ve-lo-ás.
Se Wythnaint estivesse por partir
Desafortunados seriam os três:
Mabon, filho de Modron,
O servo de Uthyr Pendragon;
Cysgaint, filho de Banon,
E Gwyn Godybrion.
Medonhos eram meus servos
Na defesa de seus direitos.
Manawyddan, filho de Llyr,
Seu conselho era profundo.
Não trouxe porventura Manawyd
Escudos perfurados de Trywruid?
E Mabon, filho de Mellt,
Com sangue não maculou a grama?
E Anwas Adeiniog
E Llwch Llawynnog
Guardiães eles eram
de Eiddyn Cymminog,
Um príncipe que os apadrinhava.
Ele realizaria sua vontade e daria uma compensação.
Cai suplicou-lhe
Enquanto ele matava todos os demais.
Quando Celli foi perdido,
Cuelli foi encontrado; e rejubilou-se
Cai enquanto ele golpeava com o machado.
Dádivas Arthur dispensava,
O sangue escorria.
No salão de Awarnach
Com uma bruxa pelejando
Rachou a cabeça de Palach.
Nas fortalezas de Dissethach,
Em Mynyd Eiddyn,
Ele combateu Cynfyn;
Às centenas ali caíram,
Ali caíram às centenas,
Ante Bedwyr experto.
Nas margens de Trywruid
Combatendo contra Garwlwyd,
Valente era seu ânimo
Com espada e escudo;
Uma futilidade eram os melhores guerreiros
Comparados a Cai na refrega.
A espada no combate
Era infalível em sua mão.
Eles eram capitães firmes
De uma legião para o bem do país:
Bedwyr e Bridlaw,
Por novecentos seriam ouvidos;
Seiscentos implorando por alento
Seriam o preço por atacá-los.
Servos tive,
Era melhor quando aqui estavam.
Ante os príncipes de Emrais
Vi Cai apressar-se.
Butim para os nobres
Era Gwrhir entre inimigos;
Rigorosa era sua vingança,
Rígido seu avançar.
Ao beber do chifre
Era por quatro que beberia.
Ao chegar para o combate
Era às centenas que ele mataria;
Dia algum havia em que pudesse satisfazer-se.
Injusta foi a morte de Cai.
Cai, o louro, e Llachau.
Batalhas travaram
Ante as pontadas de hastes azuis.
Nas alturas de Ystafingon
Cai trespassou nove bruxas.
Cai, o louro, foi a Mona
Para devestar Llewon.
Seu escudo estava preparado
Contra o Gato de Paluc
Quando o povo recebeu-o.
Quem perfurou o Gato de Paluc?
Nove vintenas antes da aurora
Cairiam para alimentá-lo.
Nove vintenas de chefes […]*

* O texto do manuscrito está interrompido aqui.

Tradução: Bellouesus /|\