Estrabão, Geografia, L. IV, Cap. 4, §4

Στράϐων

Γεωγραφικά

L. IV, Cap. 4, §4. Παρὰ πᾶσι δ’ ὡς ἐπίπαν τρία φῦλα τῶν τιμωμένων διαφερόντως ἐστί, Βάρδοι τε καὶ Οὐάτεις καὶ Δρυίδαι· Βάρδοι μὲν ὑμνηταὶ καὶ ποιηταί, Οὐάτεις δὲ ἱεροποιοὶ καὶ φυσιολόγοι, Δρυίδαι δὲ πρὸς τῇ φυσιολογίᾳ καὶ τὴν ἠθικὴν φιλοσοφίαν ἀσκοῦσι· δικαιότατοι δὲ νομίζονται καὶ διὰ τοῦτο πιστεύονται τάς τε ἰδιωτικὰς κρίσεις καὶ τὰς κοινάς, ὥστε καὶ πολέμους διῄτων πρότερον καὶ παρατάττεσθαι μέλλοντας ἔπαυον, τὰς δὲ φονικὰς δίκας μάλιστα τούτοις ἐπετέτραπτο δικάζειν. Ὅταν τε φορὰ τούτων ᾖ, φορὰν καὶ τῆς χώρας νομίζουσιν ὑπάρχειν. Ἀφθάρτους δὲ λέγουσι καὶ οὗτοι καὶ οἱ ἄλλοι τὰς ψυχὰς καὶ τὸν κόσμον, ἐπικρατήσειν δέ ποτε καὶ πῦρ καὶ ὕδωρ.

Estrabão

Geografia

L. IV, Cap. 4, §4. Entre todos os povos gauleses, sem exceção, encontram-se três grupos (τρία φῦλα) que são objetos de honras extraordinárias, a saber, os Bardos (Βάρδοι), os Vates (Οὐάτεις) e os Druidas (Δρυίδαι), ou seja, Bardos, os cantores sagrados (ὑμνηταὶ) e poetas (ποιηταί), Vates, os que se ocupam das coisas do culto (ἱεροποιοὶ) e estudam a natureza (φυσιολόγοι), Druidas, que, além do estudo da natureza (φυσιολογίᾳ), ocupam-se também da filosofia ética (ἠθικα φιλοσοφία). Estes últimos são considerados os mais justos dos homens e, por essa razão, confia-se-lhes a decisão de todas as dissensões, sejam públicas ou privadas; antigamente (πρότερον), até mesmo as questões de guerra eram submetidas a seu exame e algumas vezes foram vistos a impedir as legiões inimigas já a ponto de sacar as armas. Porém, o que especialmente lhes compete é o julgamento dos crimes de homicídio e deve-se observar que, quando são frequentes as condenações por esse tipo de crime, veem nisso um sinal de abundância e de fertilidade para o país. Os Druidas proclamam a imortalidade da alma e do mundo, o que não os impede de acreditar que o fogo e a água um dia prevalecerão sobre todo o resto.

Comentário: Diodoro Sículo repete quase que a mesma informação dada por este autor e sabe-se que ambos usaram a obra perdida de Posidônio de Apameia sobre os gauleses. César usou a mesma fonte, mas simplificou o quadro de Posidônio, mencionando unicamente os druidas. Posidônio não escreveu (nem o fizeram Estrabão ou Diodoro) sobre bardos-druidas, vates-druidas e druidas-druidas. O entendimento de que todos são druidas veio da leitura do reducionista César apenas, assim como veio do mesmo escritor a informação de que os druidas gauleses achavam-se todos sob o governo de um só, que exercia sua autoridade sobre a “corporação” inteira. O druidismo centralizado e com um arquidruida liderando uma fraternidade de druidas, vates e bardos, modelo que se firmou com o Renascimento Druídico, é gaulês e totalmente saído dos Comentários de César. Um pormenor geralmente esquecido desta passagem de Estrabão é o uso do advérbio “antigamente” (πρότερον), pois dá a entender que, na época em que Posidônio (morto cerca de meio século antes da Guerra Gaulesa) discorreu sobre os celtas, o poder de que dispunham os druidas para abortar batalhas era já coisa do passado. Diodoro Sículo acrescenta ainda outra informação sobre o mesmo ponto: os druidas não iam sozinhos postar-se entre os exércitos beligerantes, mas faziam-se acompanhar “de seus cantores”.

Bellouesus /|\

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