A Religião Céltica 1: Fontes para o Estudo

clip2_118Durante muito tempo, o estudo da religião céltica viu-se paralisado por dois consideráveis obstáculos: de um lado, o abuso de interpretações fundadas unicamente sobre a iconografia com a exclusão dos textos, resultando em ignorância ou recusa das fontes insulares galesas e hibérnicas; de outra parte, não empregando um método coerente, a maior parte dos intérpretes limitava-se à avaliação da religião céltica de acordo com critérios quer clássicos, quer primitivistas.

A matéria exige, ao contrário, que os dados insulares e continentais sejam comparados continuamente. A natureza mítica dos documentos disponíveis mostra que o estudo da ideologia religiosa e da estrutura social apresenta mais vantagens do que o método histórico puro. Tal ideologia e tal estrutura, no caso dos celtas, situam-se na área indo-europeia, consoante os critérios classificatórios e funcionais estabelecidos pelos trabalhos de Georges Dumézil. Os testemunhos continentais sobre a religião dos antigos celtas abrangem:

a) fontes contemporâneas indiretas (gregas e romanas);
b) a epigrafia e a iconografia celtibérica, céltico-itálica, galo-romana e céltico-oriental;
c) não comportam fonte literária nativa.

As Ilhas Britânicas e Ériu (Irlanda), em contrapartida, oferecem um vasto repertório de textos mitológicos e épicos redigidos nas línguas indígenas medievais, o irlandês e o galês. Esses textos são fontes diretas, embora posteriores à cristianização, mas não comportam informação iconográfica.

As fontes continentais e as fontes insulares são separadas cronologicamente por vários séculos, o que serviu muitas vezes como argumento contra a utilização destas. Contudo, o arcaísmo das fontes insulares está fora de questionamento. Ériu jamais foi romanizada e converteu-se diretamente de sua religião nacional para o cristianismo. Os monges e bispos da cristandade céltica da ilha registraram e transmitiram as lendas e velhos anais como se fossem a história nacional, esforçando-se para conciliá-los com as escrituras cristãs.

Foi assim que, paradoxalmente, a herança mitológica irlandesa salvou-se pela cristianização da ilha.

Bellouesus /|\

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