Corrguinecht & Glám dícenn

whitethorn

Corrguinecht & Glám dícenn

Bellou̯esus Īsarnos

Corrguinecht .i. beith for leth-cois 7 for leth-laimh 7 for lethsuil ag denam na glaime dícinn.

Feitiçaria [ou ‘magia da garça’], isto é, ficar numa só perna e com uma só mão e com um só olho ao fazer a glám dícenn (“sátira perene”).

Glám dícenn era uma composição ou ritual satírico. O ofendido (drui ou file), juntamente com um grupo de seis estudantes, que representavam os sete graus da iniciação poética, subiriam ao topo de uma colina onde houvesse um espinheiro-branco (úath/sceach gheal/H) antes do nascer do sol. Todos ficariam em pé, de costas para o espinheiro, cada um deles com um ramo da planta na mão. O drui (ou file) levaria consigo uma imagem de barro representando o ofensor e, quando o vento norte (direção da batalha) soprasse, recitaria a sátira e perfuraria a imagem com os espinhos. Para que o procedimento fosse perfeito, contudo, seria obrigatório observar as prescrições legais:

Benair aibghitir oghaim. blf. agus aibgitir ua .i. tiasca ai i nainm de; agus is e a greim-so .i. cros, agus a cur isin .c. drumaind ar son apaid; doberar ainm cinadh isin drumaind eile, agus ainm cintaigh isin tres drumainn, agus moladh isin cethramad drumaind; agus in flesc do sadhudh i forba .x. maide don filidh trefocail, no conadh a forba .x. maide apaid ma rosechmaill a flesg agus dorinde air, is eraic airi uadh; massa athgabaal rogob, is fiach indligid athgabala uadh.

Os caracteres ogâmicos são gravados, -,-,,-,,,-, e o alfabeto da poesia isto é, ‘inicio a poesia em nome de Deus’, e é assim que isso surte efeito, a saber, numa cruz e isso colocado no primeiro braço como um aviso e o nome da ofensa no segundo braço e o nome do culpado no terceiro braço e um louvor no quarto braço e o bastão é fincado no chão pelo poeta ao fim do período de dez dias do trefhocal [três palavras/afirmações], ou melhor, ao fim do período de dez dias do aviso. Se ele ignorou seu bastão e fez a sátira, a compensação pela sátira é devida por ele; se ele já realizou uma apreensão, a penalidade por apreensão é devida por ele”). Pois a sátira é realizada ao cabo de três períodos de nove dias ou de três períodos de dez dias, isto é, um período de aviso, um período para a composição do trefhocal e um período final para que o ofensor ofereça garantias. Somente então pode a sátira ser feita com pleno direito. E o nome de Deus e o nome da ofensa e o nome do culpado e seu louvor em Ogham ebhadhach. Trefhocal é o louvor misturado à advertência pela ofensa, que antecede a pronúncia da sátira.

Fidh ebhadh

>-X-

Ogham ebhadhach

>-,-X-,,-X-,,,X–,,,,X–,,,,,X–‘-X-”-X-”’-X-””-X-””’-X–/-X-//-X-///-X-////-X-/////-X–|-X-||–|||-X-||||-X-|||||-X-

>-,-X-/////-X-|-X-,,,,,-X-, bran

O mal, a morte e vida curta para Caíar,
Lanças de batalha terão matado Caíar,
Que Caíar morra, que Caíar parta – Caíar!
Caíar sob a terra, sob os aterros, sob as pedras!

Glám Dícenn

Is amhlaidh dogníthe isidhe, troscadh for fearand in righ dia ndenta in duan ocus comorle .xxx. laech ocus xxx. espoc ocus xxx filedh im air do dhenum iartain, ocus robo cin doib tairmeosc na hairi iar femedh na duaisi. Cid fil and tra acht in file fodesin do dul moirseser .i. sessear imaille fris fein fora mbetis se gráda filedh ocus ite annso a n-anmand .i. fochloc, mac fuirmedh, doss, cana, clí, anrad, ollam .i. in moirseisidh .i. a dul re turcbail ngréne co mullach nobhiadh a coicrich .uii. ferunn ocus aighidh gách graidh dibh for a ferunn, ocus aigidh inn olloman ann for ferann in righ no egnaighfed, ocus a ndromanna uile re sciaigh nobiadh ar mullach na tulcha, ocus in ghaeth atuaidh, ocus cloch throthail ocus dealg don sciaigh illaim gach fir, ocus rann for in aisdi-sea gach fir dibh do gabhail intib andis don righ, ocus in t-ollam do gabhail raind rompu ardus, ocus siat sum a n-aenfecht iarsin do gabail a rand, ocus cach do chur a chloichi ocus a delge fo bun na sciach, ocus diamad iatson bad chintach ann talumh na tulchi dia slugadh; diamadh é in righ im morro bud cintach, talam dia slogud ocus a bhen ocus a mac ocus a each ocus a arm ocus a erriudh ocus a chu.

Glamh in meic furmid ar in coin, glamh in fochlocon ar in erridh, glamh in duis ar in glamh in chanad ar in mnai, glamh in cli ar in mac, glamh in anradh for in fearunn, glamh in olloman for in ríg.

Sátira Perene

Assim isso foi feito: houve jejum na terra do rei para quem o poema fora composto, e um concílio de trinta leigos e trinta bispos e trinta poetas quanto a fazer-se uma sátira depois disso; e era para eles um crime impedir a sátira depois que o prêmio pelo poema fora recusado. Contudo, o próprio poeta tinha então que ir acompanhado por sete – isto é, seis outros além de si mesmo – aos quais os seis graus dos poetas tivessem sido conferidos, e estes são os seus nomes, a saber, fochloc, mac fuirmid, doss, cana, clí, anrad, ollam, ou seja, o sétimo deveria ir ao alto de uma colina ao nascer do sol, a qual deveria estar na divisa de sete regiões e a face de cada grau voltada para essas regiões, e a face do ollam ali presente em direção à terra do rei que ele iria satirizar, e as costas de todos eles voltadas para um espinheiro branco que deveria estar no alto da colina, e o vento soprando do norte, e uma pedra de atiradeira e um espinho do espinheiro na mão de cada homem, e cada um deles cantaria um bastão [isto é, uma composição escrita em Ogham num bastão] neste tipo de metro sobre as duas pedras de atiradeira e o espinho contra o rei, o ollam cantando o seu bastão antes dos outros, e eles depois cantando os seus bastões um por vez, e cada um deles pondo a sua pedra e o seu espinho ao pé do espinheiro. E se fossem eles que estivessem em erro, a terra da colina os engoliria. Porém, se fosse o rei que estivesse em erro, a terra o engoliria e a sua esposa e o seu filho e o seu cavalo e as suas armas e as suas vestes e o seu cão.

A maldição do Mac furmid caía sobre o cão: a maldição do fochloc, sobre as vestes: a maldição do doss, sobre as armas: a maldição do cano, sobre a esposa: a maldição do cli, sobre o filho: a maldição do anradh, sobre a terra: a maldição do ollam, sobre o rei.

Fontes: Sanas Chormaic, Uraicecht Na Ríar & Lebhair Bhaile an Mhotta

Protocolo

Drui/file
Representantes dos graus da iniciação poética
Alto de uma colina
Espinheiro-branco
Antes da aurora
Drui/file com imagem representando o ofensor
De costas para o espinheiro
Todos com uma pedra e um espinho na mão
Vento norte
Recita a sátira
Perfura a imagem com espinhos

Procedimento:

1. Criar o objeto imediato do trabalho (cruz com inscrições ogâmicas)

2. Identificar os meios da realização do trabalho (louvor+censura, ofensa, ofensor)

3. Jurar a pureza da intenção e a justiça da sátira: 3.1 Pelos Reinos; 3.2 Pelos Elementos; 3.3 Pelos Deuses.

4. Invocar o poder dos Reinos, Elementos e Deuses contra o ofensor.

5. Encerrar a circunambulação do corrguinecht ao redor da cruz e do bastão a fim de precipitar o destino do ofensor.

Porém, cuidado. A honra dos Deuses será ofendida se forem chamados para operar a injustiça. Do mesmo modo, a observância dos prazos para o arrependimento do ofensor é parte essencial do rito, que se voltará contra o oficiante se aqueles forem desrespeitados ou usado injustamente. Além de rito mágico, a glám dícenn também era um procedimento legal.

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Autor: Belloṷesus

Vicanti bledianon in sentu druuidon

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