A Verbena

verbenaHiera botane (“planta sagrada”) – Aristereon/peristereonVerbena (Verbena officinalis L.)

Vtraque sortiuntur Galli et praecinunt responsa, sed Magi utique circa hanc insaniunt: hac perunctos impetrare quae uelint, febres abigere, amicitias conciliare nullique non morbo mederi. Colligi debere circa canis ortum ita, ne luna aut sol conspiciat, fauis ante et melle terrae ad piamentum datis; circumscriptam ferro effodi sinistra manu et in sublime tolli; siccari in umbra separatim folia, caulem, radicem. aiunt, si aqua spargatur triclinium, in qua maduerit, laetiores convictus fieri. Adversus serpentes conteritur ex vino.

Caius Plinius Secundus, “Naturalis Historia”, XXV, 59, 106-107

“Os gauleses empregam uma e a outra [Plinius refere-se às duas variedades da verbena, macho e fêmea] para tirar as sortes e prever o futuro. Porém, sobretudo os magos [provavelmente se refere aos vates ou mesmo aos druidas] afirmam loucuras sobre essa planta: dizem que obterá o que quiser quem a esfregar no corpo, que afasta as febres, que concilia as amizades, que cura toda doença; que é necessário colhê-la antes da ascensão do Cão [isto é, da ascensão helíaca de Sirius, alpha Canis Maioris], de modo a não ser visto nem pela Lua nem pelo Sol e depois que favos de mel e mel tenha sido oferecidos à terra como expiação; que é preciso traçar um círculo ao redor dela com ferro, agarrando-a então com a mão esquerda, que deve ser levantada, para depois deixá-la secar na sombra, folhas, caule e raiz em separado. Acrescentam ainda que, se um divã de jantar [triclinium] for borrifado com água onde ela tenha sido imersa, os convidados ficarão mais alegres. Essa plana é macerada no vinho como remédio contra as picadas de serpentes”.

Comentário

Esse trecho da “História Natural” levanta pontos interessantes sobre a medicina gaulesa. Primeiramente, fica claro que, além das propriedades terapêuticas das ervas, aprendidas pelo uso, a ação das plantas estava ligada igualmente ao seu aspecto simbólico e revestia-se de aspectos mágico-rituais que escapam aos textos onde apenas as suas propriedades farmacológicas são mencionadas. Essa planta, a verbena, devia ser colhida num momento liminal para oferecer o máximo do seu efeito mágico-curativo. A ascensão helíaca de um estrela é o momento em que esta se encontra acima do horizonte imediatamente antes do nascer do sol. Assim, a verbena devia ser colhida nem durante a noite fechada nem durante o dia claro, mas na transição entre um e outro, depois se realizando uma oferenda piacular à terra pela profanação. As ervas pertencem à terra, que as nutre através das raízes, e não podem ser arrancadas levianamente de sua dona. O círculo traçado com ferro ao redor da verbena provavelmente tinha a função de impedir a aproximação de espíritos irados pela ousadia humana. Se para colher uma simples planta era necessário oferecer uma expiação de mel e recorrer a medidas protetivas, imagine os sacrifícios a ser oferecidos e os encantamentos a ser feitos pelos que abriam túneis fundos em busca de metais e pedras preciosas. A planta devia ser colhida com a mão esquerda, ou seja, a mão que para a maioria das pessoas não é a dominante ou de uso comum, e afastada do contato com o solo de onde foi arrancada, assim como o visco cortado do carvalho não podia tocar o chão. Outro autor, Marcellus Empiricus, permite-nos entrever ainda que a cura pelas plantas exigia outro procedimento para o seu sucesso: a recitação de fórmulas mágicas invocando o poder das deidades e, por analogia com outras culturas, as virtudes inerentes à própria planta.

Bellouesus /|\

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Uma ideia sobre “A Verbena

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