Arquivo mensal: junho 2017

Como o Táin Bó Cúailnge foi recuperado

Táin Bó CúailngeEm dias há muito passados, num tempo que já está muito lá atrás, Guaire, o rei de Connacht, organizou um grande encontro de poetas. O rei era famoso pela generosidade, porém esse encontro foi um teste para a sua benevolência; os poetas comeram e beberam absolutamente tudo o que viram. Eis que, mesmo nos tempos mais difíceis, a poesia foi considerada pelos irlandeses como um tesouro preciosíssimo; contudo, esses poetas tinham abusado da sua posição. Marban, o irmão do rei, aborrecido porque as exigências e o apetite dos convidados tinham consumido o seu porco favorito, decidiu lançá-los ao descrédito.

Ele declarou que a avó da esposa do seu servo era bisneta de um poeta. Mesmo com essa conexão distante com a arte, o servo mostrou saber mais do que todos os outros poetas. Fez-lhes perguntas e solicitou-lhes atuações que não puderam realizar. Por fim, desafiou-os: “Narrai o mais famoso e celebrado conto da Irlanda, o ‘Táin Bó Cúailnge’.” Houve um longo silêncio. Então, os poetas tiveram de admitir que ninguém dele sabia senão poucos fragmentos. A história se perdera.

O bardo-chefe, Senchán Torpeist, decidiu recuperar a narrativa e a honra dos poetas. O conto fora escrito e levado por um bardo para o continente. Um grupo dos seguidores de Senchán, incluindo Muirgen, seu filho, partiu para o leste, em busca do Táin desparecido. Viajaram até as proximidades do túmulo de Fergus mac Roich e da sua pedra, em Énloch de Connacht, embora não o soubessem.

Sozinho, enquanto os demais buscavam um lugar para pernoitar, Muirgen sentou-se recostado na pedra e percebeu as linhas nela cinzeladas. Ele pronunciou as letras ogâmicas e juntou fid com fid: “Pedra de Fergus mac Roich”. Muirgen cantou um poema para a pedra, como se estivesse falando com o próprio Fergus, heroi do Táin, e uma grande névoa ergueu-se ao seu redor. Quando os seus companheiros voltaram para buscá-lo, a bruma densa e gélida quase não permitia que respirassem na sua proximidade. Tentaram de algum modo alcançar o seu companheiro, mas, tomados de perplexidade, nada puderam fazer além de esperar longe da enregelante muralha de névoa.

Passados três dias, o nevoeiro recuou e Muirgen surgiu, tomado de grande alegria. Contou-lhes que Fergus Mac Roich lhe aparecera, trajando um manto verde sobre uma túnica vermelha e portando um grande espada com punho de bronze. O espírito de Fergus contara a Muirgen todo o relato do Táin, invocando ainda outros participantes há muito esquecidos como testemunhas.

O grupo de poetas voltou e uma multidão reuniu-se para ouvir a história. O salão real estava perfeitamente silencioso enquanto Muirgen conjurava os episódios do Táin. Todos puderam ouvir o brado guerreiro de Cúchulainn, sentir o cheiro do fogo da batalha e o aço frio das armas.

Esse conto sobrevive ainda hoje, posto por escrito pelos monges de Clonmacnoise, que suas almas recebam uma benção por isso.

Bellouesus /|\

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In doníoritu

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In doníoritu tre prennonemeton
Nata redis clusíetor int’ oinon
Dui scenai argíant ar’ aidon
Etic anant’ in lamabi druuidon

Na procissão através do templo das árvores
Apenas um canto simples é ouvido
Duas facas brilham ante a chama
E esperam nas mãos dos druidas

In the procession through the trees’ temple
Only a simple chant is heard
Two knifes shine before the flame
And wait in druids’ hands

Bellouesus /|\

Diga o que quer

CelticArt

Os Deuses não são onipresentes. É preciso informar-lhes onde são desejados.
Os Deuses não são onipotentes. É preciso informar-lhes o que se deseja deles.
Os Deuses não são oniscientes. É preciso informar-lhes aqueles cuja presença é desejada.

Fazendo o chamado adequado, teremos a percepção do exato aspecto da realidade divina que desejamos ver manifesto. Isso igualmente permite que os convidados divinos sejam recebidos de acordo com as suas preferências individuais.

Bellouesus /|\

aos deuses da terra

STAGnão vos trago incenso, pois incenso já tendes: as folhas e flores que perfumam o ar.
não vos trago libações, pois libações já tendes: as fontes e correntezas ocultas na fundura da terra.
não vos trago sacrifícios, pois sacrifícios já tendes: as plantas e animais mortos nos lugares ocultos vos pertencem.
trago-vos em lugar disso o que não tendes: orações no som da voz humana. preces são o meu presente para vós, o fino manto invisível da minha palavra.

e isto quem ousará? quem irá além?

entrego-vos meu coração como a chama do altar,
meu sangue e carne como oferendas,
meu sangue como libação.
entrego-me a vós e à vida,
neste dia, em todos os dias,
com agradecimento e devoção.

Bellouesus /|\

 

brigindu brigindu tenos

brigindu

brigindu brigindu tenos
brigindu brigindu bena pritas
brigindu brigindu bena iaccas
brigindu brigindu banogobens
brigindu brigindu anauissa
brigindu brigindu sulubia
brigindu brigindu uoretia
brigindu brigindu cleue enson uedias
enson uedias cleue brigindu brigindu
tou mapates gariont esion materen
gariontid esion materen brigindu
esion materen brigindu
ti brigindu brigindu
tu
ti brigindu

brigindu brigindu fogo
brigindu brigindu mulher da poesia
brigindu brigindu mulher da saúde
brigindu brigindu ferreira
brigindu brigindu inspiradora
brigindu brigindu que dá boas-vindas
brigindu brigindu que socorre
brigindu brigindu ouve as nossas orações
ouve as nossas orações brigindu brigindu
os teus filhos chamam a sua mãe
chamam a sua mãe brigindu
a sua mãe brigindu
a ti brigindu brigindu
tu
a ti brigindu

Bellouesus /|\

sirona sironemesos deuissa

sirona10

sirona sironemesos deuissa
sirona blation sounon banona
sinnoxti o cinxiu uediiumiti
en uiron sounobi
en bnanon cridiobi
en tou nemete nu gabi
mon cicim anation coetic
sirona sironemesos deuissa
sirona blation sounon banona
duxtir deuocara dubnotigerni
o ne mi duora bisiont

sirona deusa do céu estrelado
sirona senhora dos doces sonhos
nesta noite peço-te que eu possa caminhar
nos sonhos dos homens
nos corações das mulheres
no teu santuário agora recebe
minha carne e também a minha alma
sirona deusa do céu estrelado
sirona senhora dos doces sonhos
filha piedosa do senhor das profundezas
que não haja portas para mim

Bellouesus /|\