Arquivo mensal: junho 2015

VI EBDRC – Curitiba, 04 a 07/06/2015

Algumas fotos do VI EBDRC

Créditos das fotos:

Keven Silva Magalhães
Paula Teresa
Nathair Dorchadas
Patricia Araújo Paiva
Bellouesus Isarnos

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Ar Rannou (tradução)

rolling_breizh_3504_mAr Rannou

As Séries

também chamado

Gosperou ar Raned

Vésperas das rãs

de Theodore Hersart de la Villemarqué

Memórias do ensinamento druídico na Bretanha do séc. XIX

6º EBDRC
Curitiba
4 a 7/06/2015

I

O Druida

Bela criança do Druida, responde-me: o que desejas? O que te cantarei hoje?

A Criança

– Canta-me a série do número um até que eu hoje a aprenda.

O Druida

– Série alguma para o número um: a Morte, pai da dor; nada antes, nada mais.

II

O Druida

Bela criança do Druida, responde-me: o que desejas? O que te cantarei hoje?

A Criança

– Canta-me a série do número dois até que eu hoje a aprenda.

O Druida

– Dois bois atrelados a uma concha; eles puxam, eles expirarão; vê o prodígio!

Série alguma para o número um: a Necessidade única; a Morte, pai da dor; nada antes, nada mais.

III

A Criança

– Canta-me a série do número três etc.

O Druida

– Há três partes do mundo: três começos e três fins para o homem e também para o carvalho.

Três reinos de Merzin, frutos de ouro, flores brilhantes, criancinhas rindo.

Dois bois atrelados a uma concha etc.

Necessidade única etc.

Bela etc. O que te cantarei hoje?

IV

A Criança

– Canta-me a série do número quatro etc.

O Druida

Há quatro pedras de afiar: pedras de Merzin, que afiam as espadas dos bravos.

Há três partes do mundo etc.

Dois bois etc.  A Necessidade única etc.

Bela etc. O que te cantarei hoje?

V

A Criança

– Canta-me a série do número cinco etc.

O Druida

– Há cinco áreas ao redor da Terra, cinco eras na duração do tempo, um dólmen sobre nosso coração.

Há quatro pedras de afiar etc.

Há três partes do mundo etc.

Dois bois etc.

A Morte etc.

Bela etc. O que te cantarei hoje?

VI

A Criança

– Canta-me a série do número seis etc.

O druida

– Há seis criancinhas de cera animadas pela energia da lua. Se não o sabes, eu o sei.

Há seis plantas medicinais no pequeno caldeirão; o anãozinho mistura a bebida, o dedo mínimo na boca.

Cinco áreas da Terra etc.

Quatro pedras de afiar etc.

Três partes do mundo, etc.

Dois bois, etc.

A Morte etc. Bela etc.

O que te cantarei hoje?

VII

A Criança

– Canta-me a série do número sete etc.

O druida

– Há sete sóis e sete luas, sete planetas com a galinha. Sete elementos com a farinha do ar etc.

Seis criancinhas de cera etc.

Cinco áreas da Terra etc.

Quatro pedras de afiar etc.

Três partes do mundo etc.

Dois bois etc.

A Morte etc.

Bela etc.  que te cantarei?

VIII

A Criança

– Canta-me a série do número oito etc.

O Druida

– Há oito ventos que sopram; oito fogos com o fogo do pai, acesos no primeiro de maio na montanha da guerra.

Oito novilhas de brancura deslumbrante da espuma dos mares, pastando a grama da ilha profunda; oito novilhas brancas da Senhora.

Sete sóis e sete luas etc.

Seis criancinhas de cera etc.

Cinco áreas da Terra etc.

Quatro pedras de afiar etc.

Três partes do mundo etc.

Dois bois etc.

A Morte etc.

Bela etc. O que te cantarei?

IX

A Criança

– Canta-me a série do número nove etc.

O Druida

– Há nove pequenas mãos brancas na mesa da eira, perto da torre de Lezarmeur, e nove mães que lançam grandes gemidos.

Há nove korrigan dançando com flores no cabelo e vestidas de lã branca ao redor da fonte, à luz da lua cheia.

Estão a gironda e seus nove filhotes no portão a chafurdar, grunhindo e escavando, escavando e grunhindo. Pequeno! Pequeno! Pequeno! Correi para o pomar! O velho javali ensinar-vos-á a lição.

Há oito ventos etc.

Sete sóis e sete luas etc.

Seis criancinhas de cera etc.

Cinco áreas da Terra etc.

Quatro pedras de afiar etc.

Três partes do mundo etc.

Dois bois etc.

A Morte etc.

Bela etc. O que te cantarei?

X

A Criança

– Canta-me a série do número dez.

O Druida

– Dez naus inimigas foram vistas vindo de Naoned: infortúnio para vós! Infortúnio para eles! Homens de Gwened!

Nove pequenas mãos brancas etc.

Há oito ventos etc.

Sete sóis e sete luas etc.

Seis criancinhas de cera etc.

Cinco áreas da Terra etc.

Quatro pedras de afiar etc.

Três partes do mundo etc.

Dois bois etc.

A Morte etc.

Bela etc. O que te cantarei?

XI

A Criança

– Canta-me a série do número onze  etc.

O Druida

–  Onze sacerdotes armados provenientes de Gwened, com as suas espadas quebradas e as suas túnicas ensanguentadas e muletas de aveleira; de trezentos, não restam senão eles onze.

Dez naus inimigas etc.

Nove pequenas mãos brancas etc.

Há oito ventos etc.

Sete sóis e sete luas etc.

Seis criancinhas de cera etc.

Cinco áreas da Terra etc.

Quatro pedras de afiar etc.

Três partes do mundo etc.

Dois bois etc.

A Morte etc.

Bela criança do Druida, responde-me: o que desejas? O que te cantarei hoje?

XII

A Criança

Canta-me a série do número doze até que eu hoje a aprenda.

O Druida

Há doze meses e doze signos; o penúltimo, Sagitário, atira sua flecha armado com um dardo. Os doze signos estão em guerra; a bela vaca, a vaca preta com a estrela branca na testa, sai da floresta dos despojos; no peito o dardo da seta, seu sangue flui; ela berra, a cabeça levantada; a trompa soa: fogo e trovão. chuva e vento, trovão e fogo; nada, nada mais; nada, série alguma!

Onze sacerdotes armados etc.

Dez naus inimigas etc.

Nove pequenas mãos brancas etc.

Oito ventos etc.

Sete sóis e sete luas etc.

Seis criancinhas de cera etc.

Cinco áreas da Terra etc.

Quatro pedras de afiar etc.

Três partes do mundo etc.

Dois bois etc.

Série alguma para o número um: a Morte, pai da dor; nada antes, nada mais.

Tradução: Bellouesus Isarnos /|\

Ar Rannou (As Séries)

Apresentado no VI Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta – EBDRC

Material de apoio

Correspondências Direcionais 1

Correspondências Direcionais 2

Saltair na Rann

Do Ritual

Druida e Drui

Greinobilacon

Segundo Taliesin (Preiddeu Annwfn), y peir pen annwfyn (o caldeirão do chefe de Annwn), o anadyl naw morwyn gochyneuit (pelo alento de nove donzelas era gentilmente aquecido).

Em Pa Gur, diz-se que Cai matou nove bruxas.

Pomponius Mela (séc. I d. C.) escreveu que, na ilha chamada Sena (Enez-Sun), na costa da Bretanha, um grupo de nove sacerdotisas atendia o oráculo de um deus céltico. Além de capacidades divinatórias, essas nove sacerdotisas possuíam poderes de cura, metamorfose e controle do vento e das ondas.

Essas nove sacerdotisas reaparecem como bruxas na biografia de São Sanson (séc. VI), um dos fundadores da igreja bretã, mas vivendo numa floresta remota juntamente com sua mãe.

Estão presentes na Vida de Merlin, de Galfridus Monemutensis. São nove irmãs lideradas por Morgen, especialistas nas artes da cura, habitando na “Insula Pomorum” (Ilha das Maçãs).

As mesmas nove mulheres surgem na lenda de Peredur ab Efrawc. São as “feiticeiras de Gloucester” (Caerloyw < Gloui < Gleuon/Glouvia, “lugar brilhante” < proto-céltico wolugus, “luz”, galês golau, bretão goulou; Gloucester foi o local do encarceramento de Mabon) em cujo palácio Peredur recebeu armas e foi iniciado nos caminhos da cavalaria.

É interessante observar que Peredur recebeu a iniciação guerreira na Cidade da Luz, ao passo que Cúchulainn foi iniciado na Ilha das Sombras. Nos dois casos, a espada veio de mãos femininas. Como as armas de Llew, como a espada de Arthur. Segundo a interpretação de Maria Nazareth Alvim de Barros (Uma Luz sobre Avalon) o motivo recorrente na mitologia céltica da iniciação guerreira conferida por mulheres (humanas ou divinas) seria simbólico de que a força deve ser sempre temperada pela compaixão.

Bellouesus /|\