Sorcier et sorcellerie en Gaulois (traduzido)

Sorcier et sorcellerie en Gaulois

Bruxo e bruxaria em gaulês

liciati(a), lidsati(a), ‘noms de sorcières’

liciati(a), lidsati(a), ‘nomes de bruxas’

Mots qui, dans le plomb du Larzac, servent d’épithètes à des noms de femmes, 1a4-5: Seuerim Tertionicnim lidssatim, 2a9-10: Seuerim lissatim liciatim, 2b10-11: Seu[er]im Tertio lissatim; cf aussi 2b2-3 liđatias et 2b5 liciatia. On a aussi en 1b7-8 lissina[ue] Seuerim licinaue Tertioni[cnim], PML 13-19, LG 161-63. Liciatim et lidsatim sont des acc. sing. de liciata et lidsata, liđatias le gén. sing. et liciatia l’instrum. sing.; le nominatif de ces mots, qui n’est pas attesté, peut être également liciati(s), -ia et lidsati(s), -ia. P.-Y. Lambert, LG 166, rapproche liciati- du latin licium ‘fil de chaîne’ (utilisé dans un scène de défixion présentée par Ovide ‘cantata licia’ = ‘fils de chaîne ensorcelés’) et liđati- de latin littera (*littesā), et propose de voir en liciati- ‘la sorcière opérant avec le licium’ et en liđati- ‘la sorcière opérant avec l’écriture’. Les dérivés lissina et licina seraient les noms correspondant à ces activités, cf le NP Lissinia Galla, H2 240. W. Meid, Inscriptions 45, traduit lissa ta par ‘spell-bound’ et liciata par ‘fettered with bonds (“fascinated” in its litteral sense)’.

Palavras que, no chumbo de Larzac [i. e., na placa de chumbo descoberta em Larzac], servem como epítetos a nomes de mulheres, 1a4-5: Seuerim Tertionicnim lidssatim, 2a9-10: Seuerim lissatim liciatim, 2b10-11: Seu[er]im Tertio lissatim; cf. também 2b2-3 liđatias e 2b5 liciatia. Temos também  em 1b7-8 lissina[ue] Seuerim licinaue Tertioni[cnim], PML 13-19, LG 161-63. Liciatim e lidsatim são ac. sing. de liciata e lidsata, liđatias o gen. sing. e liciatia o instrum. sing.; o nominativo dessas palavras, que não está atestado, pode ser igualmente liciati(s), -ia e lidsati(s), -ia. P.-Y. Lambert, LG 166, aproxima liciati- do latin licium ‘fio de corrente’ (utilizado em uma cena de maldição apresentada por Ovidius ‘cantata licia’ = ‘fios de corrente enfeitiçados’) e liđati- do latim littera (*littesā), e sugere que se veja em liciati- ‘a bruxa que opera com o licium’ e em liđati- ‘a bruxa que opera com a escrita’. Os derivados lissina e licina seriam os nomes correspondentes a essas atividades, cf. o nome de pessoa Lissinia Galla, H2 240. W. Meid, Inscriptions 45, traduz lissata como ‘presa pelo feitiço’ e liciata como ‘agrilhoada com laços (“fascinada” no sentido literal)’.

licina, lissina, ‘sorcellerie’

licina, lissina, ‘feitiçaria’

uidlua, ‘voyante, magicienne’

uidlua, ‘vidente, maga’

Plomb du Larzac, ligne 1a3: … brictom uidluias uidlu[- … PML 13, LG 161. Rapproché par les premiers commentateurs (Fleuriot PML 57 et Lambert PML 64) de la racine *ṷeid- ‘voir, savoir’ qui donne le nom du ‘sage’ ou du ‘voyant’ / ‘sorcier’ : gaul. dru-wid-s, voir à ce mot’, gall. gwyddon ‘sorcière’, skr. viduráḥ ‘sage’, et surtout de la prophétesse de la Tain Fedelm dont le prototype *ṷidlmā pourrait donner régulièrement uidlua en gaulois selon Lambert, avec lénition du m, comme anuana < *anmana. Uidluias serait le génitif de uidlua; traduction par Lambert, LG 167, de briecom uidluias uidlu[as] / tigontias so ‘ceci est un charme de sorcière ensorcelant des sorcières’, avec restitution de uidlu[as] à l’acc. plur. Sens retenu par K.-H. Schmidt, Fs Hamp 18, ‘[ist] dies (so) der Zauber der Magien / Zaubereien (uidlu[a] = Alde Pl.) stechenden (tigontias) Vidluia (Gen. Sg.)’, et par Meid, GAS 43, ‘[ist] dies der (Gegen)zauber der (geheimes) Wissen praktizierenden (wörtlich : “stechenden”) wei sen Frau”. L. Fleuriot, PML 57, avait attiré l’attention sur l’existence d’un NP Udlu-gesus avec réduction de l’initiale ui- à u- (*Uidluo-gaisos ‘Lance-Magique’) ; pt ê. aussi Uedl-souna ‘Sommeil-agique’, voir à sounos.

[Placa de] chumbo de Larzac, ligne 1a3: … brictom uidluias uidlu[- … PML 13, LG 161. Aproximado pelos primeiros comentadores (Fleuriot PML 57 e Lambert PML 64) da raiz *ṷeid- ‘ver, saber’ que resulta no nome do ‘sábio’ ou do ‘vidente’ / ‘bruxo’ : gaulês dru-wid-s, veja-se esse verbete, galês gwyddon ‘bruxo’, sânscrito viduráḥ ‘sábio’, e sobretudo a profetisa do Táin, Fedelm, cujo protótipo *ṷidlmā poderia regularmente dar uidlua em gaulês, segundo Lambert, com enfraquecimento do m, como anuana < *anmana. Uidluias seria o genitivo de uidlua; tradução por Lambert, LG 167, de briecom uidluias uidlu[as] / tigontias so ‘este é um encantamento de bruxa enfeitiçando bruxas’, com restauração de uidlu[as] no ac. plur. Sentido conservado por K.-H. Schmidt, Fs Hamp 18, ‘[ist] dies (so) der Zauber der Magien / Zaubereien (uidlu[a] = Alde Pl.) stechenden (tigontias) Vidluia (Gen. Sg.)’, e por Meid, GAS 43, ‘[ist] dies der (Gegen)zauber der (geheimes) Wissen praktizierenden (wörtlich : “stechenden”) wei sen Frau”. L. Fleuriot, PML 57, despertou a atenção para a existência de um nome de pessoa Udlu-gesus, com redução do inicial ui- à u- (*Uidluo-gaisos ‘Lança-Mágica’) ; talvez também Uedl-souna ‘Sono-Mágico’, veja-se no verbete ‘sounos’.

Delamarre, Xavier. Dictionaire de la langue Gauloise; une approche linguistique du vieux-celtique continental. Errance, Paris, 2003, p. 202, 319. ISBN: 2 87772 237 6. ISSN: 0982-2720.

Delamarre, Xavier. Dicionário da Língua Gaulesa; uma aproximação linguística do céltico antigo continental. Errance, Paris, 2003, p. 202, 319. ISBN: 2 87772 237 6. ISSN: 0982-2720.

Comentário: Se os gauleses tinham palavras para “bruxo/a”, sinto-me forçado a concluir que os celtas antigos sabiam bem o que era bruxaria.

Tradução: Bellouesus /|\

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