Arquivo mensal: julho 2013

Oghaim

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hahalogham

LUTHOGAM 1

Bellouesus /|\

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Apontamentos Ogâmicos

Manuscript  Auraicept na nÉces, linhas 1147-1157

Asberat immorro araile co nach o dhainibh itir ainmnighter fedha inn n-ogaim isin Gaedhelg acht o chrandaibh gen gu haichinter anniu araile crand dibh. Air atat ceithiri hernaile for crandaib .i. airigh fedha 7 athaig fedha 7 lossa fedha 7 fodhla fedha; 7 is uaithibh sin a ceathrur ainmnighter fedha in oghaim. Airigh fedha quidem .i. dur, coll, cuileand, abhull, uindsiu, ibur, gius. Athaig fedha .i. fern, sail, bethi, lemh, sce, crithach, caerthand. Fodla fedha andso .i. draighen, trom, feorus, crand fir, fedlend, fidhat, finncholl. Lossa fedha .i. aitean, fraech, gilcach, raid, lecla .i. luachair 7rl.

“Outros, porém, dizem que não de homens as vogais ogâmicas foram em gaélico nomeadas, mas de árvores, embora algumas dessas árvores não sejam hoje conhecidas. Pois há quatro classes de árvores, a saber, árvores chefes tribais [airigh fedha] e árvores camponesas [athaig fedha] e árvores arbustos [lossa fedha] e árvores ervas [fodhla fedha] e é dessas quatro [classes] que as vogais ogâmicas recebem seus nomes. As árvores chefes tribais certamente [quidem] são o carvalho [dur], a aveleira [coll], o azevinho [cuileand], a macieira [abhull], o freixo [uindsiu], o teixo [ibur], o abeto/pinheiro [fir]. Árvores camponesas, a saber, o amieiro [fern], o salgueiro [sail], a bétula [bethi], o olmo/ulmo [lemh], o evônimo [sce], o álamo/choupo [crithach], a tramazeira [caerthand]. As árvores arbustos aqui, a saber, o espinheiro-negro [draighen], o sabugueiro [trom], o evônimo [feorus], o choupo-tremedor [crand fir], a madressilva [fedlend], o pado [fidhat], a aveleira-branca [finncholl]. As árvores ervas, a saber, o tojo [aitean], a urze [fraech], a giesta [gilcach], o mirto [raid], lecla, juncos (?) [luachair] etc”.

1 – Airigh fedha quidem .i. dur, coll, cuileand, abhull, uindsiu, ibur, gius.

As árvores chefes tribais [airigh fedha] certamente [quidem] são o carvalho [dur], a aveleira [coll], o azevinho [cuileand], a macieira [abhull], o freixo [uindsiu], o teixo [ibur], o abeto/pinheiro [gius].

2 – Athaig fedha .i. fern, sail, bethi, lemh, sce, crithach, caerthand.

Árvores camponesas [athaig fedha], a saber, o amieiro [fern], o salgueiro [sail], a bétula [bethi], o olmo/ulmo [lemh], o evônimo [sce], o álamo/choupo [crithach], a madressilva [caerthand].

3 – Fodla fedha andso .i. draighen, trom, feorus, crand fir, fedlend, fidhat, finncholl (1).

As árvores arbustos [fodla fedha] aqui, a saber, o espinheiro-negro [draighen], o sabugueiro [trom], o evônimo [feorus], o choupo-tremedor [crand fir], a madressilva [fedlend], o pado [fidhat], a aveleira-branca [finncholl].

4 – Lossa fedha .i. aitean, fraech, gilcach, raid, lecla .i. luachair 7rl.

As árvores ervas [lossa fedha], a saber, o tojo [aitean], a urze [fraech], a giesta [gilcach], o mirto [raid], lecla, juncos (?) [luachair] etc.

1 – Árvores chefes tribais (airigh fedha)

carvalho (dur)
aveleira (coll)
azevinho (cuileand)
a macieira (abhull)
freixo (uindsiu)
teixo (ibur)
abeto/pinheiro (gius)

2 – Árvores camponesas (athaig fedha)

amieiro (fern)
salgueiro (sail)
bétula (bethi)
olmo/ulmo (lemh)
espinheiro-branco (sce)
álamo/choupo (crithach)
sorveira (caerthand)

3 – Árvores arbustos (fodla fedha)

espinheiro-negro (draighen)
sabugueiro (trom)
evônimo (feorus)
choupo-tremedor (crand fir)
madressilva (fedlend)
pado (fidhat)
aveleira-branca (finncholl)

4 – Árvores ervas [lossa fedha]

tojo (aitean)
urze (fraech)
giesta (gilcach)
mirto (raid)
lecla
juncos (?) (luachair)

(1) Fincholl e lecla (no grupo seguinte) são nomes mencionados unicamente no Auraicept.

220px-Book_of_Ballymote_170r  Lebor Ogaim, linhas 5445-5473

Caide loc 7 aimser 7 persu 7 fath airic in ogaim? Ni ansa. Loc do Hibernia insola quam nos Scoti habitamus. I n-aimsir Brese mic Elathan rig Erenn dofrith. Persu do Ogma mac Elathan mic Delbaeith derbrathair do Bres, ar Bres 7 Ogma 7 Delbaeth tri mic Elathan mic Delbaeith andsen. Ogma didiu, fer roeolach a mberla 7 a filidecht, is e rainic int ogam. Cuis airic derbad a intlechta 7 co mbeth in bescna-sa ic lucht in eolais fo leth, sech lucht na tirdachta 7 na buicnechta.

“Quais são o local, a época, a pessoa, e o motivo da criação do Ogham? Não é difícil. Seu local é Hibernia insola quam nos Scoti habitamus [a ilha de Ériu, que nós, escotos {i. e., irlandeses}, habitamos] Na época de Bres mac Elathan, rei de Ériu, foi ele criado. A pessoa foi Ogma mac Elathan mac Delbaeith, irmão de Bres, pois Bres, Ogma e Delbaeth são os três filhos de Elatha mac Delbaeith. Eis que Ogma, um homem bem versado na oratória e na poesia, criou o Ogham. A causa de sua criação, como prova de sua perspicácia e para que sua fala pertencesse somente aos instruídos, excluindo-se os incultos e boiadeiros”.

Lebor Ogaim, linhas 5492-5496

Cis lir aicme ogaim? Ni ansa. A iii .i. uiii n-airigh fedha, 7 uiii n-athaigh, 7 uiii fidlosa. Ocht n-airigh cetus : fernn, dur, coll, muin, gort, straif, onn, or. Ocht n-athaig .i. bethi, luis, sail, nin, huath, tinne, quert. Ar chuit a feda is athaig feda fidlosa olchena.

“Quantos são os grupos do Ogham? Não é difícil. Três, ou seja, oito árvores chefes tribais [uiii n-airigh fedha] e oito árvores camponesas [uiii n-athaigh] e oito árvores arbustos [uiii fidlosa]. Oito árvores chefes tribais [uiii n-airigh fedha]: amieiro [fernn], carvalho [dur], aveleira [coll], trepadeira [muin], hera [gort], espinheiro-negro [straif], tojo [onn], urze [úr]. Oito árvores camponesas [uiii n-athaigh fedha], ou seja, bétula [bethi], sorveira [luis], salgueiro [sail], freixo [nin], espinheiro-branco [huath], azevinho [tinne], macieira [quert]. No que toca a suas letras, são árvores camponesas todos os demais arbustos”.

B [bethi] camponês 1
L [luis] camponês 2
F [fernn] chefe 1
S [sail] camponês 3
N [nin] camponês 4

H [huath] camponês 5
D [dur] chefe 2
T [tinne] camponês 6
C [coll] chefe 3
Q [quert] camponês 7

M [muin] chefe 4
G [gort] chefe 5
NG [ngetal] arbusto 1
Z [straif] chefe 6
R [ruis] arbusto 2

A [ailm] arbusto 3
O [onn] chefe 7
U [úr] chefe 8
E [edad] arbusto 4
I [ida] arbusto 5

ea, éo ea [éabad] arbusto 6
oi óe, oi [óir] arbusto 7
ui, úa, ui [uilleann] arbusto 8
io ía, ia [ifín] arbusto 9
ae [eamancoll] arbusto 10

1 – Oito árvores chefes tribais [uiii n-airigh fedha]:

amieiro [fernn] chefe 1
carvalho [dur] chefe 2
aveleira [coll] chefe 3
trepadeira [muin] chefe 4
hera [gort] chefe 5
espinheiro-negro [straif] chefe 6
tojo [onn] chefe 7
urze [úr] chefe 8

2 – Oito árvores camponesas [uiii n-athaigh fedha], ou seja,

bétula [bethi] camponês 1
sorveira [luis] camponês 2
salgueiro [sail] camponês 3
freixo [nin] camponês 4
espinheiro-branco [huath] camponês  5
azevinho [tinne] camponês 6
macieira [quert] camponês 7

3 – No que toca a suas letras, são árvores camponesas todos os demais arbustos.

NG [ngetal] arbusto 1
R [ruis] arbusto 2
A [ailm] arbusto 3
E [edad] arbusto 4
I [ida] arbusto 5
ea, éo ea [éabad] arbusto 6
oi óe, oi [óir] arbusto 7
ui, úa, ui [uilleann] arbusto 8
io ía, ia [ifín] arbusto 9
ae [eamancoll] arbusto 10

Nomenclatura Ogâmica

Aicmi (pl. de aicme, “família, classe, grupo”):
Aicme Beithe: Beithe, Luis, Fern, Sail, Nin
Aicme hÚatha: hÚath, Dair, Tinne, Coll, Cert
Aicme Muine: Muin, Gort, (n)Gétal, Straif, Ruis
Aicme Ailme: Ailm, Onn, Úr, Edad, Idad
Aicme na Forfed: Ebad, Ór, Uilenn, Pín/Iphín, Emancholl
Feda (“letras”, pl. de fid, “madeira, árvore”) – pode referir-se especificamente às vogais; nesse caso, as consoantes serão designadas como táebomnai (táe, “lado”, omnae, “tronco de uma árvore”).
Druim (“crista, gume”) – a linha central que serve de base aos caracteres.
Flesc (“galhinho”) – um único fid posicionado no druim, p. ex., –//–, fid Gort, a letra G.
In Beithe-luis – o nome do alfabeto ogâmico nos tratados gramaticais irlandeses. Em textos mais antigos, como o próprio Auraicept na nÉces, o nome do quinto caractere é incluído: In Beithe-luis-nin ou Beithe-luis-nin ind Ogaim. Ogam é um termo genérico para todos os alfabetos ogâmicos. O Beithe-luis-nin é chamado Cert-ogam, “ogam correto”. Depois, Ogham passou a significar irlandês escrito em oposição ao falado (béarla, “linguagem”, o irlandês falado; ogam, o escrito).
Eite (“pena”) – é o caractere >-; no Ogham manuscrito, indica o começo de uma sentença. Eite tuathail (“pena invertida”) – é o caractere  -<. no Ogham manuscrito, indica o final de uma sentença.

Direção da leitura – de acordo com o Auraicept na nÉces, linhas 945-951:

Is ed a llín: cóic aicmi Oguim agus cóicer cacha aicme agus o óen co a cóic cach aí, conda deligitar a n-airde. It hé a n-airde: desdruim, túathdruim, lesdruim, tredruim, imdruim. Is amlaid im-drengar Ogum amal im-drengar crann .i. saltrad fora frém in chroinn ar tús agus do lám dess remut agus do lám clé fo déoid. Is íar-sin is leis agus is fris agus is trít agus is immi.

“Este é o seu número: há cinco grupos de cinco traços e suas direções os identificam. Suas direções são: à direita da linha central, à esquerda da linha central, cruzando a linha central, através da linha central. O Ogam é escalado como se escala uma árvore, ou seja, primeiro pisando na raiz da árvore com a mão direita do indivíduo antes da outra e a mão esquerda do indivíduo por último. Depois, disso, é cruzando-o e de encontro a ele e através dele e ao redor dele”.

Embora esse texto seja do séc. XIV, época em que o Ogham era escrito em pergaminho da esquerda para a direita, a descrição claramente alude à época em que ele era gravado verticalmente na quina de uma pedra erguida (gállan) e lido de baixo para cima (is amlaid im-drengar […] amal im-drengar crann, “é escalado […] como se escala uma árvore”).

Fonte das citações:

Calder, George (ed.). Auraicept na n-Éces (The Scholar’s Primer). Edinburgh: John Grant, 1917.

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Hino de Aset

ISISEncontrado na Biblioteca de Nag Hammadi (desenterrada em 1945 no Egito), este trecho do texto gnóstico Trovão, a Mente Perfeita tem sido comumente associado à grande deusa Aset, uma vez que compartilha muitas das características ligadas a essa divindade. O louvor ao misterioso Divino Feminino, que perpassa todo o texto, evoca Aset em suas múltiplas manifestações.

Sou o Começo e o Fim.
Sou homenageada e desprezada.
Sou a prostituta e a santa.
Sou a casada e a donzela.
Sou a mãe e a filha.
Sou os membros de minha mãe.
Sou estéril e meus filhos são muitos.
Sou aquela que se casou com magnificência e não tenho marido.
Sou aquela que traz filhos e não gero filhos.
Sou o alívio das aflições do trabalho.
Sou a noiva e o noivo e meu marido originou-me.
Sou a mãe de meu pai e a irmã de meu marido e ele é meu filho.
Sou o silêncio incompreensível e a ideia amiúde trazida à mente.
Sou a voz que ressoa pelo mundo e a palavra que surge em todo lugar.
Sou do meu próprio nome o soar, eis que sou conhecimento e ignorância.
Sou vergonha e valentia.
Sou despudorada; sou pudica.
Sou poder e sou apreensão.
Sou luta e paz.
Escutai-me, pois sou a ultrajante e a esplêndida.

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