Um trecho de “De Excidio et Conquestu Britanniae”

GILDASGildas (c. 500 – 570 E. C.), denominado Sapiens (o Sábio), foi um clérigo britânico cuja obra De Excidio et Conquestu Britanniae (Sobre a Ruína e Conquista da Britânia) é a única fonte concreta para a história britânica no período que se seguiu à partida dos romanos.

Gildas viveu em uma época na qual os restos do passado romano estariam ainda muito visíveis, uma época em que a capacidade técnica (ou até mesmo o interesse) em reparar as antigas construções (fóruns, teatros, termas) estava cada vez mais além do repertório dos operários e artesão disponíveis. Entretanto, a familiaridade com os restos da arte clássica permite compreender a característica (“expressões rígidas e deformadas”) que ele atribui às estátuas dos deuses nativos que se deterioravam em templos abandonados. Trata-se provavelmente de obras de artistas/artesãos locais dentro da tradição céltica, onde, como se sabe, a representação fiel da figura humana não era um valor central. Gildas declara que nada dirá sobre a multidão dos ídolos cultuados pelos britanos antes da cristianização nem sobre as honras divinas dispensadas pelo povo a montes, fontes, colinas e rios:

4, 2-3: Igitur omittens priscos illos communesque cum omnibus gentibus errores, quibus ante aduentum Christi in carne omne humanum genus obligabatur astrictum, nec enumaerans patriae portenta ipsa diabolica paene numero aegyptiaca uincentia, quorum nonnulla liniamentis adhuc deformibus intra uel extra deserta moenia solito mores rigentia toruis uultibus intuemur, neque nominatum inclamitans montes ipsos aut colles uel fluuios olim exitiabiles, nunc uero humanis usibus utiles, quibus diuinus honor a caeco tunc populo cumulabatur.

4, 2-3: Devo, portanto, omitir os erros antigos comuns a todas as nações da terra, em que, antes de Cristo vir em carne, toda a humanidade incidiu; nem devo enumerar os ídolos diabólicos do meu país, que quase ultrapassaram em número os do Egito, e dos quais ainda vemos alguns mofando dentro ou fora dos templos desertos, com expressões rígidas e deformadas como era costumeiro. Tampouco mencionarei os montes, fontes, ou colinas, ou os rios, que agora são subservientes ao uso dos homens, mas que no passado foram para estes uma abominação e destruição, e aos quais o povo prestava honra divina.

Tradução: Bellouesus /|\

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