Hipácia de Alexandria

No ano 415, Honorius (Flauius Honorius Augustus, imperador romano de 395 a 423 E. C.) promulgou mais uma lei que transferia ao governo a propriedade de todos os templos pagãos no território do Império Romano e ordenava que todos os objetos que tivessem sido consagrados aos sacrifícios pagãos fossem removidos dos lugares públicos. Um importante exemplo do clima antipagão foi o caso da filósofa Hypatía de Aleksándreia, assassinada por uma multidão em 415.

Sôkrátês de Konstantinoúpolis, historiador bizantino cristão do séc. V, descreve Hypatía e narra sua morte na Historia Ecclesiastica:

Havia uma mulher em Aleksándreia chamada Hypatía, filha do filósofo Theon, que fez tão grandes realizações em literatura e ciência a ponto de ultrapassar todos os filósofos de sua própria época. Tendo obtido sucesso nas escolas de Plato e Plotinus, Ela explicava os princípios da filosofia a seus ouvintes, muitos dos quais vinham de grande distância para receber seus ensinamentos. Por causa de sua presença de espírito e do desembaraço de seus modos, que ela adquirira em conseqüência do cultivo de sua mente, não era incomum que ela aparecesse em público na presença dos magistrados. Tampouco se sentia envergonhada ante uma assembléia de homens, pois todos os homens admiravam-na ainda mais por causa de sua extraordinária dignidade e virtude.

Pois até mesmo ela caiu vítima do ciúme político que naquela época prevalecia, uma vez que, tendo ela frequentes conversações com Orestes, caluniosamente se espalhou entre a ralé cristã que fora ela a impedir a reconciliação entre Orestes [o prefeito imperial da cidade] e o bispo [Kyrillos]. Alguns deles, portanto, impelidos por um zelo feroz e intolerante, cujo cabeça era um leitor chamado Petros, emboscaram-na ao voltar para casa e, arrancando-a de sua carruagem, levaram-na à igreja chamada Caesareum, onde a desnudaram completamente e, então, mataram-na ao destroçar sua pele com cacos de telhas e pedaços de conchas. Depois de fazerem seu corpo em pedaços, carregaram seus membros mutilados a um lugar chamado Cinaron e ali os queimaram.

Hypatía escreveu obras sobre aritmética, geometria e astronomia. Criou um mapa celeste e foi inventora do hidrômetro e (de acordo com seu discípulo Synésios de Kyrênê) também do astrolábio.

Bellouesus /|\

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