Arquivo da categoria: Aicme Beithi

Aicme Beithi 2: a Sorveira

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2. L, Luis

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A Sorveira

A Árvore da Vida

Como se diz: luish
Tradução: chama, labareda
Nome científico: Sorbus aucuparia
Irlandês antigo: cáerthann
Galês: cerdinen
Inglês: rowan
Significados básicos: riqueza, proteção
Classe: camponês
Cor: liath, “cinza”

Bríatharogaim

Bríatharogam Maic ind Óc
Luis: carae cethrae, “amiga do gado”

Bríatharogam Con Culainn
Luis: lúth cethrae, “sustento do gado”

Bríatharogam Morainn mac Moín
Luis: lí súla, “brilho do olhar”

Comentários

Bellovesos: Luis, a sorveira, também chamada “freixo-da-montanha”, cresce nas encostas das montanhas, florescendo em solos
pobres e de pouca espessura, enraizando-se em fendas estreitas no meio das rochas. É o emblema da ambição, determinação e
sucesso, de uma pessoa que alcançará seu objetivo, mesmo que este seja muito elevado e a luta se mostre dura. No Bríatharogam
de Mac ind Oic, Luis chama-se “amiga do gado”. Entre os irlandeses antigos, o roubo de gado era um meio de vida e a riqueza de
alguém era medida pelo tamanho de seu rebanho. Quando saqueadores eram esperados, a sorveira era o local de reunião dos
defensores. Luis está ligada à arte da navegação, é a protetora dos marinheiros. Se você estiver embarcando numa viagem de
descoberta, partindo em busca de sua fortuna ou começando uma aventura em mares tempestuosos, faria bem em tomar Luis
como sua guia. É o sinal do sucesso material, da acumulação de riquezas, da proteção do lar e da defesa contra influências
perniciosas de todos os tipos.

Sagragnos: a Visão. Luis é a sorveira, o abrir dos olhos, olhando atentamente o que está ao redor, percebendo as possibilidades 03
de toda a realidade próxima. É a percepção do que está ali. É a guardiã vigilante em posição na entrada da mente, do coração. É
o vigia iluminando a noite com luz de tochas. É o estado alerta que ajuda a garantir a segurança da cidade ou de si mesmo, um
castelo de bem-estar para o indivíduo e para o grupo. Isso inclui não somente ficarmos atentos a nossas necessidades individuais
em todos os níveis (físico, mental, emocional, espiritual), mas também às necessidades e circunstâncias da família, do grupo, da
organização a que pertencemos e de outros a nossa volta que nos influenciam, que já interagem conosco ou irão fazê-lo em
breve. Luis ilumina os quebra-cabeças, as perplexidades e enigmas, lançando luz sobre as páginas do pergaminho do
conhecimento da vida. É o meio que nos permite caminhar com segurança pela estrada da compreensão. É o modo de
reconhecermos onde estamos e o que estava logo adiante oculto pelas sombras que ela dissipa.

Coslogenos: devoção à chama sagrada, serviço a uma causa mais alta, abnegação, disciplina, dedicação. Invertida: dogma,
obediência sem questionamento, ação sem reflexão.

Coirí Filidechta
Os Caldeirões da Poesia

Coire Goiriath (Caldeirão do Aquecimento), físico: você aplicará seus sentidos a si mesmo para distinguir o bom do mau, o dano
do auxílio.

Coire Érmai (Caldeirão do Movimento), emocional/mental: você não será influenciado, enganado ou persuadido por ninguém.
Mantenha sua inteligência atenta.

Coire Sois (Caldeirão da Sabedoria), espiritual: sua força irá afastar qualquer coisa que ameace seu propósito e sua serenidade.
Não se assuste.

Bellouesus /|\

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Aicme Beithi 1: a Bétula

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1. B, Beithe

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A Bétula

A Árvore Branca da Pureza

Como se diz: bé
Tradução: bétula
Nome científico: Betula pendula
Irlandês antigo: beithe
Galês: bedwen
Inglês: birch
Significados básicos: começos, beleza
Classe: camponês
Cor: bán, “branco”

Bríatharogaim

Bríatharogam Maic ind Óc
Beithe: maise malach, “beleza da sobrancelha”

Bríatharogam Con Culainn
Beithe: glaisem cnis, “a da pele mais cinzenta”

Bríatharogam Morainn mac Moín
Beithe: féochos foltchain, “pé mirrado e cabelo fino”

Comentários

Bellovesos: Beithe, a bétula, com seu tronco esbelto, suas folhas verdes claras e sua casca prateada, representa um tipo peculiar
de beleza, pálida, delicada, tremulante, rara como o cervo branco. Como o luar, permanece fora de alcance, sempre perseguida,
nunca possuída.

Como primeira letra do alfabeto ogâmico, Beithe também representa novos começos, novas oportunidades e todas as coisas
inocentes e jovens. Maleável e flexível, ela se curva ao vento, mas não se quebra. Sua arte é a da subsistência, ou, como se
poderia dizer, a da sobrevivência.

Viajar tranquilamente, com poucos desejos e abertura para aquilo que a jornada pode trazer: essa é a arte de Beithe.

O Auraicept na n-Éces conta assim a origem do Ogham:

Quais são o lugar, a época, a pessoa e a causa da invenção do Ogham? Não é difícil. Seu lugar é a ilha da Irlanda, onde vivemos
nós, os irlandeses. Na época de Bres, filho de Elatha, rei da Irlanda, foi ele inventado. Sua pessoa (isto é, quem o inventou) foi
Ogma, filho de Delbaeth, irmão de Bres, pois Bres, Ogma e Delbaeth são ali os três filhos de Elatha, filho de Delbaeth. Eis que
Ogma, um homem bem versado no discurso e na poesia, inventou o Ogham. A causa de sua invenção, como uma prova de sua
engenhosidade e [para] que esse discurso pertencesse ao instruído separadamente, excluindo-se os rústicos e pastores. De onde o
Ogham obteve seu nome, de acordo com o som e a matéria, quem são o pai e a mãe do Ogham, qual é a primeira letra que foi
escrita pelo (isto é, com o) Ogham e por que o “b” precede toda letra?

O Ogham, de Ogma, foi inicialmente criado com relação a seu som de acordo com a matéria. Entretanto, ogum é og-uaim,
aliteração perfeita, que os poetas aplicam à poesia por meio dele, pois pelas letras o gaélico é medido pelos poetas. O pai do
Ogham é Ogma, a mãe do Ogham é a mão ou a faca de Ogma.

Isto, além do mais, é a primeira coisa que foi escrita pelo Ogham, >-,,,,-,,,-, isto é, (a bétula) “b” foi escrito e para ocultar um
aviso a Lug, filho de Ethliu, foi ele escrito a respeito de sua esposa, não fosse ela arrebatada para o País das Fadas, a saber, sete
bês num ramo de bétula: tua esposa será sete vezes levada de ti para o País das Fadas ou para um outro país, a menos que a
bétula proteja-a. Por essa razão, além do mais, “b”, bétula, toma a precedência, pois é na bétula que o Ogham foi escrito
primeiramente.

Em A Batalha das Árvores, o bardo Taliesin refere-se à bétula:

A Bétula, apesar de sua mente elevada,
Atrasou-se antes que ele (o tojo) fosse enfileirado.
Não por causa de sua covardia,
Mas por causa de sua grandeza.
[…]
Os cimos da Bétula cobriram-nos com folhas
E transformaram-nos e mudaram nosso estado enfraquecido.

beautiful-birch-leavesSagragnos: o Nascimento. Beithe é a bétula, é o começo, o princípio, o nascimento, aurora de um novo dia. É o vasto potencial
que se projeta para diante. É a primavera com todo o trabalho que deve ser feito a fim de plantar as sementes que irão crescer no
verão e garantirão a colheita. É a primeira letra na página que a inspiração e o esforço levarão à frente até que a história, o
ensaio, o livro estejam terminados. É o primeiro instante em que a passagem do tempo e tudo que nele se fez irão transformar-se
em história. É o toque da alvorada no despontar do dia, o chamado para acordar e aprontar-se para os afazeres diários. É o
desafio para levantar-se e lutar para cumprir a promessa daquilo que pode ser. É a energia potencial esperando o direcionamento
e a força de vontade que permitirão realizar tudo o que for decidido. É vida, vitalidade, vigor, saúde, frescor. É iniciação. Em
certo sentido, é um aspecto da ordem cíclica das coisas. Depois do fim, ou no ponto em que tudo termina e o novo ciclo começa.
Aqui, o foco está no começo, mas, como em toda a natureza cíclica, o começo e o fim são, muitas vezes, o mesmo ponto.

Coslogenos: nascimento, a liberação daquilo cujo tempo chegou, produção, criação. Invertida: expulsão, banimento,
desembaraçar-se de algo.

Coirí Filidechta
Os Caldeirões da Poesia

Coire Goiriath (Caldeirão do Aquecimento), físico: você deve eliminar a negatividade de si mesmo, as influências inúteis e os
maus pensamentos para ter um novo começo.

Coire Érmai (Caldeirão do Movimento), emocional/mental: concentre-se em seu desejo, a imagem do resultado buscado deve ser
mantida na mente com firmeza.

Coire Sois (Caldeirão da Sabedoria), espiritual: para um novo começo, visualize o branco da bétula, que se destaca limpo de
distrações e obstruções.

Bellouesus /|\

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