belo-, bello-, ‘forte, poderoso’

belo-, bello-, ‘forte, poderoso’

Termos e tema frequente em NP [‘noms de personne’, nomes pessoais, teo-/antropônimos]: Belinos, Belinicos, Belisama, Bellus, Bellona, Bello-gnati, Bello-rix, Bello-uacus, Bello-uaedius, Bello-uesus, H1 384-95, KGP 147, RDG 28. Os NR [noms de rivière, nomes de rio, hidrônimos] Bienne e Biel (Suiça) remontam a *Belenâ. A forma Belisama mostra que se relaciona a um superlativo de um tema belo- ou beli-, do qual bello- seria a forma hipocorística. O fato de que Belenos seria, segundo a interpretação romana, o Apolo gaulês, divindade ‘solar’, levou a que essa designação fosse compreendida como ‘o luminoso, o brilhante’, cf., p. ex., de Vries 45: “O Apolo gaulês, possui, igualmente, estreitas ligações com o sol; seu epíteto Belenus seria o bastante para indicá-lo”. Faz-se a seguinte interpretação etimológica pelas raízes i.-e. [indo-europeias] imaginárias *gwel- ‘brilhar’ (há um ^gwelH- ‘queimar’, “nicht ganz sicher” [não muito seguro] no LIV 151, sânscrito jválati) ou o incerto *bhal: grego phálos ‘branco’, armênio bal ‘palidez’, sânscrito balâkâ ‘guindaste’, gótico bala ‘ cinzento’, letão báltas, ‘branco, eslavo antigo belo ‘id.’, que pressupõem, em todo caso, uma raiz *bhêl- / “bhel- [*bheh1l- * bhh1l-] ou, graças à magia das “laringeais” com metátese *bhelH- (Stübr 120), mas não *bhel-; portanto, a raiz significa de modo constante ‘branco, cinzento, pálido, porém não ‘brilhante’; veja-se o apanhado de Pokorny IEW 118-19. O provençal belé, belet ‘relâmpago’, FEW 1, 322, não é o bastante para criar-se uma palavra gaulesa. Sem dúvida por causa da geminação, K. H. Schmidt, KGP 147, terá visto em bello- uma forma curta de belatu-, o que me parece muito improvável.

Como se deve partir de uma base belo- ou beli-, segundo implicam os derivados Belinos, Belisama, parece-me preferível, por razões estritamente linguísticas, aproximá-la da raiz belo-, ‘força, forte’: sânscrito bálîyân, ‘mais forte’, bálisthah ‘o mais forte’ (=balisamo- com a divisão dialetal regular do dufixo do superlativo, Porzig 99), grego beltíôn, béltistos ‘melhor, mais’ (por *belíôn, bélistos), latim dê-bilis ‘baixo’, eslavo antigo boljiji ‘maior’, IEW 96, palavra que em geral serve para assegurar a existência do fonema b- em indo-europeu, Mayrhofer Idg. Gramm. I/2, 99. Assim, a designação Belisama deve ser compreendida como ‘A Muito Poderosa’ e não como ‘A Muito Brilhante’, Belinos ‘O Senhor do Poder’ (Bellona é, entre os Insubrii e os Scordisci, uma deusa da guerra, A. Reinach RC 34 [1913], 255, teônimo latino?) e Bello-uesus seria um composto dvandva + ou – ‘Forte e Bom’.

Delamarre, Xavier. Dictionaire de la Langue Gauloise; une approche linguistique du vieux-celtique continental. 2 ed., Errance, Paris, 2003, p. 72.

Tradução: Bellouesus /|\

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